FIRE Jovem - Agosto 2020: R$ 38.656,28 (-0,38%)

31 de agosto de 2020

 Bom dia, boa tarde, boa noite, senhoras e senhores, como nasci de sete meses já vou aproveitando essa segunda-feira pra fazer o fechamento de agosto antes mesmo do mês terminar. Como que vai a vida de vocês ? Tudo na paz? 


No mês passado deixei a seguinte pergunta: o que é branco por dentro, marrom por fora e sangra? Como ninguém se candidatou a responder, vou deixar a pergunta por aqui mais um mês aguardando por algum sábio.


Nos investimentos o mês de agosto foi bem agosto mesmo: meio merda. Aquele mês sem graça, depois das férias do meio do ano, sem um tempinho pra descansar, não sabe se é frio ou se é quente... Com os investimentos foi a mesma coisa: ameaçava dar uma subidinha e logo descia, no fim das contas ficou praticamente no zero a zero com uma leve queda (-0,38%), foi o primeiro retorno negativo desde o fatídico mês de março quando a pancada veio forte.


A rentabilidade dos ativos por classe foi a seguinte no mês de agosto (em parênteses o mês de julho):


Ações: -1,28% (+7,38%)
FII:  + 3,50% (-4,63%)
Fundo Ouro: + 6,36% (+5,23%)
Tesouro SELIC: 0,17% (+0,19%)
Cripto: +8,82% (+18,13%)

Basicamente tudo subiu com exceção das ações, mas como as bonitas representam 50% da minha carteira o peso da queda é maior. A seguir os principais resultados em 31/08/2020:


Patrimônio Total: R$ 38.656,28 (R$ 36.721,23)
Variação Patrimonial: +5,27% (+5,30%)
Rentabilidade no mês: -0,38% (3,72%)
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): 13,91% (calculada por regime de cotização)

Bati a meta de patrimônio do ano EASEDAAEHFS\XJ%7WYEconfetejahsuSUDHScoloridoS!! Além disso estou bem próximo da marca dos 40k. Esse mês o ganho de patrimônio veio praticamente todo dos aportes, visto que a rentabilidade foi praticamente nula, além disso fiz a primeira venda de ação desde no início da carteira: com o aumento forte da WEGE3 nos últimos meses ela passou a ocupar uma fatia desproporcionalmente grande da minha carteira, o que me fez sentir um pouco desconfortável com o risco a alta exposição, por isso vendi um terço da minha posição a R$ 68,00 'embolsando' quase 200% de alta. Usei o dinheiro da venda para comprar outras ações que julguei mais baratas: ITSA3, ODPV3 e MYPK3. A relação patrimônio real x planejado está da seguinte forma:


As curvas seguem do jeitinho que eu gosto: laranja em cima da azul, espero que a tendência se mantenha para os próximos 67 anos. Como podem ver a meta de patrimônio para o ano foi batida e se não tivermos uma forte pancada pra baixo nos próximos meses a meta tem tudo pra continuar batida. Nesse momento minha maior preocupação é o próximo ano: estou finalizando a faculdade (e com ela o estágio) e corro algum risco de ficar sem emprego no início de 2021, especialmente nesse contexto de crise e alta concorrência por emprego... Minha consciência tá tranquila pois a minha parte eu tô fazendo.

Alocação dos ativos em agosto de 2020:


Este mês fiz aporte em FIIs (HGRE e VRTA), bem como em Caixa, com isso a carteira atingiu uma alocação equilibrada próximo da minha alocação-alvo. Meu plano é aumentar um pouco a exposição em ações comprando ações no exterior a partir do ano que vem. Além dos resultados mencionados acima temos o aporte real e a renda passiva do mês:

Aportes reais: R$ 2.062,94 (R$ 532,86)
Renda passiva: R$ 61,17 (R$ 35,82)
Renda passiva em 2020: R$ 242,00

Para além da vida financeira: no finalzinho de agosto iniciei uma dieta para correr atrás do prejuízo e alcançar a meta de 70 kg até o fim ano, no momento estou com 75 kg e bastante motivado para chegar aos 70 kg, estou fazendo uma dieta restrita em carboidratos em conjunto com jejum intermitente. Eu já fiz essa dieta antes e deu bons resultados, o desafio maior é mantê-la por mais de 1 mês, é muito difícil. Mas acredito que com mais duas semanas de dieta devo alcançar meu objetivo. 

Além da dieta passei um bom tempo com a namorada, em agosto venho me sentindo particularmente desmotivado e improdutivo, provavelmente estou na parte baixa do meu ciclo de produtividade, sinto que tem alguns fatores que eu não controlo que afetam minha produtividade (e pra ser honesto não sei muito bem quais são eles). Tive um tempinho para fazer um curso sobre liderança e aproveitei para me conhecer melhor com esse curso, fiz muitos testes de personalidade para descobrir pontos fortes e fracos, perfil de liderança, tolerância a ambiguidade, criatividade (não sou nada criativo). Nos próximos meses irei aplicar para vários processos de trainee ou cargos de engenheiro recém-formado, torçam por mim!

Aprendizados do mês:

- Sou pouco aberto a experiências e aventuras, gosto bastante da rotina.
- Não sou nada criativo/imaginativo.
- Nós escolhemos nos incomodar com as coisas, não são as coisas que nos incomodam.
- Minha tolerância para ficar sem jogar futebol é de seis meses: não tô aguentando mais.
- Falta de honestidade e ganância custam caro, especialmente para empresas.
- Tenha como foco o bem-estar dos seus clientes e funcionários.
- Tudo que segue regras claras e bem definidas eventualmente será transformado em um algoritmo.
- Ser um bom profissional é diferente de ser um bom ser humano, opte pelo segundo.
- Não consigo parar de ver vídeos semi-inúteis no YouTube.


FIRE Jovem - Julho 2020: R$ 36.721,23 (+ 3,72%)

5 de agosto de 2020

Faaaala, senhoras e senhores, como está a vida, os investimentos, a família? Espero que tudo certo com vocês, seguimos todos nessa luta incessante chamada (vida) corrida dos ratos, um mês a mais, um mês a menos, é isso aí, como diria o saudoso Gonzaguinha: 'Vamos a luta'.

Deixo aqui a pergunta do mês: o que é marrom por fora, branco por dentro e sangra ?

Política: Se não fosse pelos 100 mil mortos pelo Covid, o dólar em R$ 5,20, o fato de não termos ministro da saúde, destruição da Amazônia, desmantelamento dos mecanismos de combate à corrupção e as propostas de reforma tributária que (pelo que foi apresentado até hoje) irá nos ferrar, eu diria que as coisas por aqui vão bem, pelo menos o presidente está de boca calada.

Já nos investimentos não dá pra reclamar do mês de julho, Bovespa subiu com força empurrando pra cima a rentabilidade da carteira e me deixando muuito próximo da meta de patrimônio para o ano de 2020, espero que vocês tenham se beneficiado dessa alta também. Como ninguém tá aqui pra me ouvir reclamar do governo vamos falar do que interessa:


Brincadeira, vamos falar de dinheiro: o mês foi bom me deixando perto da meta para o ano de 2020, a linda WEGE não para de subir e já tá dando coceira pra vender um pouquinho, até porque a empresa já representa 10% do meu patrimônio, nada bom. Seguem as variações mensais por classe de ativos, lembrando que entre parênteses estão os resultados do mês de junho.

Ações: +7,38% (+ 6,55%)
FII: -4,63% (+1,64%)
Fundo Ouro: +5,23% (+ 3,36%)
Tesouro SELIC: +0,19% (+0,23%) (que bela merda)

Mas beleza, agora o que vocês querem ver mesmo:

Patrimônio Total: R$ 36.721,23 (R$ 34.873,11)
Variação Patrimonial: +5,30% (+7,86%)
Rentabilidade no mês: +3,72% (+3,51%)
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): 6,4%

Novamente tive uma rentabilidade maravilhosa na carteira neste mês puxada principalmente pelas ações. A rentabilidade superou a do mês anterior, sendo a terceira melhor da série histórica (começando em agosto de 2019). Apesar da ótima rentabilidade a variação patrimonial foi menor porque ainda não aportei neste mês, com isso veremos os efeitos do ganho de patrimônio no mês que vem. Com isso a curva de patrimônio continua do jeito que a gente gosta: a laranja em cima da azul! É só isso que a gente quer ver no fim das contas.

Patrimônio planejado x real - FIRE Jovem - Julho 2020

Essa reta laranja apontando pra cima dá até gosto de ver, parece a WEGE na bolsa, se continuar assim por mais 10 anos eu fico independente rapidinho (kaka). Com a bela rentabilidade de julho estamos roçando a meta para o fim do ano de R$ 37.722, se levar em conta que tenho R$ 1000,00 para aportar que só falta sair da conta essa meta já foi batida! AEEUASEUAUEEUUAUAPORRAEAOE. Caso queira acompanhar as metas para o ano você pode achá-las em alguma parte deste texto. 
     
Aportes: esse ano os aportes foram pequenos por uma questão de data (salário cai no último dia útil), no entanto fiz algumas compras ao longo do mês nas seguintes ações: MYPK3, FLRY3 e ENBR3.

Aporte real: R$ 532,06 (R$ 1,459,60 em junho)

Resultando na seguinte alocação dos ativos:


Assim a carteira fica com próxima da distribuição 60/40 (Renda variável/Renda fixa), o que é mais ou menos o meu objetivo. Os próximos aportes devem ser direcionados para Caixa ou FIIs, também considero realizar a venda de WEGE que está com uma fatia muito grande do carteira, o dinheiro da venda será aportado em outras ações.

Outros resultados:
Renda Passiva: R$ 35,82 também conhecido como: combo do bigmac com top sundae.
Renda Passiva 2020: R$ 180,83

No trabalho as coisas vão indo relativamente bem, estou trabalhando em alguns projetos importantes que estão trazendo grandes aprendizados, além de poder ajudar na empresa. Os próximos meses de 2020 serão críticos para minha vida profissional, uma vez que irei me formar no fim do ano, terei de sair do estágio e passarei a lutar por um emprego (se alguém quiser contratar um engenheiro químico qualificado, chama nois!). Ademais: sigo seguro e bem em casa apesar da pandemia, já fiz 4 testes de COVID (todos negativos), tenho tentado usar meu tempo livre para aprender coisas novas, fazer cursos e ler livros.

Aprendizados do mês:

- Uma boa taça de vinho no fim do dia deixa as coisas mais leves.
- Você só vira um líder verdadeiro quando se enxerga como um.
- Trabalhador terceirizado só se fode.
- Conhecimento não vale de nada se não for aplicado, curso não ensina, o que ensina é praticar.
- Sempre parta do princípio de que uma pessoa que faz o mesmo trabalho há muito tempo sabe infinitamente mais do que você.
- Honestidade e integridade são duas das melhores características que alguém pode ter.
- Se você quer seu enterro cheio de gente, ajude as pessoas.

Vídeo do mês: https://www.youtube.com/watch?v=uAy6EawKKME (assistam, vale a pena).

FIRE Jovem - Junho 2020: R$ 34.873,11 (+ 3,51%)

1 de julho de 2020

Salve, salve! senhoras e senhores

Com a alta da bolsa brasileira no mês de junho as carteiras da Finansfera devem apresentar um sinalzinho de '+' nos títulos dos posts de fechamento. Comigo não foi diferente, impulsionado principalmente pela fatia de ações da carteira tive um bom mês no aspecto de rentabilidade. No mais, nosso Brasilzão vai se afundando cada vez mais nas crises sanitária, política e, em breve, econômica, os pássaros voam, os vermes rastejam e o gado posta, nada de novo sob o sol.

No mês de junho dei uma leve roçada nos 35k, em julho devemos bater essa mini-meta. As ações deram uma bela subida e as demais classes de ativos também deram uma ajudada:

Ações: + 6,55%
FII: +1,64%
Ouro: + 3,36%
Tesouro SELIC: +0,23% (que bela merda)

Seguem os principais resultados do mês (entre parênteses o mês de maio):

Patrimônio Total: R$ 34.873,11 (R$ 32.332,58)  
Variação Patrimonial: +7,86% (+9,63%) 
Rentabilidade no mês: +3,51% (+2,53%) 
Rentabilidade Acumulada 2020: -3,49%
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): + 2,98%

O mês foi excelente para a carteira, foi a terceira maior alta mensal desde o início da carteira, além disso o aumento patrimonial foi relevante mesmo o aporte sendo um pouco menor. Destaco também que a rentabilidade histórica voltou pro verde, vamos seguir com os pés no chão e ir pra cima!

Felizmente a curva de patrimônio real continua olhando de cima a curva de patrimônio planejado. O patrimônio de hoje supera o patrimônio planejado para o mês de outubro de 2020, então ainda tenho uma gordurinha para uma eventual pancada da bolsa. 

FIRE Jovem - Patrimônio - Jun 2020

Se o tal do Mercado for gente fina e o aporte robusto posso bater a meta de patrimônio para o ano ainda em julho (dá uma olhada como estão indo minhas metas) que seria de R$ 37,7k. Mas acredito que seja bastante improvável.

Aportes: mês fraco nos aportes, estou salvando uma parte da grana pra minha conta normal de fluxo de caixa. Não me animei a colocar a grana em ações ou FIIs (inclusive perdi a subscrição de VRTA11 por pura preguiça).

Aporte real: R$ 1,459,60 (R$ 1.974,09 em maio)

Além disso tive uns gastos um pouquinho maiores esse mês com dia dos namorados, pequenas doações, etc... Com isso a carteira do FIRE Jovem em junho está com a seguinte composição:

Alocação FIRE Jovem - Junho 2020

A fatia em renda fixa vai reduzindo e aos poucos a carteira vai se aproximando da alocação ideal que eu planejo para ela (algo como 60% em ações, 10% FII, 25% RF e 5% gold+bitcoin). Ano que vem a meta é colocar uma graninha lá fora para diversificar mais o portfolio.

Outros resultados:
Renda Passiva: R$ 14.51 também conhecido como: me vê o lanche do dia e uma casquinha, por favor.
Renda Passiva 2020: R$ 145,01

No trabalho as perspectivas de efetivação ainda estão nebulosas, ela pode acontecer, mas pode ser que não seja na área que desejo... Neste segundo semestre virão alguns processos de seleção para Trainee e tal. O mês de junho foi muito bom para correr atrás do prejuízo nas leituras, creio que finalizei três ou quatro livros ao longo do mês e completei 10 antes do meio do ano, estou em dia para alcançar os 20 livros planejados no início do ano. Também venho cozinhando bastante com o home office, já estou craque em alguns preparos.

É isso, garela, fiquem na paz e fiquem seguros.

Aprendizados do mês: 

-  Os chatos são necessários para a sobrevivência do grupo.
- Filé mignon ao molho madeira com arroz à piamontese é bão demais e fácil de fazer.
- Se você é razoavelmente esforçado, inteligente e tem uma base boa dificilmente vai passar fome.
- Twitter é muito engraçado, mas é perda de tempo.
- Não deixe o mercado financeiro te tornar um filho da puta.
- Xadrez vicia.
- Ulisses (esperto) era mais temido que Ájax (Grande). 
- A mitologia grega tem uma influência absurda na maneira como pensamos, nas nossas histórias e crenças.
- Supérfluo se escreve assim.




FIRE Jovem - Maio 2020: R$ 32.332,58 (+ 2,53%)

30 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores

Bom, sobrevivemos ao temido mês de maio, aparentemente o 'sell in may and go away' não rolou por aqui, o índice Bovespa subiu com força na casa dos 10% e deu uma boa levantada nas carteiras tupiniquins. Ainda é cedo para qualquer tipo de positividade, o Brasil é o novo epicentro da crise sanitária mundial, a política por aqui continua desastrosa e ainda estamos no pico da epidemia de coronavírus... Boa sorte pra quem tenta prever o mercado, o meu negócio é o longo prazo.

No fim das contas o mês de maio se mostrou ótimo pra carteira, a rentabilidade superou os 2% e o aumento de patrimônio beirou 10%, outro ponto positivo é que a carteira está praticamente no zero a zero desde o meu início nos investimentos em meados de 2019. O melhor de tudo: rompemos a barreira dos 30k! Vamos pra cima porque os 40k estão logo ali!

Patrimônio Total: R$ 32.332,58 (R$ 29.493,78) 
Variação Patrimonial: +9,63% (+21,17%)
Rentabilidade no mês: +2,53% (+4,59%) 
Rentabilidade Acumulada 2020: -6,77%
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): -0,39%

Lembrando que os números entre parênteses são relativos ao mês de abril. Como já disse anteriormente, a carteira foi puxada pelo bom mês dos ativos em renda variável, em especial as ações (+ 4,7%). É interessante notar que a subida das minha ações não foi alta como a do BOVA11 neste mês, mas eu já colhi os benefícios dessa menor volatilidade nos períodos de queda, quando minha carteira de ações caiu menos que a bolsa. Com o efeito dos aportes e da boa rentabilidade continuo com o patrimônio acima do previsto.

FIRE Jovem - Patrimônio Maio 2020

O patrimônio de hoje corresponde ao patrimônio planejado para o mês de setembro, portanto tenho uma gordurinha de sobra nos próximos meses. Com um pouco de sorte e disciplina logo logo podemos bater a meta de 2020, BORA!!

Aportes: os aportes deste mês foram focados em ações e FIIs, dei uma queimada no caixa para comprar algumas ações que julguei interessantes para o momento. Neste mês inclui duas novas ações e um FII na carteira, também fiz aportes em algumas ações que já possuía na carteira, aqui vai a lista dos ativos em que aportei (novos ativos em destaque):

LEVE3; LREN3; PSSA3; VRTA11; BBAS3; MYPK3; 

Aporte Real: R$ 1.974,09

O aporte esteve em linha com a minha renda e os baixos gastos durante a quarentena, uma parte do caixa foi direcionada às ações porque não estava aguentando ver BBAS3 com P/L de 4. Com isso a distribuição dos ativos ficou assim:


Deixarei de incluir a alocação-alvo da carteira porque, pra ser sincero, ainda não a tenho bem definida na minha cabeça, já troquei o peso dos ativos algumas vezes e acho que preciso de um pouco mais de experiência e reflexão para defini-la. 

Outros resultados:
Renda Passiva: R$ 9,12
Renda Passiva 2020: R$ 130,50

Parece que os FII estão sofrendo um pouco nessa crise e deram uma reduzida no pagamentos dos aluguéis nos últimos dois meses. Nesse mês também teve um mini-dividendo de LREN3 caindo na carteira.

É isso, meu povo, espero que continuem acompanhando o blog e que curtam os posts. Para além da grana: o mês não foi dos melhores, me senti pouco produtivo no trabalho e no meu desenvolvimento pessoal, estou empacado nos cursos e lendo menos do que gostaria, apesar de ser bem caseiro a quarentena já tá enchendo um pouco o saco kaka.

FIRE Jovem

FIRE Jovem - Princípio 6: Dinheiro em Caixa

21 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores

Hoje vou explicar porque ter dinheiro em caixa faz sentido mim. Este post é baseado nos 7 princípios que uso para guiar os meus investimentos, e este é o princípio 6:

"Possuir dinheiro em caixa para aproveitar as promoções do mercado."

O tal do Caixa

Ou seja: quando mercado estiver barato com ações a preços descontados os retornos esperados para o futuro são maiores, o Caixa é uma forma de aproveitar estes momentos. Nesse cenário de 'promoção' pode ser muito interessante ter uma parte do patrimônio depositada em ativos de baixo risco e alta liquidez para comprar as ações, FIIs ou quaisquer ativos que estejam baratos.

1. Reserva de Oportunidade

Vou exemplificar a importância do Caixa (e da falta de paciência) em uma situação recente pela qual eu e muitos outros passamos: no sangrento mês de março, logo após o carnaval, a bolsa brasileira caiu com muita força seguindo a tendência das bolsas pelo mundo. A Bovespa saiu dos 107 mil pontos em 4 de março e bateu em 63 mil em 23 de março, uma queda rápida e brutal de mais de 40% em poucos dias. Sem dúvidas foi uma experiência ótima para aprendermos o que é uma pancada pra baixo. Foram 6 circuit breakers em poucas semanas.

O investidor pode olhar essa situação de algumas formas diferentes, variando do completo desespero a uma grande euforia pelos preços descontados. A realidade, como nos ensina a história, mora em algum ponto entre os extremos. Tomemos o meu exemplo: sou um investidor de longo prazo que busca escolher empresas de qualidade com boas perspectivas para o futuro, a minha visão durante estes tempos era a seguinte: cautela e aproveitamento das oportunidades de longo prazo. Ou seja: era óbvio que a queda das ações não era a toa, o mercado estava precificando a queda do lucro das empresas no curto-médio prazo (somado às péssimas condições políticas do Brasil, provavelmente) e por isso os preços caíram.

A grande questão é a seguinte: sim, os lucros das empresas irão cair no curto-médio prazo, mas se eu tenho razões para acreditar que a empresa pode retornar, no médio-longo prazo, ao patamar de lucros do último ano (e, consequentemente, a um preço semelhante àquele antes do coronavírus) faz todo sentido comprar a ação (de maneira responsável) para o futuro. É sempre bom comprar boas empresas, mas quando o potencial de ganho delas fica ainda maior é interessante aportar mais do que em uma situação normal, pois o potencial de valorização futura é maior que era até então.

Vamos usar a Energias do Brasil (ENBR) como exemplo: é uma small cap do setor elétrico com bons resultados no mercado, lucros consistentes, boa governança, dívidas equilibradas, boas perspectivas futuras com novos investimentos e tudo mais, ou seja, é uma empresa que é interessante ter na carteira. Vamos analisar o que aconteceu com a ENBR no últimos meses.

Variação do preço da ENBR3 nos últimos 5 anos

Notem que a ação saiu de R$23,08 no início de 2020 para R$ 14,33 no fundo atingido em 20 de março (aproximadamente 30% de queda), chegando aos patamares do início de 2019. Uma coisa é fato: os lucros da ENBR provavelmente irão cair nos próximos trimestres com a redução na demanda por energia elétrica, uma vez que a empresa tem a distribuição como uma das principais fontes de receita, mas se eu acredito que a empresa tem capacidade de aguentar este período de baixa e que ela poderá voltar aos patamares de lucro dos últimos anos, eu deveria enxergar essa queda como uma oportunidade de médio-longo prazo e aportar mais do que eu normalmente aportaria, porque a expectativa de retorno é maior.

E é aí que o Caixa entra nessa história toda, como eu vou aportar mais do que o normal se  (exemplo hipotético) eu tenho 30% do meu patrimônio em ações, 30% em FIIs, 20% no meu imóvel e o resto numa previdência que eu não posso colocar a mão? Me restam duas alternativas: vender algum patrimônio que já tenho (o que não é interessante, pois teoricamente os ativos em carteira são ativos que considero bons, além disso eu estaria vendendo em um péssimo momento) ou usar a reserva de emergência para aproveitar a oportunidade (o que é ainda pior, RE não é pra investimento). Aí está a importância do Caixa: ele é uma reserva de oportunidade para usar sem culpa quando uma oportunidade aparecer. Além disso ter caixa/reserva de oportunidade reduz a volatilidade da carteira, pois o caixa deve estar alocado em ativos de baixo risco que, no mínimo, não caem quando uma crise ocorre. O caixa é uma parte fundamental em uma carteira de longo prazo.

2. Modo de usar

Deixo aqui uma lição aprendida sobre como utilizar o caixa de forma correta. Como disse, a bolsa brasileira passou por SEIS circuit breakers em março, SEIS quedas de 10% ou mais com relação ao dia anterior. Mas isso nós sabemos agora, depois que a tempestade passou.

Comigo aconteceu da seguinte forma: logo depois do carnaval a bolsa caiu dos 116 mil pontos para os 102 mil, eu já vinha com a mentalidade de ter uma parte da carteira alocada em Caixa para aproveitar as oportunidades e queimei tudo de uma vez (podem ver os aportes feitos no mês aqui), mas o inocente aqui não imaginava a merda que estava por vir. É claro que o Caixa era pequeno e isso contribuiu para que a 'queima' fosse rápida, mas independente disso foi um erro e os erros estão aí pra gente aprender com eles.

Por isso, talvez mais importante do que ter caixa é saber quando usá-lo e quanto gastar na hora de usar. Existem algumas regrinhas simples que ajudam a evitar erros como o que eu cometi:

1. Nunca queimar todo o Caixa de uma vez.

2. Limitar os aportes em fatias do Caixa, por exemplo: aportar no máximo 50% do Caixa em uma queda.

3. Estabelecer espaços de tempo entre os aportes: nunca saberemos se uma queda ainda mais forte virá na próxima semana, então colocar um espaço de tempo mínimo entre os aportes pode ser interessante para controlar o viés psicológico de aportar sempre.

4. Obedeça as suas regras: nós, como seres humanos, estamos sujeitos aos mais diferentes vieses e sempre achamos que 'dessa vez vai ser diferente', mas não vai. As regras foram criadas por um motivo, siga-as.

3. Deixe o caixa crescer junto com seu patrimônio

Esse é um ponto importante. De nada adianta ter Caixa, ter uma oportunidade clara em vista se o aproveitamento for muito pequeno. O Caixa deve crescer junto com o patrimônio para que o aproveitamento das oportunidades no longo-médio prazo seja relevante. De nada adianta ter um Caixa de 10k se o patrimônio é de 1 milhão, o efeito do aproveitamento será muito pequeno comparado ao todo da carteira.

O ideal é definir um alvo de alocação e ir ajustando a carteira para que a fatia em Caixa fique próxima ao alvo, assim garante-se que o Caixa crescerá junto com o patrimônio. Vão haver épocas em que os outros ativos caem tanto que nem será necessário aportar, em contrapartida em outros momentos de bull market vai doer o coração ver as ações e FIIs subindo e o aporte ser direcionado ao Caixa.

E esse é um ponto que dói na hora de aportar, sei bem como é, toda vez que preciso destinar dinheiro pro Caixa é uma dor no coração, eu sei que poderia estar colocando a grana em ações ou FIIs com um retorno potencial maior. Mas esta é uma visão que não olha o todo, que se esquece que as crises chegam e as oportunidades aparecem. Tenho que obedecer as regras que criei, elas existem por um motivo. Atualmente defino minha parcela em caixa como 15% do patrimônio (e acho que está um pouco superdimensionado).

É bom lembrar que na hora de queimar o Caixa não se pode ter dó (desde que de forma consciente, seguindo as regras), o Caixa só tem sentido se for para aproveitamento das oportunidades, ele não tem fim em si mesmo, o retorno de longo-prazo para ativos de baixíssimo risco são muito menores do que os retornos dos demais ativos. Como diz Ray Dalio: "Cash is trash". O que quero dizer é: o caixa é uma reserva e não um investimento gerador de valor, as reservas devem ser usadas sempre que uma oportunidade aparecer e, depois de usadas, reconstruídas aos poucos.

4. Quais ativos servem como Caixa ?

Os pontos fundamentais para um ativo ser considerado Caixa são:

1. Liquidez: quando a oportunidade aparecer deve ser fácil de tirar a grana e investir, liquidez é fundamental, quanto mais líquido melhor.

2. Segurança: é bom que seja um investimento sólido e de baixo-risco, pois normalmente as oportunidades aparecem quando tudo está caindo e você não quer ver seu caixa minguando nesta hora.

Bons ativos para Caixa são: Tesouro SELIC, Fundos de Renda Fixa de alta liquidez, Contas correntes que rendem como CDI (Nubank, Inter) e CDBs de alta liquidez.

5. O Caixa não é só para o mercado financeiro

Apesar de estar falando das oportunidades do mercado financeiro, não é somente nele em que elas aparecem. É muito comum aparecerem oportunidades no setor imobiliário: uma família se mudando as pressas, um certo imóvel que está muito mais barato do que o valor real, etc, etc... Possuir caixa para aproveitar essas oportunidades irá, no mínimo, reduzir os custos de financiamento (quando não eliminar por completo a sua necessidade). Vira e mexe uma oportunidade aparece:
  • Abertura de negócio próprio
  • Comprar parte de outro negócio (sócio)
  • Imóveis
  • Bens a preços baratos (carros usados)
  • Leilões
Dizem que sorte é a combinação da oportunidade com o preparo, então permita-se estar preparado e reserve uma graninha no Caixa pra te chamarem de sortudo. E não é por nada não, mas conheço um senhorzinho americano que guarda um bom Caixa, talvez tenhamos algo a aprender com ele. Na verdade não que isso por si só justifique alguma coisa, mas é no mínimo um ponto de atenção.

Enfim, resumindo tudo:

PONTOS FORTES:
  • Reserva de oportunidade para aproveitar oportunidades
  • Reduz a volatilidade da carteira
  • Warren Buffet tem 
PONTOS FRACOS:
  • Menor potencial no longo-prazo (se mal usado)
  • Vai doer aportar no Caixa quando tudo estiver subindo
É isso, meu povo, espero que este texto ajude ajude-os a refletir sobre ter ou não ter uma reservinha de oportunidade na manga. Eu me permito estar preparado, e você o que acha ?

FIRE Jovem


FIRE Jovem - Acompanhamento das Metas Financeiras

16 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores

Seguindo a boa ideia que vi no blog Bilionário do Zero deixarei um post fixo com o acompanhamento das metas financeiras estipuladas no Plano FIRE. Este post ficará fixo na barra do blog ali em cima ou no menuzin de três pontinhos pro pessoal que lê no celular.

Data Capital Investido Patrimônio planejado Patrimônio Retorno a.m Rentabilidade a.m % Meta
set/19 14.074 13.500 14.336 2,02% 0,22% 106%
out/19 16.950 15.000 17.393 1,27% 0,60% 116%
nov/19 19.363 16.500 20.177 2,14% 2,50% 122%
dez/19 20.677 18.000 22.276 3,89% 4,63% 124%
jan/20 21.712 19.500 25.738 2,58% 2,01% 132%
fev/20 25.523 21.110 27.194 -2,67% -2,14% 129%
mar/20 25.627 22.730 24.341 -12,92% -12,75% 107%
abr/20 30.365 24.358 29.494 4,59% 4,81% 121%
mai/20 32.459 25.996 32.332 2,53% 2,41% 124%
jun/20 33.863 27.643 34.873 3,51% 3,72% 126%
jul/20 34.414 29.299 36.721 3,72% 4,46% 125%

Atualizarei o post mensalmente e caso sejam feitas alterações no planejamento incluirei a informação na tabela ou no texto do post.

Retorno = [Patrimônio final mês - Aporte Mensal - Patrimônio mês anterior] / Patrimônio mês anterior

Rentabilidade = calculada por regime de cotização (não leva em conta tamanho do aporte)

Regras para atualização de planejamento:
  • % Meta excedendo 150%
  • % Meta abaixo de 80%

Obs: a rentabilidade mensal não inclui a reserva de oportunidade (Caixa).



FIRE Jovem




FIRE Jovem - Princípio 7: Rebalanceamento de Carteira - Estudo Aprofundado

13 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores

Aproveitando a quarentena tenho estudado bastante sobre o mercado financeiro e tenho tido contato com conceitos bastante interessantes, o estudo destes conceitos fez eu me interessar mais pela literatura científica(?) que trata dos investimentos. Meu intuito é beber desta fonte e trazer de forma mais palatável e prática para os artigos daqui do blog. 

No início do blog escrevi um artigo sobre os 7 princípios que guiam e guiarão meus investimentos no longo prazo. No post eu tratei brevemente sobre cada um deles, agora pretendo me aprofundar um pouco mais em cada um. O post de hoje será sobre o princípio 7: Rebalanceamento de carteira.

Primeiro de tudo vamos definir o que é o rebalanceamento:
Partindo do pressuposto que todo portfolio tem uma alocação-alvo pré-estabelecida, o rebalanceamento é a readequação dos pesos dos ativos na carteira de acordo com a alocação-alvo. O desbalanceamento é causado pelos movimentos de valorização e desvalorização do mercado e a readequação pode ser feita tanto pela venda dos ativos valorizados e compra dos desvalorizados quanto pelo aporte (sem venda) nas classes desvalorizadas.

1. Comecemos do começo: qual a razão de rebalancear ?

Antes de responder a essa pergunta é preciso quebrar uma noção enraizada na cabeça dos investidores: o rebalanceamento não é realizado porque, necessariamente, aumenta os retornos. O rebalanceamento é feito como uma forma de ajuste da relação risco-retorno planejada para a carteira. Peraí, sabichão, você tá falando que o rebalanceamento não tem um impacto positivo nos meus rendimentos?

Não, não é isso que eu estou falando, eu disse que a razão para realizar o rebalanceamento é o ajuste da relação risco-retorno da carteira e este ajuste pode, ou não, aumentar a rentabilidade da carteira. Explico:

Vamos pegar o seguinte exemplo: Ademir é um trabalhador de 58 anos que tem 70% do capital alocado em renda-fixa e 30% em ações com foco na sua aposentadoria, Ademir definiu essa alocação porque quer ter paz e não estar exposto às variações bruscas de curto prazo das ações que podem afetar fortemente o seu patrimônio, especialmente com a aposentadoria se aproximando. Suponha que no final de 2018 Ademir tenha feito um rebalanceamento e que em 1 de janeiro de 2019 ele tinha 70% em Tesouro SELIC e 30% em BOVA11 (a título de exemplo), os retornos destes ativos em 2019 foram:
- BOVA 11: + 31,6%
- SELIC: +6,0% (aprox.)

Assim, no final de 2019 a carteira do Ademir tinha a seguinte composição:
Ações: 74,3%
Renda Fixa: 25,6%

Como houve uma mudança significativa nos pesos, Ademir decide rebalancear a carteira (seja vendendo um pouco de ações e comprando RF ou simplesmente aportando mais em renda fixa), a pergunta é: por que o Ademir fez isso? Marque um X na alternativa correta:

Alternativa 1: Ademir, percebendo que o BOVA11 subiu demais, previu um desbalanceamento na economia global caracterizado por um ciclo de dívida de longo prazo chegando ao fim e anteviu o impacto do coronavírus nos mercados mundiais, notando que o desempenho das ações seria menor no curto prazo ele decidiu vender a fatia excedente de ações para realizar o lucro e manter a alocação prevista. (  )

Alternativa 2: Ademir, preocupado com o excesso em ações, rebalanceia a carteira para ficar menos exposto ao maior risco que as ações trazem ao seu patrimônio durante a aposentadoria. (  )

A alternativa 2 parece muito plausível, correto? Este breve exemplo explica porque o rebalanceamento é feito: não é uma questão de, necessariamente, vender na alta e comprar na baixa, mas, sim, de adequar o risco da carteira ao que foi planejado.

Alguém poderia argumentar: beleza, fera, isso até faz sentido pra carteira como um todo quando você compara renda fixa e renda variável, mas quando eu tenho uma carteira só de ações o rebalanceamento é feito pra aumentar o retorno futuro vendendo na alta e comprando na baixa, e não tem nada a ver com essa coisa de adequação ao risco.

Hmm, na verdade... não. Pense o seguinte: você tem uma carteira de ações e cada ação tem um peso pré-definido, essas ações tem um peso pré-definido porque cada uma tem um risco intrínseco (e um retorno esperado). No momento em que uma ação valoriza e outra desvaloriza estes pesos são desbalanceados, de forma que uma das ações fica mais concentrada e outra ação menos concentrada, ou seja, a sua exposição (risco) à ação que valorizou ficou maior, pois agora ela tem uma parte maior na sua carteira. Ao rebalancear você está diminuindo a exposição maior que a planejada para aquela ação e readequando o risco da sua carteira, se você não fizer isso você está automaticamente indo contra o seu planejamento inicial e aceitando o maior risco que sua carteira agora possui (pois, de forma geral, quanto maior a participação de uma única empresa no seu portfólio, maior o risco da carteira como um todo, a chance de uma única empresa quebrar é muito maior do que 15 empresas quebrarem).

2. Um lindo exemplo teórico

Recentemente assisti um curso do MIT no YouTube sobre mercado financeiro e o professor deu este lindo exemplo que me impressionou muito, compartilho com vocês:

Imagine que você tem dois ativos A e B e que sua carteira é composta por 50% de A e 50% de B, o patrimônio inicial total é de R$ 10.000,00. Suponha que no primeiro ano de investimento o ativo A subiu 100% e o ativo B caiu 50%:
  • Saldo ao fim do primeiro ano: R$ 12.500,00 (10k de A e 2,5k de B)
No segundo ano de investimento os ativos se comportaram de forma inversa, ou seja, A caiu 50% e B valorizou 100%.
  • Saldo ao fim do segundo ano: R$ 10.000,00 (5k de A e 5k de B)
Ou seja, basicamente voltamos ao início da jornada, você tem o mesmo patrimônio que tinha no começo. Agora vamos supor o mesmo investimento inicial em A e B mas com um rebalanceamento de carteira ao fim do primeiro ano:
  • Fim do primeiro ano pré-rebalancear: R$ 12.500,00 (10k de A e 2,5k de B)
  • Fim do primeiro ano pós-rebalancear: R$ 12.500,00 (6,25k de A e 6,25k de B)
  • Fim do segundo ano: R$ 15.625,00 (12,5k de B e 3,125k de A)
WTF?! %$&¨¨&¨*&%$$# O_o ? Para deixar mais claro, aqui vai um gráficozinho mostrando a diferença:



Parece até mágica, não é? Na realidade a explicação é bem simples: no fim do primeiro ano nós simplesmente vendemos um ativo que iria cair muito (A caindo 50%) e compramos um ativo que iria subir muito (B subindo 100%). Os números do exemplo foram escolhidos para impressionar. Se eu tivesse selecionado outras variações para A e B poderíamos obter cenários em que o rebalanceamento seria prejudicial no resultado final. Por exemplo, se escolhermos um cenário em que o primeiro e segundo ano tenham igual valorização de 100% de A e queda de 50% de B teríamos o seguinte resultado:


Note que neste caso rebalanceamento foi prejudicial à carteira, isso porque vendemos um ativo que iria valorizar mais (A) e compramos um que iria cair mais (B) durante o rebalanceamento. No fim das contas tudo depende do movimento do mercado e, isso, meus caros, nós não conseguimos prever.

3. O que a literatura diz sobre rebalanceamento?

Ao que parece a literatura chega a conclusões diferentes acerca do rebalanceamento dependendo do tipo de carteira em que ele é feito. Abaixo listarei algumas das principais conclusões dos artigos e estudos sobre rebalanceamento:

a) Para classes de ativos com riscos e retornos bem diferentes (como ações e títulos de renda fixa) o rebalanceamento, no longo prazo, diminui a volatilidade (risco) e tende a reduzir os retornos esperados.

Creio que não há nada de novo aqui: se partirmos do pressuposto de que as ações, no longo prazo, dão maior retorno dos que os títulos públicos e que estas também tem um maior risco envolvido é natural que no longo prazo o rebalanceamento reduza os retornos e também o risco. A explicação é simples: suponha uma carteira com 50% ações e 50% títulos, é natural que no longo prazo as ações passem a ter uma fatia maior da carteira (pois tem retorno esperado maior), no entanto, com a maior fatia de ações na carteira o risco (volatilidade) também deve aumentar, se a fatia de ações ficou maior, ao fazer o rebalanceamento estaremos vendendo um ativo com retorno potencial maior e maior risco (ações) e comprando um ativo com retorno potencial menor e menor risco (títulos), portanto, neste caso, o rebalanceamento, no longo prazo, deve reduzir os riscos e os retornos.

Em um estudo de 2009 a Vanguard analisou os efeitos do rebalanceamento em uma carteira composta por 60% de ações (S&P 500) e 40% de bonds americanos, a análise levou em conta o período de 1926-2009 e mostrou que, caso nenhum rebalanceamento fosse realizado um investidor chegaria em 2009 com 97,5% da carteira composta por ações, teria tido um retorno maior e uma volatilidade maior comparado a um investidor que fez rebalanceamentos mensais. A Figura a seguir mostra os principais resultados desta análise.

Estudo da Vanguard sobre o efeito do rebalanceamento em um portfolio 60% ações e 40% bonds americanos (retornos em dólares)

Perceba que a carteira rebalanceado tem um retorno menor (8,5% ao ano), mas também um risco menor (12,1% de desvio-padrão), já a carteira sem rebalanceamento tem retorno (9,1% anualizado) e riscos (14,4%) maiores. No entanto, em um estudo publicado pelo Morgan Stanley em 2015 o rebalanceamento de uma carteira de ações e títulos entre 1977 e 2014 gerou retornos maiores do que uma carteira sem rebalanceamento, no estudo a parte de ações da carteira foi computada como sendo o S&P 500 e os títulos seguiram o Barclays US Aggregate Bond Index (índice de títulos). Aparentemente metodologias diferentes em prazos diferentes geram resultados discrepantes. Na minha visão os resultados obtidos pela Vanguard fazem mais sentido no longo prazo se considerarmos uma carteira composta apenas por ações e títulos.

b) O rebalanceamento pode, sim, gerar retornos positivos para a carteira desde que os ativos da carteira tenham algumas condições em comum:

Retorno esperado semelhante entre classes de ativos diferentes: 
Neste caso não ocorre o efeito de vender um ativo com maior retorno esperado para comprar um ativo com menor retorno esperado (como é o caso de ações e títulos públicos). 

Correlação baixa ou negativa entre os ativos:
Uma correlação baixa ou negativa garante um melhor balanceamento dos ativos, uma correlação negativa, por exemplo, indica que se um ativo está caindo o outro provavelmente irá subir. Este efeito ajuda a reduzir a volatilidade (risco) da carteira. Outro ponto é que se os ativos tiverem uma correlação positiva e muito alta, eles se comportarão da mesma forma (subirão e descerão juntos), tornando o efeito do rebalanceamento menor.

Alta variação dos retornos dentro da mesma classe de ativos:
Por exemplo, se temos uma carteira composta por ações que tem seus preços variando fortemente (small caps, por exemplo) haverá períodos em que esta classe sobe muito e outros em que ela cai muito, neste caso o rebalanceamento parece ser positivo no longo-prazo (um efeito semelhante ao vender na alta e comprar na baixa).

Estas condições podem ser atendidas em portfólios diversificados de ações que contenham setores com baixa correlação ou correlação inversa (por exemplo: papel e celulose e setores não-cíclicos locais), mas de qualquer forma são condições bastante específicas.

Em um artigo de 1996 chamado 'The Rebalacing Bonus' William Bernstein defendeu a existência de um prêmio por rebalancear a carteira periodicamente. No artigo ele testou combinações de 50%/50% de diferentes classes de ativos (ações, ações de países desenvolvidos, REITS, bonds, small stocks) no (curto) período de 1988 à 1994 e chegou a conclusão de que o rebalanceamento gerava, sim, retornos positivos á carteira.

O site Sigma Investing publicou um artigo concluindo que o rebalanceamento gera retornos positivos quando os critérios mencionados acima são satisfeitos. No artigo foi realizado um backtest incluindo cinco categorias: US Large Stocks, International Stocks, Ações de Mercados Emergentes, REITS (similares aos FII) e Bonds (títulos de renda fixa). No primeiro teste o porfolio montado tinha a seguinte composição: 40% US Large; 20% International Stocks; 20% Emerging Markets e 20% Bonds. 

Este primeiro portfolio tem 4 classes de ativos com retornos aproximadamente semelhantes para os períodos analisados (30 anos, 20 anos e 10 anos), todos finalizando em 2004, sendo o menor retorno individual de 9,0% e o maior de 10,7% (cumprindo a primeira das condições). Além disso, como podem ver na Figura a seguir, a correlação entre os ativos é baixa.


Como podem ver, a segunda condição para que o rebalanceamento gere retornos maiores também é satisfeita por esta carteira. Por fim, como em 3 das quatro categorias temos mercados de ações bem diversificados (Emergentes, USA e Internacional), podemos esperar que dentro destas classes de ativos existam grandes volatilidades. Para este primeiro portolio o efeito do rebalanceamento se mostrou positivo e aumentou o retorno total da carteira (apesar de também aumentar o risco medido como 'Standard Deviation').


Por fim, foi feito um segundo backtest eliminando a categoria de Ações nos Mercados Emergentes e adicionando a categoria REITs em seu lugar. Essa substituição foi feita pois o retorno dos REITs no período (15,2%) foi substancialmente maior que o retorno das demais categorias, assim o portolio deixaria de cumprir a condição de retornos semelhantes entre as classes de ativos. Como é de se esperar, ao rebalancear um portfolio com uma categoria que tem retornos significativamente maiores deve ocorrer diminuição no retorno e no risco, como vimos no estudo da Vanguard. Abaixo estão os resultados para o portfolio com a inclusão dos REITs.


Como podem notar, a carteira não-rebalanceada gerou retornos maiores em dois dos três períodos analisados, assim, um leve desbalanceamento nos retornos esperados dos ativos leva à resultados bastante diferentes. Um ponto interessante é que no período de 20 anos a carteira rebalanceada gerou retornos maiores com risco menor, o que é extremamente benéfico.

Analisando os exemplos citados é possível perceber que não há um consenso bem estabelecido sobre o rebalanceamento de carteira, mas há uma tendência positiva em realizá-lo, pois os resultados mostram retornos maiores (em alguns casos) ou diminuição da volatilidade em outros casos. Aparentemente o efeito do rebalanceamento depende das características dos ativos que compõem a carteira, se os ativos seguirem as condições citadas no início da explicação há uma tendência de aumento do retorno, por outro lado, se os ativos não seguirem as condições citadas é provável que o rebalanceamento diminua a volatilidade.

Por fim, neste artigo sobre rebalanceamento de carteira contendo apenas ações o autor seleciona um grupo de 15 ações e faz backtests de 12 e 21 anos, em ambos os exemplos os resultados do rebalanceamento foram superiores em termos de retorno e risco. No entanto este é um artigo com uma metodologia menos elaborada, uma vez que as ações são escolhidas a critério e não há uma análise generalista do mercado. De qualquer forma é um ponto positivo para o rebalanceamento.

4. Qual o período ideal de rebalanceamento?

Esta também é uma pergunta delicada e aparentemente sem consenso. Sabe-se que rebalanceamentos mais frequentes (mensais por exemplo) tendem a gerar mais taxas a serem pagas (como emolumentos, corretagem, etc...), já para o caso de períodos mais longos a carteira pode ficar muito desbalanceada e com risco aumentado. Normalmente são avaliados 3 períodos de rebalanceamento: mensal, trimestral e anual.

No artigo de William Bernstein é citado um trabalho de Arnott e Lovell que concluiu que o rebalanceamento mensal gerava retornos levemente maiores para um portfolio 50/50 de ações e bonds no período de 1968-1991 já incluídas as taxas e custos. No entanto, o próprio William analisou o efeito de rebalanceamentos mensais, trimestrais e anuais e não chegou a uma conclusão satisfatória sobre qual deles é o mais efetivo, em alguns casos o mensal era melhor, em outros o trimestral e em outros o anual.

No artigo publicado pela Vanguard para a carteira 60% ações/40% bonds a frequência de rebalanceamento pareceu não afetar o retorno e o risco da carteira no longo prazo, como podem ver na figura a seguir as variações foram mínimas, com uma leve vantagem para o balanceamento anual (menor volatilidade).


No mesmo trabalho os autores concluem que um rebalanceamento anual ou semi-anual com monitoração do desvio da alocação-alvo de 5% dá muito menos trabalho e consegue atingir o resultados de balanceamento da relação risco-retorno da carteira.

5. Conclusão

Os estudos e backtests sobre rebalanceamento apresentam conclusões diferentes acerca do período ideal de rebalanceamento, bem como do efeito dele no aumento do retorno da carteira. É consenso que o rebalanceamento é uma boa estratégia para ajustar a relação risco-retorno e, em alguns casos, pode ter um efeito positivo aumentando o retorno da carteira. 

Em nenhum dos artigos que encontrei o rebalanceamento foi citado como uma prática negativa (desde que não seja excessivo e cheio de taxas), seus efeitos sobre a relação risco-retorno parecem ser positivos ou nulos e promovem adequação do perfil do investidor à situação em que o mercado e sua carteira se encontram.

Se pudermos resumir todo este artigo em uma única sentença é: na dúvida, rebalanceie sua carteira (e rebalanceie dentro das classes de ativos).


6. Referências:









FIRE Jovem - Agosto 2020: R$ 38.656,28 (-0,38%)

 Bom dia, boa tarde, boa noite, senhoras e senhores, como nasci de sete meses já vou aproveitando essa segunda-feira pra fazer o fechamento ...

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