FIRE Jovem - Junho 2020: R$ 34.873,11 (+ 3,51%)

1 de julho de 2020

Salve, salve! senhoras e senhores

Com a alta da bolsa brasileira no mês de junho as carteiras da Finansfera devem apresentar um sinalzinho de '+' nos títulos dos posts de fechamento. Comigo não foi diferente, impulsionado principalmente pela fatia de ações da carteira tive um bom mês no aspecto de rentabilidade. No mais, nosso Brasilzão vai se afundando cada vez mais nas crises sanitária, política e, em breve, econômica, os pássaros voam, os vermes rastejam e o gado posta, nada de novo sob o sol.

No mês de junho dei uma leve roçada nos 35k, em julho devemos bater essa mini-meta. As ações deram uma bela subida e as demais classes de ativos também deram uma ajudada:

Ações: + 6,55%
FII: +1,64%
Ouro: + 3,36%
Tesouro SELIC: +0,23% (que bela merda)

Seguem os principais resultados do mês (entre parênteses o mês de maio):

Patrimônio Total: R$ 34.873,11 (R$ 32.332,58)  
Variação Patrimonial: +7,86% (+9,63%) 
Rentabilidade no mês: +3,51% (+2,53%) 
Rentabilidade Acumulada 2020: -3,49%
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): + 2,98%

O mês foi excelente para a carteira, foi a terceira maior alta mensal desde o início da carteira, além disso o aumento patrimonial foi relevante mesmo o aporte sendo um pouco menor. Destaco também que a rentabilidade histórica voltou pro verde, vamos seguir com os pés no chão e ir pra cima!

Felizmente a curva de patrimônio real continua olhando de cima a curva de patrimônio planejado. O patrimônio de hoje supera o patrimônio planejado para o mês de outubro de 2020, então ainda tenho uma gordurinha para uma eventual pancada da bolsa. 

FIRE Jovem - Patrimônio - Jun 2020

Se o tal do Mercado for gente fina e o aporte robusto posso bater a meta de patrimônio para o ano ainda em julho (dá uma olhada como estão indo minhas metas) que seria de R$ 37,7k. Mas acredito que seja bastante improvável.

Aportes: mês fraco nos aportes, estou salvando uma parte da grana pra minha conta normal de fluxo de caixa. Não me animei a colocar a grana em ações ou FIIs (inclusive perdi a subscrição de VRTA11 por pura preguiça).

Aporte real: R$ 1,459,60 (R$ 1.974,09 em maio)

Além disso tive uns gastos um pouquinho maiores esse mês com dia dos namorados, pequenas doações, etc... Com isso a carteira do FIRE Jovem em junho está com a seguinte composição:

Alocação FIRE Jovem - Junho 2020

A fatia em renda fixa vai reduzindo e aos poucos a carteira vai se aproximando da alocação ideal que eu planejo para ela (algo como 60% em ações, 10% FII, 25% RF e 5% gold+bitcoin). Ano que vem a meta é colocar uma graninha lá fora para diversificar mais o portfolio.

Outros resultados:
Renda Passiva: R$ 14.51 também conhecido como: me vê o lanche do dia e uma casquinha, por favor.
Renda Passiva 2020: R$ 145,01

No trabalho as perspectivas de efetivação ainda estão nebulosas, ela pode acontecer, mas pode ser que não seja na área que desejo... Neste segundo semestre virão alguns processos de seleção para Trainee e tal. O mês de junho foi muito bom para correr atrás do prejuízo nas leituras, creio que finalizei três ou quatro livros ao longo do mês e completei 10 antes do meio do ano, estou em dia para alcançar os 20 livros planejados no início do ano. Também venho cozinhando bastante com o home office, já estou craque em alguns preparos.

É isso, garela, fiquem na paz e fiquem seguros.

Aprendizados do mês: 

-  Os chatos são necessários para a sobrevivência do grupo.
- Filé mignon ao molho madeira com arroz à piamontese é bão demais e fácil de fazer.
- Se você é razoavelmente esforçado, inteligente e tem uma base boa dificilmente vai passar fome.
- Twitter é muito engraçado, mas é perda de tempo.
- Não deixe o mercado financeiro te tornar um filho da puta.
- Xadrez vicia.
- Ulisses (esperto) era mais temido que Ájax (Grande). 
- A mitologia grega tem uma influência absurda na maneira como pensamos, nas nossas histórias e crenças.
- Supérfluo se escreve assim.




FIRE Jovem - Maio 2020: R$ 32.332,58 (+ 2,53%)

30 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores

Bom, sobrevivemos ao temido mês de maio, aparentemente o 'sell in may and go away' não rolou por aqui, o índice Bovespa subiu com força na casa dos 10% e deu uma boa levantada nas carteiras tupiniquins. Ainda é cedo para qualquer tipo de positividade, o Brasil é o novo epicentro da crise sanitária mundial, a política por aqui continua desastrosa e ainda estamos no pico da epidemia de coronavírus... Boa sorte pra quem tenta prever o mercado, o meu negócio é o longo prazo.

No fim das contas o mês de maio se mostrou ótimo pra carteira, a rentabilidade superou os 2% e o aumento de patrimônio beirou 10%, outro ponto positivo é que a carteira está praticamente no zero a zero desde o meu início nos investimentos em meados de 2019. O melhor de tudo: rompemos a barreira dos 30k! Vamos pra cima porque os 40k estão logo ali!

Patrimônio Total: R$ 32.332,58 (R$ 29.493,78) 
Variação Patrimonial: +9,63% (+21,17%)
Rentabilidade no mês: +2,53% (+4,59%) 
Rentabilidade Acumulada 2020: -6,77%
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): -0,39%

Lembrando que os números entre parênteses são relativos ao mês de abril. Como já disse anteriormente, a carteira foi puxada pelo bom mês dos ativos em renda variável, em especial as ações (+ 4,7%). É interessante notar que a subida das minha ações não foi alta como a do BOVA11 neste mês, mas eu já colhi os benefícios dessa menor volatilidade nos períodos de queda, quando minha carteira de ações caiu menos que a bolsa. Com o efeito dos aportes e da boa rentabilidade continuo com o patrimônio acima do previsto.

FIRE Jovem - Patrimônio Maio 2020

O patrimônio de hoje corresponde ao patrimônio planejado para o mês de setembro, portanto tenho uma gordurinha de sobra nos próximos meses. Com um pouco de sorte e disciplina logo logo podemos bater a meta de 2020, BORA!!

Aportes: os aportes deste mês foram focados em ações e FIIs, dei uma queimada no caixa para comprar algumas ações que julguei interessantes para o momento. Neste mês inclui duas novas ações e um FII na carteira, também fiz aportes em algumas ações que já possuía na carteira, aqui vai a lista dos ativos em que aportei (novos ativos em destaque):

LEVE3; LREN3; PSSA3; VRTA11; BBAS3; MYPK3; 

Aporte Real: R$ 1.974,09

O aporte esteve em linha com a minha renda e os baixos gastos durante a quarentena, uma parte do caixa foi direcionada às ações porque não estava aguentando ver BBAS3 com P/L de 4. Com isso a distribuição dos ativos ficou assim:


Deixarei de incluir a alocação-alvo da carteira porque, pra ser sincero, ainda não a tenho bem definida na minha cabeça, já troquei o peso dos ativos algumas vezes e acho que preciso de um pouco mais de experiência e reflexão para defini-la. 

Outros resultados:
Renda Passiva: R$ 9,12
Renda Passiva 2020: R$ 130,50

Parece que os FII estão sofrendo um pouco nessa crise e deram uma reduzida no pagamentos dos aluguéis nos últimos dois meses. Nesse mês também teve um mini-dividendo de LREN3 caindo na carteira.

É isso, meu povo, espero que continuem acompanhando o blog e que curtam os posts. Para além da grana: o mês não foi dos melhores, me senti pouco produtivo no trabalho e no meu desenvolvimento pessoal, estou empacado nos cursos e lendo menos do que gostaria, apesar de ser bem caseiro a quarentena já tá enchendo um pouco o saco kaka.

FIRE Jovem

FIRE Jovem - Princípio 6: Dinheiro em Caixa

21 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores

Hoje vou explicar porque ter dinheiro em caixa faz sentido mim. Este post é baseado nos 7 princípios que uso para guiar os meus investimentos, e este é o princípio 6:

"Possuir dinheiro em caixa para aproveitar as promoções do mercado."

O tal do Caixa

Ou seja: quando mercado estiver barato com ações a preços descontados os retornos esperados para o futuro são maiores, o Caixa é uma forma de aproveitar estes momentos. Nesse cenário de 'promoção' pode ser muito interessante ter uma parte do patrimônio depositada em ativos de baixo risco e alta liquidez para comprar as ações, FIIs ou quaisquer ativos que estejam baratos.

1. Reserva de Oportunidade

Vou exemplificar a importância do Caixa (e da falta de paciência) em uma situação recente pela qual eu e muitos outros passamos: no sangrento mês de março, logo após o carnaval, a bolsa brasileira caiu com muita força seguindo a tendência das bolsas pelo mundo. A Bovespa saiu dos 107 mil pontos em 4 de março e bateu em 63 mil em 23 de março, uma queda rápida e brutal de mais de 40% em poucos dias. Sem dúvidas foi uma experiência ótima para aprendermos o que é uma pancada pra baixo. Foram 6 circuit breakers em poucas semanas.

O investidor pode olhar essa situação de algumas formas diferentes, variando do completo desespero a uma grande euforia pelos preços descontados. A realidade, como nos ensina a história, mora em algum ponto entre os extremos. Tomemos o meu exemplo: sou um investidor de longo prazo que busca escolher empresas de qualidade com boas perspectivas para o futuro, a minha visão durante estes tempos era a seguinte: cautela e aproveitamento das oportunidades de longo prazo. Ou seja: era óbvio que a queda das ações não era a toa, o mercado estava precificando a queda do lucro das empresas no curto-médio prazo (somado às péssimas condições políticas do Brasil, provavelmente) e por isso os preços caíram.

A grande questão é a seguinte: sim, os lucros das empresas irão cair no curto-médio prazo, mas se eu tenho razões para acreditar que a empresa pode retornar, no médio-longo prazo, ao patamar de lucros do último ano (e, consequentemente, a um preço semelhante àquele antes do coronavírus) faz todo sentido comprar a ação (de maneira responsável) para o futuro. É sempre bom comprar boas empresas, mas quando o potencial de ganho delas fica ainda maior é interessante aportar mais do que em uma situação normal, pois o potencial de valorização futura é maior que era até então.

Vamos usar a Energias do Brasil (ENBR) como exemplo: é uma small cap do setor elétrico com bons resultados no mercado, lucros consistentes, boa governança, dívidas equilibradas, boas perspectivas futuras com novos investimentos e tudo mais, ou seja, é uma empresa que é interessante ter na carteira. Vamos analisar o que aconteceu com a ENBR no últimos meses.

Variação do preço da ENBR3 nos últimos 5 anos

Notem que a ação saiu de R$23,08 no início de 2020 para R$ 14,33 no fundo atingido em 20 de março (aproximadamente 30% de queda), chegando aos patamares do início de 2019. Uma coisa é fato: os lucros da ENBR provavelmente irão cair nos próximos trimestres com a redução na demanda por energia elétrica, uma vez que a empresa tem a distribuição como uma das principais fontes de receita, mas se eu acredito que a empresa tem capacidade de aguentar este período de baixa e que ela poderá voltar aos patamares de lucro dos últimos anos, eu deveria enxergar essa queda como uma oportunidade de médio-longo prazo e aportar mais do que eu normalmente aportaria, porque a expectativa de retorno é maior.

E é aí que o Caixa entra nessa história toda, como eu vou aportar mais do que o normal se  (exemplo hipotético) eu tenho 30% do meu patrimônio em ações, 30% em FIIs, 20% no meu imóvel e o resto numa previdência que eu não posso colocar a mão? Me restam duas alternativas: vender algum patrimônio que já tenho (o que não é interessante, pois teoricamente os ativos em carteira são ativos que considero bons, além disso eu estaria vendendo em um péssimo momento) ou usar a reserva de emergência para aproveitar a oportunidade (o que é ainda pior, RE não é pra investimento). Aí está a importância do Caixa: ele é uma reserva de oportunidade para usar sem culpa quando uma oportunidade aparecer. Além disso ter caixa/reserva de oportunidade reduz a volatilidade da carteira, pois o caixa deve estar alocado em ativos de baixo risco que, no mínimo, não caem quando uma crise ocorre. O caixa é uma parte fundamental em uma carteira de longo prazo.

2. Modo de usar

Deixo aqui uma lição aprendida sobre como utilizar o caixa de forma correta. Como disse, a bolsa brasileira passou por SEIS circuit breakers em março, SEIS quedas de 10% ou mais com relação ao dia anterior. Mas isso nós sabemos agora, depois que a tempestade passou.

Comigo aconteceu da seguinte forma: logo depois do carnaval a bolsa caiu dos 116 mil pontos para os 102 mil, eu já vinha com a mentalidade de ter uma parte da carteira alocada em Caixa para aproveitar as oportunidades e queimei tudo de uma vez (podem ver os aportes feitos no mês aqui), mas o inocente aqui não imaginava a merda que estava por vir. É claro que o Caixa era pequeno e isso contribuiu para que a 'queima' fosse rápida, mas independente disso foi um erro e os erros estão aí pra gente aprender com eles.

Por isso, talvez mais importante do que ter caixa é saber quando usá-lo e quanto gastar na hora de usar. Existem algumas regrinhas simples que ajudam a evitar erros como o que eu cometi:

1. Nunca queimar todo o Caixa de uma vez.

2. Limitar os aportes em fatias do Caixa, por exemplo: aportar no máximo 50% do Caixa em uma queda.

3. Estabelecer espaços de tempo entre os aportes: nunca saberemos se uma queda ainda mais forte virá na próxima semana, então colocar um espaço de tempo mínimo entre os aportes pode ser interessante para controlar o viés psicológico de aportar sempre.

4. Obedeça as suas regras: nós, como seres humanos, estamos sujeitos aos mais diferentes vieses e sempre achamos que 'dessa vez vai ser diferente', mas não vai. As regras foram criadas por um motivo, siga-as.

3. Deixe o caixa crescer junto com seu patrimônio

Esse é um ponto importante. De nada adianta ter Caixa, ter uma oportunidade clara em vista se o aproveitamento for muito pequeno. O Caixa deve crescer junto com o patrimônio para que o aproveitamento das oportunidades no longo-médio prazo seja relevante. De nada adianta ter um Caixa de 10k se o patrimônio é de 1 milhão, o efeito do aproveitamento será muito pequeno comparado ao todo da carteira.

O ideal é definir um alvo de alocação e ir ajustando a carteira para que a fatia em Caixa fique próxima ao alvo, assim garante-se que o Caixa crescerá junto com o patrimônio. Vão haver épocas em que os outros ativos caem tanto que nem será necessário aportar, em contrapartida em outros momentos de bull market vai doer o coração ver as ações e FIIs subindo e o aporte ser direcionado ao Caixa.

E esse é um ponto que dói na hora de aportar, sei bem como é, toda vez que preciso destinar dinheiro pro Caixa é uma dor no coração, eu sei que poderia estar colocando a grana em ações ou FIIs com um retorno potencial maior. Mas esta é uma visão que não olha o todo, que se esquece que as crises chegam e as oportunidades aparecem. Tenho que obedecer as regras que criei, elas existem por um motivo. Atualmente defino minha parcela em caixa como 15% do patrimônio (e acho que está um pouco superdimensionado).

É bom lembrar que na hora de queimar o Caixa não se pode ter dó (desde que de forma consciente, seguindo as regras), o Caixa só tem sentido se for para aproveitamento das oportunidades, ele não tem fim em si mesmo, o retorno de longo-prazo para ativos de baixíssimo risco são muito menores do que os retornos dos demais ativos. Como diz Ray Dalio: "Cash is trash". O que quero dizer é: o caixa é uma reserva e não um investimento gerador de valor, as reservas devem ser usadas sempre que uma oportunidade aparecer e, depois de usadas, reconstruídas aos poucos.

4. Quais ativos servem como Caixa ?

Os pontos fundamentais para um ativo ser considerado Caixa são:

1. Liquidez: quando a oportunidade aparecer deve ser fácil de tirar a grana e investir, liquidez é fundamental, quanto mais líquido melhor.

2. Segurança: é bom que seja um investimento sólido e de baixo-risco, pois normalmente as oportunidades aparecem quando tudo está caindo e você não quer ver seu caixa minguando nesta hora.

Bons ativos para Caixa são: Tesouro SELIC, Fundos de Renda Fixa de alta liquidez, Contas correntes que rendem como CDI (Nubank, Inter) e CDBs de alta liquidez.

5. O Caixa não é só para o mercado financeiro

Apesar de estar falando das oportunidades do mercado financeiro, não é somente nele em que elas aparecem. É muito comum aparecerem oportunidades no setor imobiliário: uma família se mudando as pressas, um certo imóvel que está muito mais barato do que o valor real, etc, etc... Possuir caixa para aproveitar essas oportunidades irá, no mínimo, reduzir os custos de financiamento (quando não eliminar por completo a sua necessidade). Vira e mexe uma oportunidade aparece:
  • Abertura de negócio próprio
  • Comprar parte de outro negócio (sócio)
  • Imóveis
  • Bens a preços baratos (carros usados)
  • Leilões
Dizem que sorte é a combinação da oportunidade com o preparo, então permita-se estar preparado e reserve uma graninha no Caixa pra te chamarem de sortudo. E não é por nada não, mas conheço um senhorzinho americano que guarda um bom Caixa, talvez tenhamos algo a aprender com ele. Na verdade não que isso por si só justifique alguma coisa, mas é no mínimo um ponto de atenção.

Enfim, resumindo tudo:

PONTOS FORTES:
  • Reserva de oportunidade para aproveitar oportunidades
  • Reduz a volatilidade da carteira
  • Warren Buffet tem 
PONTOS FRACOS:
  • Menor potencial no longo-prazo (se mal usado)
  • Vai doer aportar no Caixa quando tudo estiver subindo
É isso, meu povo, espero que este texto ajude ajude-os a refletir sobre ter ou não ter uma reservinha de oportunidade na manga. Eu me permito estar preparado, e você o que acha ?

FIRE Jovem


FIRE Jovem - Acompanhamento das Metas Financeiras

16 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores

Seguindo a boa ideia que vi no blog Bilionário do Zero deixarei um post fixo com o acompanhamento das metas financeiras estipuladas no Plano FIRE. Este post ficará fixo na barra do blog ali em cima ou no menuzin de três pontinhos pro pessoal que lê no celular.

Data Capital Investido Patrimônio planejado Patrimônio Retorno a.m % Meta
set/19 14.074 13.500 14.336 2,02% 106%
out/19 16.950 15.000 17.393 1,27% 116%
nov/19 19.363 16.500 20.177 2,14% 122%
dez/19 20.677 18.000 22.276 3,89% 124%
jan/20 21.712 19.500 25.738 2,58% 132%
fev/20 25.523 21.110 27.194 -2,67% 129%
mar/20 25.627 22.730 24.341 -12,92% 107%
abr/20 30.365 24.358 29.494 4,59% 121%
mai/20 32.459 25.996 32.332 2,53% 124%
jun/20 33.863 27.643 34.873 3,51% 126%

Atualizarei o post mensalmente e caso sejam feitas alterações no planejamento incluirei a informação na tabela ou no texto do post.

Regras para atualização de planejamento:
  • % Meta excedendo 150%
  • % Meta abaixo de 80%

Obs: Entre dez/2019 e mar/2020 há uma discrepância entre o retorno mensal da tabela e o 'esperado', isso porque nestes meses eu não contabilizei o aporte em 'Caixa' e a rentabilidade do 'Caixa' como parte da carteira total. Isso porque o 'Caixa' é uma conta corrente que uso para movimentações, tornando difícil o cálculo, mas a partir de abril/2020 passei a contabilizá-lo.



FIRE Jovem




FIRE Jovem - Princípio 7: Rebalanceamento de Carteira - Estudo Aprofundado

13 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores

Aproveitando a quarentena tenho estudado bastante sobre o mercado financeiro e tenho tido contato com conceitos bastante interessantes, o estudo destes conceitos fez eu me interessar mais pela literatura científica(?) que trata dos investimentos. Meu intuito é beber desta fonte e trazer de forma mais palatável e prática para os artigos daqui do blog. 

No início do blog escrevi um artigo sobre os 7 princípios que guiam e guiarão meus investimentos no longo prazo. No post eu tratei brevemente sobre cada um deles, agora pretendo me aprofundar um pouco mais em cada um. O post de hoje será sobre o princípio 7: Rebalanceamento de carteira.

Primeiro de tudo vamos definir o que é o rebalanceamento:
Partindo do pressuposto que todo portfolio tem uma alocação-alvo pré-estabelecida, o rebalanceamento é a readequação dos pesos dos ativos na carteira de acordo com a alocação-alvo. O desbalanceamento é causado pelos movimentos de valorização e desvalorização do mercado e a readequação pode ser feita tanto pela venda dos ativos valorizados e compra dos desvalorizados quanto pelo aporte (sem venda) nas classes desvalorizadas.

1. Comecemos do começo: qual a razão de rebalancear ?

Antes de responder a essa pergunta é preciso quebrar uma noção enraizada na cabeça dos investidores: o rebalanceamento não é realizado porque, necessariamente, aumenta os retornos. O rebalanceamento é feito como uma forma de ajuste da relação risco-retorno planejada para a carteira. Peraí, sabichão, você tá falando que o rebalanceamento não tem um impacto positivo nos meus rendimentos?

Não, não é isso que eu estou falando, eu disse que a razão para realizar o rebalanceamento é o ajuste da relação risco-retorno da carteira e este ajuste pode, ou não, aumentar a rentabilidade da carteira. Explico:

Vamos pegar o seguinte exemplo: Ademir é um trabalhador de 58 anos que tem 70% do capital alocado em renda-fixa e 30% em ações com foco na sua aposentadoria, Ademir definiu essa alocação porque quer ter paz e não estar exposto às variações bruscas de curto prazo das ações que podem afetar fortemente o seu patrimônio, especialmente com a aposentadoria se aproximando. Suponha que no final de 2018 Ademir tenha feito um rebalanceamento e que em 1 de janeiro de 2019 ele tinha 70% em Tesouro SELIC e 30% em BOVA11 (a título de exemplo), os retornos destes ativos em 2019 foram:
- BOVA 11: + 31,6%
- SELIC: +6,0% (aprox.)

Assim, no final de 2019 a carteira do Ademir tinha a seguinte composição:
Ações: 74,3%
Renda Fixa: 25,6%

Como houve uma mudança significativa nos pesos, Ademir decide rebalancear a carteira (seja vendendo um pouco de ações e comprando RF ou simplesmente aportando mais em renda fixa), a pergunta é: por que o Ademir fez isso? Marque um X na alternativa correta:

Alternativa 1: Ademir, percebendo que o BOVA11 subiu demais, previu um desbalanceamento na economia global caracterizado por um ciclo de dívida de longo prazo chegando ao fim e anteviu o impacto do coronavírus nos mercados mundiais, notando que o desempenho das ações seria menor no curto prazo ele decidiu vender a fatia excedente de ações para realizar o lucro e manter a alocação prevista. (  )

Alternativa 2: Ademir, preocupado com o excesso em ações, rebalanceia a carteira para ficar menos exposto ao maior risco que as ações trazem ao seu patrimônio durante a aposentadoria. (  )

A alternativa 2 parece muito plausível, correto? Este breve exemplo explica porque o rebalanceamento é feito: não é uma questão de, necessariamente, vender na alta e comprar na baixa, mas, sim, de adequar o risco da carteira ao que foi planejado.

Alguém poderia argumentar: beleza, fera, isso até faz sentido pra carteira como um todo quando você compara renda fixa e renda variável, mas quando eu tenho uma carteira só de ações o rebalanceamento é feito pra aumentar o retorno futuro vendendo na alta e comprando na baixa, e não tem nada a ver com essa coisa de adequação ao risco.

Hmm, na verdade... não. Pense o seguinte: você tem uma carteira de ações e cada ação tem um peso pré-definido, essas ações tem um peso pré-definido porque cada uma tem um risco intrínseco (e um retorno esperado). No momento em que uma ação valoriza e outra desvaloriza estes pesos são desbalanceados, de forma que uma das ações fica mais concentrada e outra ação menos concentrada, ou seja, a sua exposição (risco) à ação que valorizou ficou maior, pois agora ela tem uma parte maior na sua carteira. Ao rebalancear você está diminuindo a exposição maior que a planejada para aquela ação e readequando o risco da sua carteira, se você não fizer isso você está automaticamente indo contra o seu planejamento inicial e aceitando o maior risco que sua carteira agora possui (pois, de forma geral, quanto maior a participação de uma única empresa no seu portfólio, maior o risco da carteira como um todo, a chance de uma única empresa quebrar é muito maior do que 15 empresas quebrarem).

2. Um lindo exemplo teórico

Recentemente assisti um curso do MIT no YouTube sobre mercado financeiro e o professor deu este lindo exemplo que me impressionou muito, compartilho com vocês:

Imagine que você tem dois ativos A e B e que sua carteira é composta por 50% de A e 50% de B, o patrimônio inicial total é de R$ 10.000,00. Suponha que no primeiro ano de investimento o ativo A subiu 100% e o ativo B caiu 50%:
  • Saldo ao fim do primeiro ano: R$ 12.500,00 (10k de A e 2,5k de B)
No segundo ano de investimento os ativos se comportaram de forma inversa, ou seja, A caiu 50% e B valorizou 100%.
  • Saldo ao fim do segundo ano: R$ 10.000,00 (5k de A e 5k de B)
Ou seja, basicamente voltamos ao início da jornada, você tem o mesmo patrimônio que tinha no começo. Agora vamos supor o mesmo investimento inicial em A e B mas com um rebalanceamento de carteira ao fim do primeiro ano:
  • Fim do primeiro ano pré-rebalancear: R$ 12.500,00 (10k de A e 2,5k de B)
  • Fim do primeiro ano pós-rebalancear: R$ 12.500,00 (6,25k de A e 6,25k de B)
  • Fim do segundo ano: R$ 15.625,00 (12,5k de B e 3,125k de A)
WTF?! %$&¨¨&¨*&%$$# O_o ? Para deixar mais claro, aqui vai um gráficozinho mostrando a diferença:



Parece até mágica, não é? Na realidade a explicação é bem simples: no fim do primeiro ano nós simplesmente vendemos um ativo que iria cair muito (A caindo 50%) e compramos um ativo que iria subir muito (B subindo 100%). Os números do exemplo foram escolhidos para impressionar. Se eu tivesse selecionado outras variações para A e B poderíamos obter cenários em que o rebalanceamento seria prejudicial no resultado final. Por exemplo, se escolhermos um cenário em que o primeiro e segundo ano tenham igual valorização de 100% de A e queda de 50% de B teríamos o seguinte resultado:


Note que neste caso rebalanceamento foi prejudicial à carteira, isso porque vendemos um ativo que iria valorizar mais (A) e compramos um que iria cair mais (B) durante o rebalanceamento. No fim das contas tudo depende do movimento do mercado e, isso, meus caros, nós não conseguimos prever.

3. O que a literatura diz sobre rebalanceamento?

Ao que parece a literatura chega a conclusões diferentes acerca do rebalanceamento dependendo do tipo de carteira em que ele é feito. Abaixo listarei algumas das principais conclusões dos artigos e estudos sobre rebalanceamento:

a) Para classes de ativos com riscos e retornos bem diferentes (como ações e títulos de renda fixa) o rebalanceamento, no longo prazo, diminui a volatilidade (risco) e tende a reduzir os retornos esperados.

Creio que não há nada de novo aqui: se partirmos do pressuposto de que as ações, no longo prazo, dão maior retorno dos que os títulos públicos e que estas também tem um maior risco envolvido é natural que no longo prazo o rebalanceamento reduza os retornos e também o risco. A explicação é simples: suponha uma carteira com 50% ações e 50% títulos, é natural que no longo prazo as ações passem a ter uma fatia maior da carteira (pois tem retorno esperado maior), no entanto, com a maior fatia de ações na carteira o risco (volatilidade) também deve aumentar, se a fatia de ações ficou maior, ao fazer o rebalanceamento estaremos vendendo um ativo com retorno potencial maior e maior risco (ações) e comprando um ativo com retorno potencial menor e menor risco (títulos), portanto, neste caso, o rebalanceamento, no longo prazo, deve reduzir os riscos e os retornos.

Em um estudo de 2009 a Vanguard analisou os efeitos do rebalanceamento em uma carteira composta por 60% de ações (S&P 500) e 40% de bonds americanos, a análise levou em conta o período de 1926-2009 e mostrou que, caso nenhum rebalanceamento fosse realizado um investidor chegaria em 2009 com 97,5% da carteira composta por ações, teria tido um retorno maior e uma volatilidade maior comparado a um investidor que fez rebalanceamentos mensais. A Figura a seguir mostra os principais resultados desta análise.

Estudo da Vanguard sobre o efeito do rebalanceamento em um portfolio 60% ações e 40% bonds americanos (retornos em dólares)

Perceba que a carteira rebalanceado tem um retorno menor (8,5% ao ano), mas também um risco menor (12,1% de desvio-padrão), já a carteira sem rebalanceamento tem retorno (9,1% anualizado) e riscos (14,4%) maiores. No entanto, em um estudo publicado pelo Morgan Stanley em 2015 o rebalanceamento de uma carteira de ações e títulos entre 1977 e 2014 gerou retornos maiores do que uma carteira sem rebalanceamento, no estudo a parte de ações da carteira foi computada como sendo o S&P 500 e os títulos seguiram o Barclays US Aggregate Bond Index (índice de títulos). Aparentemente metodologias diferentes em prazos diferentes geram resultados discrepantes. Na minha visão os resultados obtidos pela Vanguard fazem mais sentido no longo prazo se considerarmos uma carteira composta apenas por ações e títulos.

b) O rebalanceamento pode, sim, gerar retornos positivos para a carteira desde que os ativos da carteira tenham algumas condições em comum:

Retorno esperado semelhante entre classes de ativos diferentes: 
Neste caso não ocorre o efeito de vender um ativo com maior retorno esperado para comprar um ativo com menor retorno esperado (como é o caso de ações e títulos públicos). 

Correlação baixa ou negativa entre os ativos:
Uma correlação baixa ou negativa garante um melhor balanceamento dos ativos, uma correlação negativa, por exemplo, indica que se um ativo está caindo o outro provavelmente irá subir. Este efeito ajuda a reduzir a volatilidade (risco) da carteira. Outro ponto é que se os ativos tiverem uma correlação positiva e muito alta, eles se comportarão da mesma forma (subirão e descerão juntos), tornando o efeito do rebalanceamento menor.

Alta variação dos retornos dentro da mesma classe de ativos:
Por exemplo, se temos uma carteira composta por ações que tem seus preços variando fortemente (small caps, por exemplo) haverá períodos em que esta classe sobe muito e outros em que ela cai muito, neste caso o rebalanceamento parece ser positivo no longo-prazo (um efeito semelhante ao vender na alta e comprar na baixa).

Estas condições podem ser atendidas em portfólios diversificados de ações que contenham setores com baixa correlação ou correlação inversa (por exemplo: papel e celulose e setores não-cíclicos locais), mas de qualquer forma são condições bastante específicas.

Em um artigo de 1996 chamado 'The Rebalacing Bonus' William Bernstein defendeu a existência de um prêmio por rebalancear a carteira periodicamente. No artigo ele testou combinações de 50%/50% de diferentes classes de ativos (ações, ações de países desenvolvidos, REITS, bonds, small stocks) no (curto) período de 1988 à 1994 e chegou a conclusão de que o rebalanceamento gerava, sim, retornos positivos á carteira.

O site Sigma Investing publicou um artigo concluindo que o rebalanceamento gera retornos positivos quando os critérios mencionados acima são satisfeitos. No artigo foi realizado um backtest incluindo cinco categorias: US Large Stocks, International Stocks, Ações de Mercados Emergentes, REITS (similares aos FII) e Bonds (títulos de renda fixa). No primeiro teste o porfolio montado tinha a seguinte composição: 40% US Large; 20% International Stocks; 20% Emerging Markets e 20% Bonds. 

Este primeiro portfolio tem 4 classes de ativos com retornos aproximadamente semelhantes para os períodos analisados (30 anos, 20 anos e 10 anos), todos finalizando em 2004, sendo o menor retorno individual de 9,0% e o maior de 10,7% (cumprindo a primeira das condições). Além disso, como podem ver na Figura a seguir, a correlação entre os ativos é baixa.


Como podem ver, a segunda condição para que o rebalanceamento gere retornos maiores também é satisfeita por esta carteira. Por fim, como em 3 das quatro categorias temos mercados de ações bem diversificados (Emergentes, USA e Internacional), podemos esperar que dentro destas classes de ativos existam grandes volatilidades. Para este primeiro portolio o efeito do rebalanceamento se mostrou positivo e aumentou o retorno total da carteira (apesar de também aumentar o risco medido como 'Standard Deviation').


Por fim, foi feito um segundo backtest eliminando a categoria de Ações nos Mercados Emergentes e adicionando a categoria REITs em seu lugar. Essa substituição foi feita pois o retorno dos REITs no período (15,2%) foi substancialmente maior que o retorno das demais categorias, assim o portolio deixaria de cumprir a condição de retornos semelhantes entre as classes de ativos. Como é de se esperar, ao rebalancear um portfolio com uma categoria que tem retornos significativamente maiores deve ocorrer diminuição no retorno e no risco, como vimos no estudo da Vanguard. Abaixo estão os resultados para o portfolio com a inclusão dos REITs.


Como podem notar, a carteira não-rebalanceada gerou retornos maiores em dois dos três períodos analisados, assim, um leve desbalanceamento nos retornos esperados dos ativos leva à resultados bastante diferentes. Um ponto interessante é que no período de 20 anos a carteira rebalanceada gerou retornos maiores com risco menor, o que é extremamente benéfico.

Analisando os exemplos citados é possível perceber que não há um consenso bem estabelecido sobre o rebalanceamento de carteira, mas há uma tendência positiva em realizá-lo, pois os resultados mostram retornos maiores (em alguns casos) ou diminuição da volatilidade em outros casos. Aparentemente o efeito do rebalanceamento depende das características dos ativos que compõem a carteira, se os ativos seguirem as condições citadas no início da explicação há uma tendência de aumento do retorno, por outro lado, se os ativos não seguirem as condições citadas é provável que o rebalanceamento diminua a volatilidade.

Por fim, neste artigo sobre rebalanceamento de carteira contendo apenas ações o autor seleciona um grupo de 15 ações e faz backtests de 12 e 21 anos, em ambos os exemplos os resultados do rebalanceamento foram superiores em termos de retorno e risco. No entanto este é um artigo com uma metodologia menos elaborada, uma vez que as ações são escolhidas a critério e não há uma análise generalista do mercado. De qualquer forma é um ponto positivo para o rebalanceamento.

4. Qual o período ideal de rebalanceamento?

Esta também é uma pergunta delicada e aparentemente sem consenso. Sabe-se que rebalanceamentos mais frequentes (mensais por exemplo) tendem a gerar mais taxas a serem pagas (como emolumentos, corretagem, etc...), já para o caso de períodos mais longos a carteira pode ficar muito desbalanceada e com risco aumentado. Normalmente são avaliados 3 períodos de rebalanceamento: mensal, trimestral e anual.

No artigo de William Bernstein é citado um trabalho de Arnott e Lovell que concluiu que o rebalanceamento mensal gerava retornos levemente maiores para um portfolio 50/50 de ações e bonds no período de 1968-1991 já incluídas as taxas e custos. No entanto, o próprio William analisou o efeito de rebalanceamentos mensais, trimestrais e anuais e não chegou a uma conclusão satisfatória sobre qual deles é o mais efetivo, em alguns casos o mensal era melhor, em outros o trimestral e em outros o anual.

No artigo publicado pela Vanguard para a carteira 60% ações/40% bonds a frequência de rebalanceamento pareceu não afetar o retorno e o risco da carteira no longo prazo, como podem ver na figura a seguir as variações foram mínimas, com uma leve vantagem para o balanceamento anual (menor volatilidade).


No mesmo trabalho os autores concluem que um rebalanceamento anual ou semi-anual com monitoração do desvio da alocação-alvo de 5% dá muito menos trabalho e consegue atingir o resultados de balanceamento da relação risco-retorno da carteira.

5. Conclusão

Os estudos e backtests sobre rebalanceamento apresentam conclusões diferentes acerca do período ideal de rebalanceamento, bem como do efeito dele no aumento do retorno da carteira. É consenso que o rebalanceamento é uma boa estratégia para ajustar a relação risco-retorno e, em alguns casos, pode ter um efeito positivo aumentando o retorno da carteira. 

Em nenhum dos artigos que encontrei o rebalanceamento foi citado como uma prática negativa (desde que não seja excessivo e cheio de taxas), seus efeitos sobre a relação risco-retorno parecem ser positivos ou nulos e promovem adequação do perfil do investidor à situação em que o mercado e sua carteira se encontram.

Se pudermos resumir todo este artigo em uma única sentença é: na dúvida, rebalanceie sua carteira (e rebalanceie dentro das classes de ativos).


6. Referências:







FIRE Jovem - Abril 2020: R$ 29.493,78 (+4,59%)

3 de maio de 2020

Olá, senhoras e senhores


Ainda nessa quarentena que nos limita vamos à divulgação dos resultados do mês de abril. De forma geral o mês foi mais tranquilo do que os catastróficos fevereiro e março, as ações e os FII deram uma leve recuperada e creio que não houve 'circuir breaker', apesar do incompetente que nos governa. Ainda assim creio que não é momento para se alegrar, acho bastante provável que estejamos entrando em um 'bear market' que deve durar alguns meses/anos, a recuperação não deve ser rápida.

Como tinha dito no último balanço mensal o aporte de março ficaria para este mês, por isso o volume do aporte neste mês será substancialmente grande. Dito isso, vamos ao que interessa, lembrando que os resultados do mês anterior estão entre parênteses:

Patrimônio Total: R$ 29.493,78 (R$ 24.341,25)
Variação Patrimonial: +21,17% (-10,5%) 
Rentabilidade no mês: 4,59% (-12,92%)
Rentabilidade Acumulada 2020: -9,07

As ações e os FII deram uma recuperada neste mês, além disso, com a forte subida do dólar o pouco patrimônio que tenho alocado em Bitcoin deu uma bela valorizada. Com os aportes e a valorização deste mês a pernada de baixa no gráfico de patrimônio do mês passado foi recuperada e estou novamente 20% acima do patrimônio planejado.

Patrimônio Real x Planejado - FIRE Jovem - Abril 2020
Se novos sustos não vierem pode ser que no mês de maio ultrapasse a barreira dos R$ 30k, vamos aguardar.

Aportes: como já havia deixado claro anteriormente o foco nos próximos meses seria na liquidez e na reconstrução do caixa, tentando aproveitar boas oportunidades e balancear a carteira. Além disso eu havia incluído ouro como parte do portfólio e já fiz o primeiro aporte em um fundo de ouro (o fundo varia de acordo com o ouro precificado em dólar), para mitigar eventuais efeitos cambiais do real e aproveitar uma eventual subida do ouro com a desvalorização das moedas no cenário global. Realizei também pequenos aportes em ações para rebalancear a carteira (ENBR3 e ITSA3).

Aporte Real: R$ 4.065,95

Desse aporte, cerca de 25% foi destinado ao fundo de ouro, 60% ao Caixa e 15% nas ações. Lembrando que o volume do aporte foi alto porque deixei de aportar mês passado e coloquei a grana neste mês. Com isso a minha carteira ficou mais próxima do balanceamento alvo conforme podem ver a seguir.

Alocação Atual x Alvo - FIRE Jovem - Abril 2020
Como podem ver a carteira agora tem uma pequena parcela em ouro destinada à proteção cambial (sim, sei que agora está tarde para comprar, inclusive tentei comprar ouro em novembro do ano passado e a merda da corretora não permitia realizar a operação, então acabei desistindo). Nos próximos meses os aportes dependerão do rebalanceamento da carteira (por enquanto pretendo não alterá-lo e creio que está com uma boa distribuição).

Outros resultados:
Renda Passiva: R$ 12,31
Renda Passiva 2020: R$ 121,38

Ademais o mês foi bom para poupar dinheiro e fazer alguns cursos, finalizei dois novos cursos que podem ser importantes na conquista de um emprego e me trouxeram bons conhecimentos. Confesso que na última semana estou meio largado, fazendo o que é preciso trabalho e focando pouco na melhoria contínua dos outros pontos da minha vida (exercícios, leitura e relacionamentos). Na soma total foi um mês bom, outro ponto positivo é que no trabalho há alguma chance de efetivação no fim do ano, vou trabalhar para agarrá-la.

É isso, senhoras e senhores, espero que continuem acompanhando o blog, vou continuar a postar os balanços e seguiremos na corrida de ratos juntos, um abraço.

FIRE Jovem

FIRE Jovem - Março 2020: R$ 24.341,45 (-12,92%)

7 de abril de 2020

Olá, senhoras e senhores

Esse mês deu até dor no coração de fazer o fechamento. A pancada veio e veio com força, foi o primeiro mês com queda patrimonial real, até então o efeito dos aportes tinham superado os meses com rentabilidade negativa. 

Não irei me alongar sobre o coronavírus pois já expressei minha opinião em um post anterior, basicamente: cautela nas compras, manter a cabeça no longo prazo e sempre ter caixa disponível. No longo prazo creio ser um bom momento de compra de ativos, especialmente de empresas perenes e com boa saúde financeira, é hora de fugir das endividadas e jogar seguro. Nos próximos meses taabém devemos ver um aumento das taxas do tesouro com elevação do gasto público, pode ser um bom momento para conseguir retornos interessantes com menor volatilidade.

Um breve 'disclaimer': como meu salário cai no último dia útil do mês eu vinha aportando e divulgando como aporte do mês, neste mês não fiz o aporte no dia 31, por isso os aportes aparentarão menores do que os meses anteriores, mas é uma questão de data e não de redução de aportes.

Então vamos aos números, em parênteses os resultados do mês anterior:

Patrimônio Total: R$ 24.341,25 (R$ 27.193,76)
Variação Patrimonial: -10,5% (+5,66%)
Rentabilidade no mês: -12,92% (-2,67%)
Rentabilidade Acumulada 2020: -13,06% 

Apesar da queda acentuada a carteira segurou bem, em grande parte pois cerca de 45% dela está em Tesouro SELIC como reserva de emergência. Um dos ensinamentos desta crise é a importância da Renda Fixa no manejo do risco da carteira, por esse motivo passarei a contabilizar essa parcela em Renda Fixa como parte da distribuição dos ativos e irei aumentar o percentual-alvo de renda fixa/Caixa na carteira.

O gráfico do planejamento de curto prazo deu uma forte pernada para baixo, impactado pelo aporte reduzido contabilizado no mês e pela forte queda dos ativos. 

Patrimônio projetado vs Patrimônio Real - FIRE Jovem - Março 2020
Apesar da pernada de baixa seguimos dentro do planejado, além disso, como os gastos devem ser baixos nos próximos meses os aportes deverão compensar potenciais perdas. 

Aportes: aproveitei a parte do salário que cai no meio do mês para fazer algumas compras em ações que considerei descontadas: ENBR3, ITSA3 e LEVE3. Além disso, a corretora que eu usava para investir em Bitcoin anunciou que irá fechar, por isso fui forçado a vender a parcela que eu possuía lá (R$ 470,00), que foram destinados ao Caixa. Infelizmente esse tipo de coisa desencoraja o investimento nessa classe de ativos, fui obrigado a me desfazer da posição com um leve prejuízo, como a parcela em cripto já estava superdimensionada na carteira não pretendo reinvestir o dinheiro em Bitcoins.

Aportes Totais: R$ 1.073,17
Vendas: R$ 469,00
Aporte Real: R$ 604,17

Como disse acima, passarei a considerar a fatia que tenho em Teosuro SELIC como parte da alocação da carteira, além disso irei aumentar a proporção de alocação-alvo de renda fixa, bem como incluir uma pequena fração de ouro como reserva de valor e proteção cambial, essas foram algumas das lições que essa crise me ensinou. A outra é: sempre tenha Caixa, nunca o queime de uma vez (foi o que fiz mês passado pensando ser bem esperto).

Alocação atual e alocação alvo - FIRE Jovem - Março 2020
Pretendo que a parcela de Renda Fixa corresponda a 40% da carteira, sendo 15% de Caixa (reserva de oportunidade) e 25% de renda fixa (IPCA+ principalmente). Inclui o ouro por ser uma boa proteção em tempos de crise e ter uma correlação negativa com as ações da bolsa, é uma boa forma de proteção da carteira, ainda que modesta.

Outros resultados do mês:

Renda Passiva: R$ 60,40 (R$ 9,63)
Investimento Real/Renda Poupada: 33%

Um ponto positivo do mês foi a forte redução dos gastos, o que permitirá um aporte maior no próximo mês (que provavelmente irá integralmente para o Caixa). 

De resto, estou trabalhando de casa e aparentemente a empresa em que trabalho não foi fortemente impactada, provavelmente manterei o emprego por pelo menos alguns meses, mas se a situação apertar sei que sou um dos mais vulneráveis por ser estagiário. Pretendo aproveitar o tempo da quarentena para estudar sobre investimentos e me qualificar profissionalmente.

FIRE Jovem






FIRE Jovem - Coronavírus: responsabilidade em tempos de crise

22 de março de 2020

Olá, senhoras e senhores


Gostaria de compartilhar com vocês minha visão sobre este momento de crise e porque é fundamental ter responsabilidade no manejo do patrimônio.

O coronavírus chegou e chegou com força, os mercados globais caíram abruptamente, a crise chegou, o bear market parece estar instalado e provavelmente enfrentaremos momentos difíceis em nossas vidas pessoais nos próximos meses (quiçá anos). O coronavírus é o famoso cisne negro Talebiano, no entanto ele é apenas o estopim de uma crise de demanda que deve agravar a bolha de endividamento global gerada nos últimos anos.

Por isso deixo aqui o apelo: o momento é de responsabilidade. Pode ser uma afirmação tardia e óbvia, mas ainda vejo 'consultores profissionais' dizendo que a bolsa está barata e é hora de comprar, fazendo uma análise completamente equivocada dos números. Há quem diga que as empresas estão baratas porque o P/L está baixo, que a queda é uma reação superdimensionada do mercado e logo tudo volta, etc, etc...

Não é bem assim: o P/L está baixo porque estamos comparando os preços de hoje com os lucros obtidos nos últimos 12 meses, no entanto o mercado precifica o lucro futuro. É certo que nos próximos meses o lucro de praticamente todas as empresas da bolsa irá despencar (veja a imagem abaixo para as expectativas de receita das empresas no mundo), o P/L que vemos hoje é uma medida atrasada, nos mercados o que importa é o futuro, e o futuro não parece bom no curto-médio prazo. É certo que algumas empresas serão mais impactadas que outras e que no longo prazo as boas empresas tendem a sobreviver e voltar aos patamares anteriores, mas mesmo assim cautela é fundamental.

Expectativa de queda nos ganhos da empresas nos próximos meses
Por pelo menos 3 meses viveremos em quarentena, provavelmente haverá um efeito cascata na economia: as pessoas não consomem porque não podem sair às ruas, a economia informal (40% da força de trabalho brasileira) é extremamente dependente das compras feitas diretamente nas lojas. Além disso teremos restaurantes, fábricas e pequenas empresas de portas fechadas neste período. Como o gasto de uma pessoa é a renda de outra, enfrentaremos uma grave crise de demanda em escala global. O que deve acontecer é o seguinte:

- Com a falta de demanda gerada pela quarentena as receitas irão despencar, com isso as empresas serão forçadas a cortar custos e demitir pessoal.
- O pessoal demitido deixa de ter renda para consumir e fortalece o efeito de demissões.
- O governo será obrigado a elevar drasticamente o gasto público para conter os efeitos do desemprego e da falta de demanda (em paralelo tem que investir pesado no sistema de saúde).
- Com as taxas de juros em mínimas históricas (juros reais praticamente negativos) não restarão muitas alternativas que não sejam: incentivos fiscais e impressão direta de dinheiro.
- Empresas alavancadas (com dívida alta) e receitas caindo serão obrigadas a vender ativos e, em última instância, declarar falência por não poder arcar com a dívida.
- Empresas (especialmente os microempresários) com problemas de fluxo de caixa terão de fechar as portas por não conseguirem gerar renda para arcar com os custos do mês.

Esse é o panorama no Brasil, mas ele deve ocorrer em escala global. Há ainda um agravante no mercado global: com as taxas de juros pelo mundo em quase 0% há alguns anos (ou até negativas) o acesso ao crédito ficou extremamente fácil, o que levou a um nível de endividamento enorme no sistema (mais de USD 250 trilhões em dívidas ou 322% do PIB global). Essa dívida será cobrada e os devedores não terão receita para pagá-las, é provável que vejamos empresas enormes quebrando ou sendo amparadas pelos governos.

Dívida global em 2019 

Por isso repito: o momento é de responsabilidade. Eu diria que praticamente todos corremos um sério risco de ficarmos desempregados nos próximos meses, penso que o mais certo a fazer agora é usar os salários que recebermos para aumentar a reserva de emergência e manter a liquidez tanto quanto possível. Não tem como prever o que vem pela frente, é fundamental que tenhamos liberdade e, na crise, liberdade é liquidez.

Minha situação e o que irei fazer:
- Sendo estagiário, acho provável que eu seja um dos primeiros a ficar desempregado nesta crise (contrato de trabalho flexível para demissão, não tenho família para criar e não ocupo cargo essencial na empresa).
- Irei destinar os próximos salários à Reserva de emergência/Caixa e diminuir o volume de aportes.
- Voltarei a aportar normalmente quando a volatilidade passar e os mercados estabilizarem (seja subindo ou descendo).
- Os aportes na crise serão destinados à empresas com endividamento baixo e de setores perenes (não-cíclico, elétricas, saneamento...)
- Aproveitarei o tempo de quarentena para fazer cursos online e incrementar o currículo, terei de estar no topo da cadeia de contratação quando a crise passar.

Essa é a minha visão sobre isso tudo, ficaria extremamente contente em poder debatê-la com vocês nos comentários, sintam-se livres para expor suas opiniões.




FIRE Jovem - Junho 2020: R$ 34.873,11 (+ 3,51%)

Salve, salve! senhoras e senhores Com a alta da bolsa brasileira no mês de junho as carteiras da Finansfera devem apresentar um sinalzinho d...

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