FIRE Jovem - Escolhendo qual ação comprar

11 de fevereiro de 2020

Olá, senhoras e senhores


Hoje irei mostrar para vocês o processo que uso para definir meus próximos aportes. 

Comecemos do começo: o primeiro passo para definir o aporte é saber em qual categoria investir, assim, comparando minha alocação atual com a alocação-alvo nota-se que a maior diferença está na categoria 'ações', portanto este será o provável destino do meu aporte em fevereiro (a não ser que ocorram variações grandes nos preços).

Alocação alvo x alocação atual - FIRE Jovem (Jan 2020)



Lembrando que eu tenho o objetivo de atingir entre 10 e 15 ativos na minha carteira de ações e que no momento tenho apenas 7, assim os próximos aportes não são definidos baseado no balanceamento das empresas que já tenho, mas sim em quais empresas eu quero passar a ter. Seguindo o 4º Princípio: Diversificação meu foco será em empresas de segmentos que eu ainda não possuo em carteira, de forma genérica tenho ações dos nichos: financeiro, seguradoras, bens de capital, saúde e elétrico. Meu objetivo foi selecionar 3 ações para aportar.

Com isso em mente realizei um pré-filtro nas ações da bolsa baseando-me no ranking de ações da Bastter.com pra quem não conhece a Bastter.com é um fórum sobre investimentos e qualidade de vida, os assinantes do fórum têm acesso ao ranking de ações definido a partir dos votos dos membros, de forma geral os votos se baseiam em critérios fundamentalistas (lucros consistentes, dívida equilibrada, líderes de setor, etc), então o ranking é um bom filtro inicial. 

Assim, selecionei o top 100 do ranking da Bastter e eliminei as empresas que já possuo, bem como as de mesmo segmento delas, assim ficaram fora empresas do setor financeiro, saúde, produção de bens de capital, seguradoras e setor elétrico, também ficaram fora as empresas em que me recuso a investir por princípios (Vale e setor de educação por exemplo), foram eliminadas empresas com grande participação governamental e as secundárias no setor de atuação. 

Este pré-filtro resultou em 10 companhias: Ambev, Localiza, Grendene, Lojas Renner, Metal Leve, M Dias Branco, Klabin, Linx, Natura e Wiz Soluções. 

Como todas as empresas já passaram por um pré-filtro fundamentalista pode-se dizer que elas atendem aos critérios básicos de boa gestão, lucros consistentes (exceto para cíclicas como KLBN) e liquidez. Não irei me aprofundar nesta parte, mas é basicamente isso: boa liquidez, Tag Along e gestão consistente. Assim, definidas as empresas parti para uma análise de alguns indicadores que acho interessantes:

Indicadores de preço:
P/L = preço da ação / lucro por ação
P/L médio (5 anos) = média do P/L dos últimos 5 anos

Explicação: os indicadores de preço são importantes especialmente no curto prazo para comparar a relação preço/lucro atual da ação com a sua média histórica, com isso sabemos se a companhia está 'cara' ou 'barata' com relação aos seus próprios indicadores no passado. Comparar P/L de empresas muito diferentes entre si pode levar a erros, por isso é interessante comparar P/L dentro de um mesmo setor ou com a média histórica. Outro ponto importante: eu uso esses indicadores como uma precaução de curto prazo, pois se a empresa está com preço muito elevado há uma tendência de queda do preço no curto prazo e isto pode levar a erros por fatores psicológicos, no entanto, se a empresa é realmente boa o preço não deve ser um fator de grande relevância, no longo prazo os lucros irão crescer e com eles a cotação da empresa.

Indicadores de vantagens competitivas ou boa gestão
Lucros dos últimos 5 anos
Margem líquida = lucro líquido / receita 
ROE (Return on Equity) = Lucro líquido/Patrimônio líquido
ROIC (Return on invested capital) = EBIT / Capital investido 

Explicação: empresas com lucros consistentes e crescentes, margem líquida acima de 10% tendem a ser boas empresas, quanto mais alta a margem melhor, pois indica que a empresa tem espaço para redução de preços em momentos de crise e tem como 'se virar' no mercado, além disso, margens maiores que a concorrência são uma grande vantagem competitiva. O ROE e ROIC também são bons indicadores para avaliar vantagens competitivas, quanto mais elevados melhor (no caso do ROIC é importante saber o custo de capital da empresa [WACC], se este for muito alto o ROIC alto não necessariamente é algo bom).

Indicador de dívida balanceada:

Dívida líquida/EBIT 

Explicação: dívida é o que quebra uma empresa, via de regra quanto menor ela for melhor. É claro que algumas empresas se endividam para crescer e isto é ok, desde que saibamos onde estamos entrando (empresas de commodities e do setor elétrico são exemplos típicos). O indicador citado acima é fundamental para saber em quantos anos a empresa conseguirá honrar sua dívidas de acordo com sua geração de caixa (EBIT), de forma geral é bom que este indicador esteja abaixo de 3 e quanto menor melhor.

Indicador de Opcionalidade:

Caixa disponível (analisado em conjunto com a dívida).

Explicação: com dinheiro em caixa e, partindo do pressuposto que a empresa é bem gerida, a empresa terá opcionalidade para investir seus recursos nas melhores oportunidades, isso é ainda mais importante em momentos de crise e de queda do mercado, as empresas perenes são aquelas que tem caixa para comprar concorrentes e se manter viva nos momentos de tensão, por isso gosto de olhar para esse indicador. É claro que Caixa alto com dívida não adianta muita coisa, por isso é importante analisar o Caixa em conjunto com a Dívida.

Com estes indicadores em mente coletei os dados das empresas em sites como o Fundamentei, Plataforma Pense Rico e a própria Bastter, resultando no seguinte:


Aporte de fevereiro de 2020 - FIRE Jovem

Fiz uma formatação condicional para melhorar a visualização: 

VERDE = BOM
VERMELHO = RUIM/NÃO TÃO BOM

Comecemos eliminando as empresas de acordo com os critérios estabelecidos:
P/L elevado comparado à média: Natura, Linx e Localiza (RENT3)
Margem apertada: Klabin 

Sobraram 6 empresas: ABEV3, MDIA3, GRDN3, LEVE3 LREN3 e WIZS3. Pela análise dos lucros decidi deixar de lado MDIA3 pela inconsistência mostrada recentemente, restando 5 empresas, das quais 3 seriam escolhidas. Neste ponto eu poderia optar por investir em qualquer uma delas, pois praticamente todas atendem aos meus critérios de seleção, assim, para este mês decidi investir em duas empresas muito bem consolidadas no mercado uma small cap: 

ABEV3  - Caixa monstruoso e margem excelente
LREN3 - lucros MUITO consistentes, boa margem e Caixa
LEVE3 - Margem Líq, ROE, ROIC ótimos

Antes de realizar o aporte pesquisei um pouco mais a fundo os balanços e as empresas para garantir que estão de acordo com o que busco.

*Sei que a WIZS3 é a que mais chama a atenção de acordo com os indicadores que selecionei, mas ainda tenho um pé atrás com a WIZ pela vulnerabilidade da sua receita que é completamente atrelada à Caixa Econômica Federal.

Espero que tenha ficado claro o processo que usei para definir meu aporte e como escolhi em quais ações investir. Das empresas citadas praticamente todas são extremamente interessantes, creio que eventualmente irei adicionar boa parte delas à minha carteira, mas como os recursos são limitados é preciso dar uma peneirada. Espero ter ajudado quem busca conhecimento e sou todo ouvidos para críticas, quanto mais refinado for o processo, melhor.

FIRE Jovem

FIRE Jovem - O conceito de antifragilidade

7 de fevereiro de 2020

No ano de 2019 li um daqueles livros que mudam a sua forma de enxergar o mundo. Na minha sede por conhecimento sobre investimentos cruzei com um pessoal falando sobre um conceito que nunca tinha ouvido falar, uma tal de Antifragilidade. Movido pela curiosidade decidi pesquisar mais sobre o assunto e me deparei com o livro: 'O Antifrágil', do filósofo libanês e ex-operador de mercado financeiro Nicholas Nassim Taleb.


O conceito de antifragilidade - FIRE Jovem
O Antifrágil, livro de Nicholas Nassim Taleb - blog FIRE Jovem
Para abordar o conceito de antifragilidade comecemos com um a proposição de que podemos dividir algumas coisas do mesmo domínio em tríades, como por exemplo: 

Chato - Indiferente - Legal
Anti-matéria - Vácuo - Matéria
Negativo - Nulo - Positivo
'-1' - '0' - '+1'
Derrota - Empate - Vitória

Perceba que nas tríades listadas acima sempre temos um elemento considerado 'negativo', outro que é 'nulo' e outro 'positivo', perceba também que os elementos das extremidades são opostos: chato-legal, negativo-positivo, derrota-vitória. Com isso em mente responda à seguinte pergunta: qual o oposto de 'frágil' ?

Algumas palavras podem vir à sua cabeça como: forte, robusto, sólido e confiável. E se eu te dissesse que nenhuma dessas palavras realmente representa o oposto de frágil ? 

Pensemos da seguinte forma: frágil é tudo aquilo que se quebra facilmente, que é fraco ou delicado, de forma geral frágil representa algo que é sensível às variações, que se parte com os choques e com o estresse, é aquilo que odeia a volatilidade. Pense numa taça de cristal, ela é claramente um elemento frágil, isso porque qualquer impacto ou a mais leve variação na sua condição de estar intacta pode quebrá-la. Agora voltemos ao problema do 'oposto de frágil':

Se o que é frágil é aquilo que odeia a volatilidade, o oposto de frágil deve ser algo que ama a volatilidade e as variações, algo que fica mais forte com elas, algo que engrandece com os impactos, essa á Antifragiliadade. Até então não tínhamos uma palavra exata para este conceito. Se pensarmos nas tríades, a que representa o domínio da fragilidade é a seguinte:

Frágil - Robusto - Antifrágil

Robusto não é o oposto de frágil, robusto é aquilo que não se importa com as variações, por mais que os impactos aconteçam (em uma rocha por exemplo), ela se mantém lá e simplesmente não se move, a robustez é caracterizada pela indiferença. Já o antifrágil ama a variação, torna-se mais forte com ela, imagine uma taça que que aumenta de tamanho ao ser jogada contra a parede, que fica ainda mais forte com o impacto, essa seria uma taça antifrágil. 

Se você tiver a mesma reação que eu quando ouvi isso da primeira vez você deve estar pensando: "Tá, ok, bem legal a historinha e tudo, mas que me dá um exemplo desse negócio aí, porque eu não consigo pensar em nada prático". Então vamos à eles:

A hidra na mitologia grega é um exemplo de antifragilidade, para cada cabeça cortada nasciam mais duas, ela se tornava mais forte à cada golpe. Nossa, belo exemplo 'prático', hein seu animal?

O corpo humano é outro exemplo de antifragilidade (dessa vez uma antifragilidade limitada). A hipertrofia muscular é o processo de fortalecimento e crescimento dos músculos por meio do estresse, quanto maior o peso erguido mais forte o músculo tende a ficar. As vacinas promovem a imunização do corpo por meio do contato com o agente patógeno, tornando o organismo mais forte ao ser 'estressado' por ele.

No mundo dos investimentos temos o exemplo das opções (ou de uma carteira muito bem balanceada), que se beneficiam da volatilidade do mercado (seja para cima ou para baixo), quanto maior a variação dos preços maior será o ganho com a compra de opções, é claro que pelo menos a orientação do movimento deve estar correta (subida ou descida), mas quanto maior ela for maior será o ganho. As ações também funcionam assim, mas em menor grau, pois se beneficiam menos da volatilidade do que as opções.

A informação também parece ser antifrágil, quanto mais se tenta abafar ou censurar determinada informação maior parece ser sua capacidade de se espalhar e atingir mais pessoas.

Existem diversos outros exemplos: revoluções, o processo evolutivo, o setor aéreo (e não as companhias), as start-ups, etc...

A grande beleza da antifragilidade é que está presente nos mais diferentes domínios, é um conceito que une coisas distintas e torna clara a semelhança entre elas. No livro existem diversos outros conceitos extremamente interessantes que eu provavelmente abordarei em posts posteriores, por enquanto fiquem com a grande regra prática para se beneficiar do conhecimento da antifragilidade:

Como não somos antifrágeis em todos os domínios, a melhor maneira de se beneficiar da antifragilidade é apostar contra o que é frágil, pois, inevitavelmente, o que é frágil irá se romper. Isso é válido para os investimentos (O filme 'A Grande Aposta' deixa isso evidente) e também é válido para a vida. 

Uma última reflexão: a independência financeira é uma maneira de eliminar a fragilidade à necessidade por dinheiro e nos dá a opcionalidade de agirmos e vivermos da maneira como preferimos, se uma crise vier ou você perder o emprego você não estará suscetível àquela variação, você estará, no mínimo, robusto. Por isso confere lá meu plano e os 7 princípios para alcançar a IF ;)


FIRE Jovem - Divagações sobre 'Motivação'

5 de fevereiro de 2020

Recentemente assisti o documentário "Inside Bill's Brain", que conta a história do Bill Gates e os desafios que ele enfrentou e continua enfrentando. Em um dado episódio fiquei extremamente impressionado, e com bastante inveja, pelo foco que o ainda jovem Gates já tinha: sua escola havia pedido para que ele determinasse a grade de horários de todos os alunos do campus, o problema envolvia milhares de alunos e inúmeras restrições, isso em um tempo sem tabelas de Excel, até então as coisas eram feitas no braço.

Bill Gates e Paul Allen - Divagações sobre motivação Bill Gates e Paul Alle
Bill Gates e Paul Allen - Blog FIRE Jovem
Gates, ainda adolescente, aceitou o desafio e passou noites acordado junto com seu amigo Paul Allen para resolver o problema. Poucas horas antes da data final o programa finalmente rodou e os horários dos alunos foram definidos. Nos anos seguintes outras escolas e universidades iriam pedir ajudar aos dois jovens prodígios.

O que mais me impressiona nessa história não é a idade dos protagonistas, as limitações tecnológicas ou a complexidade do problema, mas sim o foco e a sede pela resolução que os meninos demonstraram. E, a história viria a contar, aquele foco e dedicação não pararam por ali, os dois construiriam as bases de uma das maiores companhias do mundo e se tornariam bilionários nos anos vindouros.

Eu não me lembro, nessa ainda curta vida, de ter sentido semelhante motivação. Mesmo nos anos de cursinho, quando estudava quase o dia todo e tinha um objetivo claramente definido: passar na faculdade pública de engenharia química, apesar de me esforçar tremendamente. E ainda hoje, 5 anos depois dessa época de altíssimo esforço e dedicação, não sinto o 'tesão' que Gates e Allen sentiram naquelas noites e posso dizer que a dedicação do cursinho foi meu auge até então. A questão é: por que não sinto? O que aqueles jovens tinham que eu não tenho?

Daniel Pink, autor do livro 'Drive', elencaria três principais motivos para a motivação de Gates e Allen:

1. Propósito: eles tinham o propósito e a intenção de serem importantes e fazerem coisas importantes, aquele problema era um dos degraus para atingir seu propósito.

2. Maestria: os meninos eram bons e, sobretudo, sabiam que eram bons. sabiam que tinham capacidade para resolver o problema, a meta era alcançável.

3. Autonomia: eles podiam trabalhar da maneira como queriam desde que entregassem o resultado, sem ninguém no pé colocando horários ou limitações.

De acordo com o autor, se você conseguir unir estes três elementos a motivação será uma consequência natural. Para saber o que te motiva faça a seguinte reflexão: Que atividade eu realizo sem perceber o tempo passar? O que é que me deixa imerso a ponto do resto não importar? Tanto faz se o Bolsonaro está  permitindo a destruição a Amazônia ou se o seu time perdeu no fim de semana, quando fazemos o que realmente gostamos entramos no estado de flow (fluxo), as coisas simplesmente fluem.

Na minha vida percebi que as seguintes atividades me fazem entrar no estado de flow: praticar esportes (principalmente futebol), estudar sobre investimentos e economia, ensinar/apresentar para outras pessoas e aprender coisas novas. Ainda não está claro para mim como cada uma dessas atividades se conecta ao meu propósito (que eu também não tenho certeza de qual é), mas espero que com o tempo eu venha a descobrir. Também é curioso perceber que a minha profissão (Engenharia Química) não está intrinsecamente relacionada a nenhuma dessas atividades, apesar de gostar de aprender coisas relacionadas à EQ raramente sinto-me motivado a ir atrás e buscar novos conhecimentos. Talvez eu aprenda a me apaixonar por ela com o tempo, há um ditado em algum país do leste europeu que diz: "A fome vem com a comida", espero que seja o caso.

Eu acho lindo ver aquelas pessoas que são completamente apaixonadas pelo que fazem, sempre me lembro de um professor da faculdade que deu aula até os 70 e poucos anos e que falava com brilho nos olhos dos 'nanocompósitos poliméricos'. Para mim ainda não está claro se minha profissão será um meio para atingir meu propósito ou se me contentarei simplesmente em exercê-la, o tempo dirá (mas eu aposto na primeira opção, hehe). E eu acredito que se sua profissão não se conecta com seu propósito, você pode usá-la como um meio para atingir a Independência Financeira e perseguir o que te motiva. Mas eaí, o que te faz atingir o estado de flow?  Sua profissão é suficiente para você?

FIRE Jovem


FIRE Jovem - Janeiro 2020: R$ 25.738,04 (+2,58%)

1 de fevereiro de 2020

Olá, senhoras e senhores


Neste post dou início a divulgação dos fechamentos mensais que farei até a independência financeira (assim espero). Eu já havia feito uma breve descrição dos meus investimentos e do patrimônio, mas nenhum fechamento até então.

Então vamos aos números:

Patrimônio Total: R$ 25.738,04
  • Ações: R$ 9.879,11
  • FII: R$ 2.305,02
  • Caixa: R$ 1.850,76
  • Renda Fixa: 10.495,00 (Reserva)
  • Bitcoin: R$ 1.208,15
Patrimônio real do FIRE Jovem em janeiro de 2020
Patrimônio real x Patrimônio projetado - FIRE Jovem - Janeiro 2020
Felizmente janeiro foi um ótimo mês e o FIRE Jovem fechou o mês com 132% do patrimônio projetado (R$ 19.500) no início da jornada.  O valor investido até este momento é de R$ 21.712,24.

Rentabilidade: +2,58%

Apesar da queda brusca dos FII's e da leve queda de algumas ações da bolsa brasileira a carteira teve uma ótima rentabilidade no mês de janeiro. A grande alta do Bitcoin, que representa uma considerável fatia de 8%, e a ajudinha de algumas ações (WEGE, PSSA, EGIE) foram os principais responsáveis.

Novos aportes: + R$ 1.815,02
  • Caixa: R$ 780,00
  • KNRI11: R$ 542,88
  • HGRE11: R$ 399,88
  • ITSA3: R$ 92,96
Seguindo a alocação de ativos definida fiz os investimentos nas categorias que estavam mais defasadas com relação à alocação-alvo, eram elas: Caixa e FII. Optei por comprar mais cotas de KNRI11 porque é provável que o fundo faça uma nova emissão em breve (a ser definida em fevereiro) e inclui o HGRE11 ao portfolio. Além disso aumentei o valor alocado em Caixa para oportunidades futuras. Com os novos aportes a carteira ficou alocada da seguinte forma:

Alocação de ativos - FIRE Jovem - Janeiro 2020*

*Nessa distribuição não estão computados os investimentos destinados à reserva de emergência.

Outros resultados importantes:

Renda passiva: + R$ 39,04
Gastos diretos: -R$ 961,40
Relação aportes/renda total: 64%

Bom, janeiro foi um ótimo mês no fim das contas, sigo acima do patrimônio planejado e pretendo me manter firme e focado na jornada.

No aspecto pessoal também foi um bom mês, tenho feito um bom trabalho no meu estágio, finalizei dois livros e estou fazendo um curso online, além disso perdi pelo menos 2,5 kg depois da engorda de fim de ano. 

FIRE Jovem

FIRE Jovem - Metas para 2020

30 de janeiro de 2020

Olá, senhoras e senhores


Metas do FIRE Jovem para o ano de 2020
Ainda em tempo, que fiquem documentadas nesta areia movediça que é a internet as metas do FIRE Jovem para o ano de 2020:

1. Meta financeira: seguindo o plano FIRE pretendo ter pelo menos R$ 37.722,16 em investimentos até o fim do ano, tá específico o minino hein ?!. Atualmente meu patrimônio é de R$ 23.343,49.

2. Meta de massa corporal: pretendo atingir 70 kg até o fim do ano, no começo do ano estava pesando 77 kg (1,71 m de altura), neste momento estou com 75 kg. Não está ruim, mas dá para melhorar.

3. Atividade física: fazer atividade física em pelo menos 4 dias da semana (em média) ou 5 horas por semana.

4. Meta profissional: desenvolver conhecimentos e experiências relevantes dentro do ramo da engenharia química, aprender o máximo possível dentro do estágio ao longo do ano. Esta meta deve ter como consequência a que vem a seguir.

5. Meta profissional: conquistar um novo emprego que esteja de acordo com meus princípios, com salário de pelo menos R$ 3.500/mês. Atualmente estou fazendo estágio e recebo R$ 2k/mês.

6. Meta profissional: formar-me. Estou no último ano de faculdade de engenharia química, creio que essa meta é a mais tranquila das estabelecidas para este ano.

7. Meta pessoal: começar algo novo, possivelmente que gere uma segunda renda no futuro. Já ouviu falar no blog FIRE Jovem

8. Meta pessoal: practice english every single day, it may be by listening, talking or reading (I'm doing well in this one so far). Volver a estudiar español

9. Meta pessoal: fortalecer e manter boas relações com as pessoas que amo: namorada, família e amigos. Aproveitar o tempo livre com essas pessoas e viver boas experiências com eles, incluindo ao menos 1 viagem. 

10. Meta pessoal: ler 20 livros ou 5.000 páginas até o fim do ano. 

Essas são minhas metas para o ano de 2020, espero poder ticá-las com um 'V' bem grande em janeiro de 2021 e compartilhar essa alegria com vocês. Sei que algumas metas não são tão mensuráveis e objetivas como deveriam, mas prometo fazer um balanço criterioso ao considerá-las no fim do ano.


FIRE Jovem

FIRE Jovem - O que é o movimento FIRE ?

23 de janeiro de 2020

Olá, senhoras e senhores


O post de hoje é para aqueles que querem entender melhor o que é o movimento FIRE, irei abordar um pouco da história e fazer um resumo geral dos principais conceitos para atingir a independência financeira segundo a lógica FIRE.


Movimento FIRE Brasil, independência financeira no Brasil
Movimento FIRE Brasil - FIRE Jovem

O que é o movimento FIRE ?

FIRE vem do inglês Financial Independence Retire Early que traduzido fica algo como: Independência Financeira Aposentadoria Antecipada. De forma bem genérica o movimento foca em poupar e investir o dinheiro ganho para atingir o patrimônio necessário para ser independente financeiramente, ou seja, poder viver até o fim da sua vida sem se preocupar com dinheiro, o que pode significar, ou não, a aposentadoria antecipada sem depender de mais ninguém a não ser de você mesmo.

As primeiras referências ao termo FIRE vem do livro de 1992 "Your Money or Your Life" (Vicki Robin e Joe Dominguez). O livro traz um passo a passo para uma vida mais simples e frugal com foco em atingir a independência financeira. No entanto foi só na década de 2010 que o movimento FIRE caiu no gosto dos millenials tendo como semente os blogs criados por americanos e canadenses que relatavam suas jornadas à independência financeira e outras ideias relacionados ao movimento FIRE. O principal expoente e um dos pioneiros é o blog Mr. Money Mustache. No Brasil também temos uma ainda incipiente comunidade FIRE cujos principais nomes são os blogs AA40 e Sr. IF 365, nos dois blogs há muito material interessante sobre independência financeira, incluindo o podcast do Sr. IF e as calculadoras e outras ferramentas do AA40.

Na visão do FIRE Jovem o movimento FIRE é muito mais sobre independência financeira e estilo de vida do que a aposentadoria  antecipada em si. A grande sacada está na liberdade (ou opcionalidade de acordo com Nassim Taleb) proporcionada pela independência financeira, pois conquistando-a você tem a opção de trabalhar ou não, estudar ou não, viajar ou não, aproveitar a vida da forma como achar melhor ou não, você passa a ter a liberdade ou opção de escolher, o que não é possível quando se tem que trabalhar para pagar aluguel, colocar comida na mesa e pagar as contas. Assim, a segunda parte do acrônimo (Retire Early) passa a ser secundária perto da infinidade de opções fornecidas pela primeira parte (Financial Independence).

Principais conceitos do movimento FIRE

De forma bem genérica o movimento FIRE se baseia no seguinte: quanto mais dinheiro você consegue poupar e investir com relação a seus gastos, mais cedo você conseguirá se aposentar, desde que mantenha o mesmo padrão de vida na aposentadoria. Não há um número mágico para alcançar a independência financeira, tudo depende muito mais do quanto você gasta do que o quanto você ganha, determinado quais são seus gastos mensais é possível determinar quanto é necessário para atingir a independência financeira, mas para entender isso precisamos definir uma coisinha chamada TSR.

TSR ou Taxa Segura de Retirada (SWR no inglês) 
É basicamente o quanto você pode tirar do seu patrimônio total por ano de forma que ele dure pelo menos até o fim da sua vida. Nos EUA o número mágico da TSR é de 4% acima da inflação, este número foi definido como a TSR de máxima segurança no Trinity Study, um estudo realizado por professores da Trinity University que fez as seguintes considerações:
 - Período máximo de retirada: 30 anos
 - Portfolio de investimento: 50% bonds (títulos americanos) e 50% stocks.

O estudo consistiu em fazer um backtest para determinar o que teria acontecido com o patrimônio investido para todos os períodos de 30 anos entre 1925-2009, ou seja: 1925-1955, 1926-1956 e assim por diante, levando em conta como as ações e os títulos americanos variaram nestes períodos. Por fim o estudo concluiu que em nenhum período inferior a 30 anos o investidor chegaria a falência com uma TSR de 4% acima da inflação, mesmo que tivesse passado pelo pior período de crise possível ainda assim teria uma grana sobrando após 30 anos de investimentos, isso porque o patrimônio acumulado em conjunto com a valorização das ações e bonds no período seria suficiente para suprir as retiradas feitas para cobrir os gastos. Um ponto importante é que para períodos superiores a 30 anos a TSR de 4% continua válida devido à ação dos juros compostos, mas isso é assunto para outro post.

Para nós, reles mortais brasileiros, a situação é diferente, pois vivemos em outra realidade, com variações muito mais bruscas, crises intensas e governos diferentes. Além disso só é possível fazer um estudo da TSR no Brasil semelhante ao realizado nos EUA a partir do início do plano real (1994), quando o câmbio estabilizou, ou seja, temos apenas um período de 25 anos a ser considerado. Inclusive temos um estudo de TSR no Brasil. É importante ressaltar também que a TSR  de 4% não é unanimidade e já sofreu muitas críticas de economistas e até de membros da comunidade FIRE. Para sua máxima segurança, quanto menor sua TSR mais seguro você estará, os dados do passado não necessariamente refletirão o futuro, o que já foi o máximo de segurança no passado não continuará sendo no futuro, um cisne negro pode acontecer e te deixar na m#$%%. 


Patrimônio necessário para Independência Financeira

De acordo com o movimento FIRE, uma vez definidos seus gastos mensais e a TSR alvo na independência financeira é possível determinar o patrimônio necessário para alcançar a aposentadoria. Lembrando que o que eu chamo de patrimônio aqui é o dinheiro investido em ativos que geram renda (dividendos/aluguéis) ou que ganham valor com o tempo e podem ser liquidados facilmente: ações, títulos de renda fixa, CDB, fundos imobiliários, etc... A casa onde você mora ou seu carro não podem ser considerados patrimônio, uma vez que não geram renda e, mesmo que valorizem, não é possível liquidá-los com facilidade para usar o dinheiro da valorização. 

Exemplo: o Sr. Canseira após 5 anos registrando e acompanhando seus gastos chegou à conclusão que uma boa média mensal dos gastos de sua família é de R$12.000,00 incluindo viagens, escola, moradia, comida e a potencial faculdade do filho no futuro próximo. Com este número em mãos o Sr. Canseira irá determinar qual o patrimônio necessário para atingir a IF considerando uma TSR de 4%:
- Gasto mensal médio do Sr. Canseira e sua família: R$ 12.000,00
- Gasto anual: 12 x R$ 12.000,00 = R$ 144.000,00

O Sr. Canseira precisa juntar um patrimônio tal que 4% dele seja correspondente aos seus gastos anuais. Basicamente precisamos multiplicar o gasto anual por 25 (se a TSR for diferente de 4% o cálculo é diferente, basta fazer uma regra de três).

25 x R$ 144.000,00 = R$ 3.600.000,00

O patrimônio necessário para o Sr. Canseira ser independente financeiramente é de 3 milhões e 600 mil reais, uma vez atingido este número basta deixar os investimentos trabalharem por si e viver a vida da forma como preferir, mas sempre com cautela e verificando as variações do patrimônio (na real não é tão simples assim).


E quanto tempo leva ?

Bom, é aí que a parte da vida simples e da poupança entra. Como vimos aí em cima, quanto menor seu gasto menos patrimônio você precisará acumular, além disso, quanto menos você gasta mais você poupa e investe, por isso poupar tem um efeito duplo: te faz investir mais e acumular mais dinheiro ao mesmo tempo em que faz com que seus gastos sejam menores e precise acumular menos. É claro que tudo dentro do bom senso. Quem define como tem que viver é você, porque é só você que pode correr atrás e alcançar o objetivo da IF. Se você consegue viver com R$ 2.000,00 e ser feliz, meus parabéns! Se precisa de R$ 15.000,00 tudo bem também, talvez o caminho seja um pouco mais longo, mas é você quem vai percorrê-lo, não cabe a ninguém julgar.

Na realidade o mais importante não é o quanto você poupa por mês em termos absolutos, mas sim o quanto você poupa com relação aos seus gastos

Por exemplo: O Sr. Canseira recebe R$ 5.000 e consegue viver com R$ 2.000. Ele investe os R$ 3.000 restantes todos os meses em renda fixa e renda variável. Já o Sr. Zé Com Sono recebe R$ 50.000 por mês e gasta R$ 40.000, o Sr. Zé Com Sono também investe os R$ 10.000 restantes. Qual dos dois você acha que aposentará antes (sem depender do governo) mantendo os mesmos gastos ao longo do tempo ?

Se respondeu o Sr. Canseira você acertou. Apesar de seus investimentos serem bem menores do que os do Sr. Zé Com Sono, o Sr. Canseira poupa e investe todo mês uma quantia 1,5x maior que seu gasto mensal, já o Sr. Zé Com Sono investe todo mês apenas 0,25x o seu gasto mensal. O tempo que o Sr. Canseira levará para chegar no patrimônio necessário para aposentadoria será muito mais curto.

O tempo que levará para você se aposentar dependerá dos seguintes fatores listados em ordem de importância:
1. A relação entre o quanto você poupa e o quanto você gasta
2. A TSR definida por você na aposentadoria (quanto menor, mais será preciso acumular e mais seguro você estará)
3. A rentabilidade dos seus investimentos

A título de exemplo
1. Sr. Canseira ganha R$ 100.000,00 por ano e economiza 50% do que ganha, ele poderá se aposentar com uma TSR de 4% em 16,3 anos com uma rentabilidade anual média de 5% nos investimentos (desde que essa pessoa mantenha o mesmo padrão de vida ao se aposentar).

2. Sr. Zé com sono ganha R$ 300.000,00 por ano e economiza 10% do salário anual, ele poderá se aposentar com uma TSR de 4% em 34 anos mesmo mantendo uma rentabilidade média de 9% ao ano (desde que mantenha o mesmo padrão de vida).

Como o post já está longo demais não entrarei com profundidade na matemática por trás dos cálculos acima, mas quem quiser ir mais a fundo pode encontrar neste link uma planilha com mais detalhes. 

FIRE Jovem

FIRE Jovem - Carteira de ativos

18 de janeiro de 2020

Olá, senhoras e senhores


Hoje o FIRE Jovem irá apresentar a carteira atual de ativos (janeiro de 2020) para independência financeira e um breve resumo dos meus investimentos em 2019.


Carteira para independência financeira no brasil - movimento FIRE - FIRE Jovem
Carteira para independência financeira - FIRE Jovem 
Bom, comecemos com uma breve história dos meus investimentos: em janeiro de 2019 comecei meu primeiro emprego como  estagiário na indústria química. O salário é de aproximadamente R$ 2.000,00 e meus gastos mensais diretos são de cerca de R$ 500,00 em média (sim, moro com meus pais). Por isso os aportes mensais calculados no plano para independência financeira foram de R$ 1.500,00. Em 2019 a rentabilidade projetada foi de 0% por dois motivos: 
- Motivação: começar a jornada batendo as primeiras metas com mais facilidade.
- Focar em poupar dinheiro e aportar mais desde o primeiro ano, uma vez que a rentabilidade é secundária, especialmente com patrimônio baixo.

Desde o início já sabia que iria investir toda a grana que eu conseguisse acumular, assim, nos primeiros 8 meses do ano me dediquei à criação da minha reserva de emergência que foi alocada em Tesouro SELIC. Neste meio tempo estudei muito sobre investimentos, particularmente sobre ações, consumi todo material que encontrei na internet: blogs, livros, vídeos e fóruns. Assim, findados os 8 meses de construção da reserva eu estava pronto para começar os aportes em ativos de renda variável.

Entre agosto e dezembro de 2019 investi unicamente em renda variável (ações e FIIs) e deixei uma pequena parte reservada como Caixa (vide os 7 Princípios) em uma conta de banco digital com rendimento próximo da SELIC. Atualmente minha carteira conta com 7 ações e 2 FII. 

Como explicitei no post de alocação-alvo de ativos, pretendo que minha carteira esteja 69% alocada em ações e 15% alocada em FIIs. Ainda não defini o número total de ações e FII, mas imagino algo entre 15-20 ações e cerca de 10 FII para diluir o risco não-sistêmico e reduzir a influência de um único ativo sobre a carteira. Neste momento a alocação real dos meus ativos está da seguinte forma:

Alocação de ativos 2019 - FIRE jovem - movimento FIRE Brasil
Alocação de ativos 2019 - FIRE Jovem 
Lembrando que a alocação alvo é: 69% ações, 15% FII, 15% Caixa e 1% Cripto/Capital de risco. A alocação alta em cripto se deve por dois motivos: o primeiro é que o patrimônio total é irrisório para uma alocação de 1% em qualquer coisa, além disso, antes de iniciar minha jornada para independência financeira eu já havia comprado Bitcoins (em janeiro de 2018) e eles estão aí representando uma parte considerável da minha carteira. Nos próximos aportes pretendo reequilibrar as porcentagens de Fundos Imobiliários e de Caixa.

Agora vamos aos resultados de 2019:

1. Excluindo Reserva de emergência e Caixa:
- Capital investido: R$ 10.628,75 
- Montante Final: R$ 11.826,49 
- Rentabilidade: 11,27%
- Rentabilidade ações: 14,11% (desde agosto)
- Rentabilidade FII: 21,78%

2. Incluindo Reserva de emergência e Caixa*:
- Capital investido: R$ 20.677,12 
- Montante final: 22.276,49  
- Rendimento: 7,73 % 
- Patrimônio em Caixa: R$ 1.067,00

- Patrimônio planejado (2019): R$ 18.000
- Patrimônio Total: R$ 23.343,49
- % da Meta: 130%

*A princípio inclui a reserva de emergência como Patrimônio, sei que não é o ideal e provavelmente mudarei isso no meu planejamento.
** Optei por colocar o Caixa separado pois não consegui rastrear a rentabilidade dele em 2019 por ser uma conta digital. Em 2020 vou usá-lo apenas como investimento e passarei a contabilizar a rentabilidade.

No fim das contas consegui bater minha meta financeira para 2019 em 30% graças ao bull market das ações e FII, à projeção de rentabilidade 0% para o ano e também pela capacidade de poupar que excedeu o esperado. Que venha 2020 e que as metas continuem sendo batidas.

Boa sorte á todos nós em 2020!

FIRE Jovem

FIRE Jovem - Alocação de ativos

17 de janeiro de 2020

Olá, senhoras e senhores

Hoje o FIRE Jovem irá abordar a estratégia de investimentos para atingir a independência financeira no Brasil, especificamente quanto à alocação alvo dos ativos, seguindo a linha do plano para independência financeira e os 7 princípios do FIRE Jovem.

Estratégia para independência financeira - FIRE Jovem - movimento FIRE Brasil
Estratégia para Independência Financeira - FIRE Jovem
Nunca é demais falar: antes de começar investir e aumentar patrimônio construí uma reserva de emergência, que corresponde à aproximadamente 6 meses dos meus gastos, alocada em Tesouro SELIC para eventuais necessidades.

De forma geral divido meus investimentos em três grandes categorias que por sua vez são divididas em categorias menores, são elas:

1. Caixa / Renda Fixa: Inclui Tesouro Direto, CDB, outros tipos de renda fixa (exceto debêntures) e o Caixa, este último alocado em investimentos de renda fixa com liquidez maior, como Tesouro SELIC ou contas de bancos digitais que rendem aproximadamente a SELIC, para aproveitar as oportunidades do mercado (6º Princípio).

2. Renda Variável: inclui os investimentos em boas ações brasileiras (ITSA, WEGE, FLRY), bons fundos imobiliários (KNRI, HGLG, ALZR) e no futuro pretendo incluir ações americanas e REITS para aumentar a diversificação (2º e 3º Princípios).

3. Capital alocado a risco*: separo uma pequena parte do meu patrimônio para investimentos especulativos ou incertos, sem bases fundamentalistas sólidas e que não necessariamente são para o curto prazo. Exemplos: Bitcoin, compra de opções, eventuais position trades ou até mesmo day trades. Via de regra não me envolvo com trades, mas podem surgir oportunidades óbvias para fazê-lo, ainda mais no contexto brasileiro, cheio de escândalos, quedas bruscas e recuperações rápidas. 
Para os trades é essencial ter em mente o 1º Princípio: "As pessoas são sempre mais importantes que os investimentos, por isso só investirei meu dinheiro em ativos que não confrontam meus princípios morais."

*Atualmente a única classe desta categoria em que invisto são as criptomoedas, mais especificamente o Bitcoin, por isso nos gráficos esta categoria será apresentada como 'cripto'.

Percebam que há uma diferença enorme entre 'renda variável' e 'capital alocado a risco'. No primeiro caso invisto em ações e FII baseado em princípios fundamentalistas, que tendem a balizar a valorização dos investimentos no longo prazo, além disso é possível diversificar de maneira eficiente para diminuir o risco (como prega o 4º Princípio), já no 'capital alocado a risco' são investimentos especulativos e incertos, sem embasamento histórico robusto para escolhê-los . 

Cada uma das três macro-categorias tem uma alocação alvo bem definida na minha carteira, sendo esta:

  • Renda Variável: 84%  
  • Renda Fixa/Caixa: 15%
  • Capital alocado a risco: 1%

O gráfico a seguir apresenta a alocação-alvo dos ativos dividida de acordo com a classe dos ativos:

Alocação alvo de ativos - estratégia para independência financeira - FIRE Jovem - FIRE Brasil
Alocação alvo de ativos - carteira para independência financeira - JOVEM FIRE (Janeiro 2020)

Como ainda estou no início da jornada, optei por uma exposição maior à renda variável (85% do patrimônio), conforme os anos passarem e o caminho para independência financeira se aproximar eu provavelmente irei diminuir a exposição à renda variável e aumentar os investimentos em renda fixa/caixa, além disso pretendo aumentar a fração dos FII na carteira, visando obter uma renda passiva mensal sem a necessidade de vender patrimônio.


O Gustavo Cerbasi, por exemplo, indicava a regra dos 80 para definir a alocação de investimentos em renda variável, segundo ela o percentual a ser alocado em renda variável é obtido subtraindo sua idade de 80*. No entanto no contexto atual do Brasil com a SELIC na casa dos 5,0% e os investimentos em renda fixa pouco atrativos é interessante aumentar ainda mais a exposição absoluta à renda variável e seguir a tendência de diminuir conforme os anos passam.
*Exemplo: tenho 23 anos, logo minha alocação em renda variável deveria ser de: 80 - 23 = 57%
** Não sei dizer qual é a indicação atual do Cerbasi quanto à alocação de ativos, me lembrei desta regra e a coloquei aqui, pode ser que de fato ele já tenha dado outros conselhos com a mudança de cenário.

Com a alocação-alvo bem definida fica simples definir em qual categoria de ativos irei realizar meu aporte mensal, basta comparar a alocação real da carteira com a alocação-alvo e colocar a grana na classe que está mais atrás do alvo

Irei redefinir a macro-alocação sempre que achar necessário. Como em breve irei iniciar os investimentos em Stocks e REITs é provável que as porcentagens se alterem um pouco.

FIRE Jovem





FIRE Jovem - Princípios

14 de janeiro de 2020

Olá, senhoras e senhores

Nos últimos posts fiz a apresentação do FIRE Jovem e depois expliquei meu plano para independência financeira visando atingi-la antes dos 40 anos, atualmente a linha de chegada está em 2035 aos 39 anos. No post de hoje irei explicar os princípios por trás das minhas escolhas de investimentos.

Livro dos princípios do FIRE Jovem - movimento FIRE Brasil
Livro dos Princípios rumo à Independência Financeira do FIRE Jovem


A seguir irei listar os 7 princípios que balizam meu comportamento e minhas atitudes como investidor, abaixo dos princípios irei incluir ao menos uma consequência prática nos meus investimentos e na jornada até a independência financeira.

1º Princípio

As pessoas são sempre mais importantes que os investimentos, por isso só investirei meu dinheiro em ativos que não confrontam meus princípios morais.

  • Consequência prática: não invisto ou investirei meu dinheiro em empresas que causam danos à sociedade por sua ganância. Exemplos: Vale do Rio Doce e Souza Cruz (fabricante de cigarros)*.
*Essas são opiniões minhas e é a minha maneira de ver os investimentos, cada um é livre para fazer o que quiser desde que esteja em paz com isso. Uma empresa que vai contra meus valores pode não ir contra os de outra pessoa, da mesma forma que empresas que podem ir contra os valores de alguém não necessariamente vão contra os meus.

2º Princípio

Investimentos são para o longo prazo.
  • Consequência prática 1: sou e serei extremamente cauteloso ao sair de um investimento, só sairei quando o ativo passar a ir contra um dos princípios listados aqui. Como diria o Bastter: "patrimônio não se gira".
  • Consequência prática 2: via de regra evitarei fazer day trade ou position trade.

3º Princípio:

O valor intrínseco dos ativos segue princípios fundamentalistas no longo prazo. No curto prazo qualquer variável pode afetar a cotação e eu não me importarei com elas (ou pelo menos tentarei muito não me importar).
  • Consequência prática 1: notícias, quedas bruscas sem explicação ou crises financeiras não serão motivos para sair de um investimento.
  • Consequência prática 2: os ativos em que investirei serão escolhidos a partir de critérios fundamentalistas, tais como: lucro, dívida, diversificação do negócio e relação risco x retorno.

4º Princípio:

A diversificação consciente é a melhor alternativa para redução do risco dos investimentos.
  • Consequência prática: diversificar o portfólio em classes diferentes de ativos, diversificar dentro de cada classe em diferentes setores/tipos, investimentos em ações americanas e REITS no futuro.

5º Princípio:

O fator mais importante para aumento de patrimônio é o aporte de dinheiro, a rentabilidade é secundária.
  • Consequência prática 1: pagar-me antes de qualquer gasto e destinar imediatamente o montante salvo aos investimentos.
  • Consequência prática 2: não deixar os investimentos tomarem parte do meu tempo maior que o necessário (algumas horas por mês), o foco deve ser no que me gera renda para fazer os aportes.
  • Consequência prática 3: vida frugal e sem excessos, evito ao máximo o consumismo.

6º Princípio:

Possuir dinheiro em caixa para aproveitar as promoções do mercado.
  • Consequência prática: uma parte da minha carteira fica alocada em ativos de renda-fixa de alta liquidez para aproveitar quando os bons ativos estiverem 'baratos'.

7º Princípio: 

Os ativos devem ser rebalanceados periodicamente de forma a atingir a alocação-alvo da carteira. Via de regra o rebalanceamento será feito por meio da compra da classe/ativo que está mais atrás.
  • Consequência prática: os aportes mensais serão feitos na classe de ativo que está mais distante da alocação-alvo, evitando vender ativos valorizados e focando na compra dos ativos desvalorizados.

Cada um desses princípios merece um post inteiro por si só, há muito que aprofundar em cada um deles, não me aprofundei na matemática ou em exemplos por trás de cada um porque o post ficaria longo demais, talvez no futuro eu faça uma série sobre cada um dos princípios.

Nos próximos posts irei abordar qual é a minha alocação-alvo, quais são os ativos em que invisto e como estou com relação ao plano para a independência financeira.

FIRE Jovem

FIRE Jovem - O Plano

13 de janeiro de 2020

Saudações, queridos

Hoje irei apresentar-lhes o planejamento do FIRE Jovem para atingir a independência financeira antes dos 40 anos.



- Objetivo: Renda passiva de R$ 120.000,00/ano

- Patrimônio alvo: R$ 3.000.000,00
  • Calculado considerando uma rentabilidade de 4% acima do IPCA ao ano a partir do ano da Independência Financeira
  • 4% de R$ 3 milhões = R$ 120.000,00/ano ou R$ 10.000,00/mês

- Pretende seguir a TSR* de 4% ? 
Não, minha ideia original é manter o patrimônio principal e viver com os rendimentos provenientes deste, ou seja, não pretendo realizar retiradas do patrimônio, apenas da renda passiva proveniente dele tal qual o Sr. IF 365.

* TSR = Taxa Segura de Retirada do seu patrimônio para garantir que ele durará até o fim da sua vida. A TSR mais comum é de 4%, calculada a partir de dados históricos do mercado de ações e títulos públicos dos EUA. Para quem quiser se aprofundar mais no assunto, pode ler o texto do AA40 aqui ou Mr. Money Mustache (em inglês) aqui.

Como sabem ainda sou novo e não tenho ideia de como será minha vida nos anos futuros, mas baseado nos gastos mensais da minha família e de pessoas conhecidas creio que R$ 10.000,00 seja uma estimativa conservadora considerando meu estilo de vida, minhas aspirações com relação à família e a divisão de gastos. De forma bem genérica: pretendo ter ao menos um filho, pretendo dividir os gastos com minha companheira (os R$ 10.000,00/mês são referentes à minha parte) e levo uma vida relativamente frugal.

No meu planejamento inicial estimei que atingiria a Independência Financeira aos 39 anos em 2035, tendo a caminhada se iniciado no ano de 2019, o que totalizaria 16 anos de batalha.

Como já disse na apresentação, este ano estou me formando  em engenharia química, assim, elaborei uma planilha de expectativa de patrimônio anual baseado em dois fatores que serão explicitados a seguir, por hora deem uma boa avaliada no planejamento, peço que comentem o que acham quanto à viabilidade/loucura dele.


plano de independência financeira do FIRE Jovem - movimento FIRE Brasil
Plano de independência financeira do FIRE Jovem
- Considerações:

Aportes Mensais: baseado nas seguintes hipóteses.
- Salário esperado - considerando a carreira engenheiro químico e a experiência ao longo dos anos.
- Capacidade de poupar - eu calculo que girará em torno de 50-60% dos meus rendimentos.
- Exemplo: em um ano que meus aportes somam R$ 60.000,00, minha expectativa é de investir R$ 5.000,00 por mês, portanto espero estar recebendo cerca de R$ 10.000,00/mês do meu trabalho.

Rentabilidade: minha rentabilidade faz um curva crescente com o passar dos anos, isso porque espero que, com a experiência, eu passe a investir melhor meu dinheiro e obtenha ganhos mais expressivos, além disso, deixá-la menor inicialmente é uma motivação para atingir as metas do começo e manter-me focado no plano.

1. Percebam que no ano de 2019 a rentabilidade esperada foi de 0%, foi um presente que dei a mim mesmo para começar o planejamento na frente.

2. Percebam também que nos últimos 6 anos espero obter uma rentabilidade de 14% sobre o patrimônio do ano anterior sem considerar os aportes mensais, o que seria extremamente difícil. 

3. Os rendimentos esperados não são acima do IPCA, ou seja, são os rendimentos nominais por ano. Preferi fazer dessa maneira devido à imprevisibilidade da economia brasileira, assim, minha ideia é realizar revisões do planejamento à cada 5 anos para ajustar o poder de compra de acordo com a inflação se necessário, isso porque a estimativa de R$ 10.000,00/mês é conservadora e me permite dar essa lambuja, mas sempre revisando as metas de patrimônio se necessário.

Fator coringa: na planilha há um fator que não é levado em consideração: os dividendos. Como pretendo investir em ações e fundos imobiliários é de se esperar que os dividendos caiam na conta e sejam gradativamente maiores com o passar dos anos, de forma que eles funcionarão como um 'tapa buraco' no meu planejamento para que eu atinja o patrimônio final esperado naquele. Explico: ao calcular meu aporte mensal por ano não levei em consideração os dividendos que estaria recebendo, apenas o meu salário, da mesma forma que não os inclui no cálculo da rentabilidade anual, assim, como irei reinvesti-los de qualquer forma, os dividendos funcionarão como um coringa para cobrir anos de baixa rentabilidade e/ou anos em que o aporte não foi alto como gostaria.

Exemplo prático:

- Ano: 2027
- Rendimento esperado: 12% (sobre o patrimônio de 2026)
- Aporte mensal esperado: R$ 6.250,00 
- Patrimônio de 2016: R$ 397.000,00 (supondo que segui à risca o plano até esse ano)
- Patrimônio projetado ao fim de 2027: R$ 520.000,00
- Agora suponhamos que o ano não foi tão bom e tive uma rentabilidade de 9% sobre o patrimônio de 2016 e consegui realizar os aportes de R$ 6.250,00, neste caso o patrimônio final esperado seria de:
(1 + 7%) x R$ 397.000,00 + 12 x R$ 6.250,00 = R$ 508.160,00 (abaixo do planejado)
No entanto não estamos levando em conta os dividendos provenientes do patrimônio acumulado em 2026, assim, se estimarmos dividendos de 3% sobre o patrimônio total em 2026:
- Patrimônio ao fim de 2027: R$ 508.160,00 + 3% x R$ 397.000,00 = R$ 520.082,57 (dentro do planejado!)

É claro que os dividendos não farão milagre, em anos de crise ou quedas fortes eles não suprirão as perdas e eu provavelmente ficarei abaixo da meta estipulada, é por esse motivo que o plano será revisto sempre que possível, na realidade faço revisões mensais do planejamento.

Há outro ponto importante desconsiderado: a planilha não considera os rendimentos dos investimentos realizados no ano em questão, assim, os aportes feitos em 2027 não são multiplicados pela rentabilidade do ano para determinar o patrimônio final, isso é outro fator que pode ser favorável (ou não) em anos de alta rentabilidade (ou não, no caso de prejuízos).

Na prática eu espero obter uma rentabilidade média de 11,47% ao ano ou 0,91% ao mês, o que seria facilmente alcançável na renda fixa há alguns anos. Sei que hoje estes números são bem mais difíceis de serem alcançados, mas com uma boa estratégia de investimentos e um pouco de sorte creio que seja possível. O gráfico abaixo mostra a tendência de crescimento do capital investido e do patrimônio.

É isso, nos próximos posts irei explicar meus Princípios para investir, qual é a minha situação financeira e minha atual carteira. Fiquem á vontade para comentar, dar pitaco ou desejar boa sorte nessa longa caminhada.

FIRE Jovem


FIRE Jovem - Escolhendo qual ação comprar

Olá, senhoras e senhores Hoje irei mostrar para vocês o processo que uso para definir meus próximos aportes.   Comecemos do começo: ...

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