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FIRE Jovem - Janeiro 2022 R$ 85.489 (-1,48%)

31 de janeiro de 2022

Olá, caros leitores e leitoras deste pequeno blog, venho aqui mais um mês apresentar-lhes como andam as minhas finanças pessoais e em que pé estamos nessa longa jornada até a independência financeira. Como um bom mês de janeiro, os gastos pesaram bastante por aqui, principalmente com o pagamento do IPVA e uma franquia do seguro do carro após um incidente com um desses postes que insistem em bater nas laterais dos carros. A taxa de poupança no mês foi baixa, de apenas 22% com relação à renda líquida, mas felizmente sobrou um restinho do décimo terceiro pago em dezembro para ajudar nos aportes.


FIRE Jovem - Fechamento Mensal - Janeiro 2022

Nos investimentos o mês não foi bom: com a forte queda do Bitcoin (-22,57%) somado à queda do dólar, a parcela de investimentos do exterior caiu com força em janeiro (-7,05%). Na realidade, a única classe de ativos que ficou no positivo este mês foram as ações brasileiras (+3,76%), ainda que significativamente abaixo dos ganhos do BOVA11 que beiraram os 7,0% no mês. Mas é isso, esse é o preço que se paga pela diversificação, não dá para ganhar todas as batalhas, o que importa é ganhar a guerra. Na imagem abaixo vocês podem conferir o histórico de rentabilidades da carteira do FIRE Jovem:


IRE Jovem - Histórico de Rentabilidades - Janeiro de 2022


Apesar do mau início em 2022, a carteira do FIRE Jovem ainda se mostra vantajosa com relação ao índice BOVA11 e o CDI desde o seu início em fevereiro de 2019. Esperamos tempos melhores pela frente. A seguir alguns números importantes:


Patrimônio Total: R$: R$ 85.489 (R$ 83,4k em dez/21)
Variação Patrimonial: + 2,57% (vs. dez/21)
Rentabilidade no mês: -1,48% (+0,98% em dez/21)
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): 27,56% (calculada por regime de cotização)

Apesar da rentabilidade negativa realizei um aporte de R$ 2,5k em ETFs no exterior aproveitando a breve queda do dólar, por isso a variação patrimonial ao final do mês foi positiva. Os aportes foram feitos seguindo a minha estratégia de alocação no exterior, neste mês aportei nos seguintes ETFs: EEMV, AVDV, AVUV e IQLT. Atualmente a alocação global da carteira se encontra assim:


FIRE jovem - Alocação da Carteira - Jan/22

Felizmente seguimos acima do patrimônio planejado para o mês de janeiro, com uma folguinha de 9% com relação ao plano (R$ 78,8k planejados). Em janeiro também recebi uma querelinha em dividendos, totalizando R$ 94,40, sendo a maior parte dos dividendos proveniente dos fundos imobiliários. 

Para além destes rígidos números: a vida vai bem, gosto do meu trmapo e do pessoal de lá, inclusive recebi uma proposta para ganhar mais em outra empresa mas acabei optando por ficar. Levei algumas coisas em consideração antes dessa decisão como: projeção de carreira, ambiente de trabalho, distância do trabalho até minha casa (no novo trampo seria o dobro do tempo e provavelmente a carga de trabalho seria bem maior). Enfim, creio que fiz uma boa decisão. 

Neste mês também aproveitei para estudar sobre marketing digital, foi ótimo para entender melhor como funcionam as coisas por trás dos panos. Posso dizer que no início fiquei bem animado com as perspectivas de vender produtos como afiliado e criar 'funis de venda' para tal, mas logo a minha excitação se dissipou. No momento estou cogitando a ideia de criar um canal no YouTube para divulgar alguns materiais que estou preparando ligados ao tema da independência financeira. Um deles, inclusive, é um eBook, e vocês podem conferir o primeiro capítulo dele neste post em que falo sobre a Previdência Pública no Brasil e porque não podemos depender do INSS.


É isso, caros amigos, espero que curtam e aproveitem o post, um abraço e ótimo 2022 a todos vocês!


FIRE Jovem - Afinal, Previdência Privada PGBL vale a pena? - Parte I: Panorama

14 de janeiro de 2022

 Olá, caro leitor.


Este será um post de libertação e recheado de informações. Se você nunca passou por aqui sugiro que dê uma lida na minha Apresentação, no meu plano para a Independência financeira e nos meus Princípios de Investimento.


Bom, depois de algumas discussões com homens teimosos na casa dos 50 anos (leia-se: meu pai e pai da namorada) decidi colocar tudo na ponta do lápis (na verdade foi no Excel) para responder à derradeira pergunta: Afinal, previdência privada vale a pena?





Antes de entrarmos nos cálculos pra valer, gostaria de ressaltar que eu procurei nos cafundós do Google, YouTube e blogosfera em busca de uma planilha para conseguir simular de forma correta (e não enviesada por um banco/seguradora) em quais casos a previdência privada, mais especificamente o PGBL, vale a pena. Como o perspicaz leitor deve ter percebido, eu não encontrei a tal planilha, portanto deixo registrado que em pleno 2021 ainda faltava essa peça do quebra-cabeça na internet brasileira (também existe a chance de eu ser um incapaz fazendo buscas online, mas deixemos essa de lado). Para não ser completamente injusto, encontrei dois posts de 2009 no blog Viver de Renda, no entanto eram posts mais amplos, sem detalhar os cálculos exatos por trás das afirmações (ainda que bom posts). Aos demais blogueiros que fizeram posts semelhantes (ou mesmo criaram a tal planilha) deixo aqui minhas sinceras desculpas.


1. INTRODUÇÃO


Enfim, a previdência privada é mais um desses assuntos delicados que conta com dois lados beligerantes: de uma lado há os que juram de pé junto que este é o melhor investimento possível e que você deveria correr o mais rápido possível para fazer uma. Do outro, há os que dizem que previdência privada é mais uma forma do banco comer seu dinheiro com altas taxas de administração e que é uma classe de investimentos que sequer deve ser considerada. Como é de praxe em (quase) toda polêmica, a resposta correta mora longe dos extremos e há uma série de fatores a serem analisados antes de saber se a previdência é um investimento que vale a pena.


Para que este post não fique longo demais vou assumir que todos já tem uma boa noção da diferença entre PGBL e VGBL e qual a diferença entre os modelos de tributação (regressivo x progressivo).  O quadro abaixo resume brevemente as diferenças nos tipos de plano:

FIRE Jovem  Fonte: https://tributario.com.br/karoline-anacleto-pozzer/__trashed-7/


Basicamente, há duas diferenças mais importantes: 

1) Tributação, pois no PGBL a tributação incide sobre o total investido e no VGBL ela incide apenas sobre o lucro como nos demais investimentos.

2) Benefício fiscal, pois o PGBL permite ao contribuinte abater o valor investido no plano de previdência de sua renda bruta, reduzindo o valor pago no imposto de renda (no VGBL não temos essa alternativa).


Vale lembrar que a alíquota do imposto pago sobre o PGBL ou VGBL será a mesma para um mesmo regime de tributação (p. ex: se você escolher a tributação regressiva, você irá pagar uma alíquota de 10% de imposto após 10 anos independente do plano escolhido, a diferença é que no PGBL o imposto incide sobre o valor total e no VGBL apenas sobre os lucros).


VGBL, um caso perdido  - O único benefício do plano VGBL sobre os investimentos comuns em ações/FII/renda fixa está na tributação sobre o lucro, pois se você optar pela tabela regressiva irá pagar apenas 10% sobre o lucro após 10 anos (ante 15% para a maioria dos investimentos). No entanto, se uma boa parte do seu portfólio próprio estiver investido em ações, você pode obter o benefício de vender até R$ 20.000 por mês (mesmo com lucro) e não pagar nada de imposto, o que não é possível em um plano VGBL. Além disso, se levarmos em conta que os planos de previdência privada costumam ter altas taxas de administração e carrego, este pequeno benefício fiscal normalmente se torna nulo quando colocamos tudo na balança. Eu sei que não foi a melhor explicação do mundo para excluirmos o VGBL da brincadeira, mas nesta série de posts vamos deixá-lo de lado e focarmos em quem realmente importa: o PGBL. Antes disso, façamos um breve resumo de previdência privada no Brasil.


2. UM PANORAMA DA PREVIDÊNCIA PRIVADA NO BRASIL


Lembra que falei que tem uma galera que diz que a previdência privada serve só pro bancos arrancarem sua grana? Bom, eles tem um ponto. Os dados que apresentarei a seguir foram retirados do Relatório Gerencial de Previdência Complementar, publicado em Agosto de 2021. 

Então vamos lá, em 2020 no Brasil havia cerca de 16,7 milhões de contribuintes em planos de previdência. Em agosto de 2021 o patrimônio total gerido pelos planos de previdência complementar atingiu R$ 2,24 Trilhoes, o que representa 28% do PIB nacional.  Estes contribuintes estão divididos em 3 grandes tipos de planos: 

1) Entidades Abertas de Previdência Complementar (EAPC): são os planos aos quais qualquer pessoa pode aderir, normalmente distribuídos por bancos, seguradoras e instituições financeiras abertas. Este tipo abrange aproximadamente 59% do total de contribuintes.

2) Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC): são os planos fechados, normalmente oferecidos por empresas privadas aos seus funcionários, são os chamados Fundo de Pensão. Eles englobam cerca de 22% do total de contribuintes com planos complementares.

3) Contratos Coletivos (EAPC): são contratos coletivos geridos por instituições abertas e representam cerca de 19% do total de contribuintes.

FIRE Jovem - Evolução do nº de contribuintes por tipo de plano complementar


Se eu tivesse que adivinhar se a maioria do patrimônio destes planos está investido em VGBL ou PGBL, eu provavelmente diria que são os planos PGBL, uma vez que são os mais indicados para contribuintes com alta renda e dão o benefício fiscal de 12% do IR. No entanto o que se observa é justamente o contrário: 78% do patrimônio das EAPC está investido em planos do tipo VGBL e somente 16% está nos PGBL (o resto está nos chamados Planos Tradicionais).

Agora vamos para os dados que são realmente importantes no que tange à decisão do investimento: taxas e rentabilidades históricas. Os principais argumentos que pesam contra os planos de previdência privada estão intimamente relacionados a essas métricas, eles dizem que a maioria (senão todos) planos tem altas taxas e rentabilidades medíocres. Mas será que isso se observa na prática? Vejamos:

2.1 Taxa de Administração

A taxa de administração é completamente diferente quando falamos de planos fechados e planos abertos. Via de regra, as taxas dos planos fechados são muito menores (Fundos de Pensão), o problema é que são poucos os que têm acesso a este tipo de plano. A ampla maioria dos brasileiros só pode investir nos planos abertos, e é aí que o bicho pega.  A taxa média de administração dos planos de previdência privada abertos é de 1,3% ao ano, em contrapartida, a taxa média dos planos fechados é de apenas 0,27% ao ano, uma é quase cinco vezes maior que a outra. Como veremos a seguir, isso tem um impacto direto sobre a rentabilidade dos planos de previdência.

No gráfico a seguir você pode ver a evolução das taxas de administração dos planos de previdência abertos. Note que para a maioria das curvas praticamente não houve redução na taxa de administração de 2012 para cá, ou seja, ainda temos muito o que evoluir para ter planos que realmente se preocupam com o futuro dos seus contribuintes. 



2.2 Rentabilidade

Um inocente no mercado financeiro poderia pensar: "se os planos aberto cobram taxas de administração maiores deve ser porque eles têm melhores gestores e entregam melhores resultados, certo?". Bem, não é bem assim. Na realidade (e como já foi demonstrado em inúmeros estudos), altas taxas de administração tendem a gerar retorno menores ao investidor. A razão é meio óbvia: uma maior taxa paga ao banco significa um investimento menor e uma rentabilidade menor. Ou seja, na média, a habilidade do gestor não faz tanta diferença assim, o mais importante é buscar pelas menores taxas possíveis. Especialmente levando em conta que 74% do patrimônio dos planos abertos e 55% do patrimônio dos planos fechados está investido em títulos do Tesouro Público, coisa que o investidor comum pode fazer e obter uma rentabilidade semelhante.

Agora vamos aos números:

FIRE jovem - rentabilidade acumulada planos de previdência privada (2012-2021)

É, meus amigos, fez-se o óbvio: os planos abertos (que possuem maiores taxas) têm as menores rentabilidades médias (inclusive abaixo do CDI e igual ao Bovespa em uma década perdida e pós-covid). A diferença entre os planos fechados e abertos e de quase 2,6% ao ano! Ou seja, além de cobrarem taxas maiores, os planos abertos têm gestores menos competentes aparentemente. É perturbador o fato da média dos planos abertos não bater sequer o CDI no período. 

Por outro lado, os planos fechados se mostraram uma alternativa de investimento bastante rentável, alcançando uma média de 10,5% ao ano. Para efeito de comparação, essa seria uma rentabilidade próxima do índice IPCA + 5% ao ano no período analisado, sem dúvidas é uma classe interessante, no entanto, como mencionei, só é possível ter acesso a estes planos se você trabalhar em uma empresa com fundo de pensão.

No gráfico abaixo vemos a rentabilidade acumulada dos planos abertos dividida por classe de investimento do plano:

FIRE Jovem - Rentabilidade Acumulada, planos de previdência abertos


Notem que nem mesmo a melhor categoria dos planos abertos (Ações Ativo) conseguiu superar a média dos planos fechados. Outro ponto de destaque é que o plano de ações ativo superou o índice bovespa no período (109% BOVA  x 138% gestão ativa), mas é necessário entender a relação risco-retorno destes planos, além de considerar o fato de não ter direito à venda isenta de impostos até R$ 20.000/mês.


2.3 Alocação


Como mencionei acima, a maior parte dos investimentos dos planos de previdência complementar está alocada em Títulos do Tesouro Direto, assim, é provável que um investidor comum consiga obter rentabilidades semelhantes aos planos de previdência desde que também faça sua alocação nos Títulos. É claro que há outras variáveis, como o market timing e a proporção entre pré e pós-fixado na carteira. No entanto, se levarmos em conta que o mercado de títulos é aproximadamente eficiente, é bastante provável que o investidor comum que compra títulos mensalmente consiga se aproximar da rentabilidade média do gestor de um plano de previdência que investe somente em títulos.

A tabela a seguir traz o patrimônio investido (em trihões) por classe de ativo para todos os planos de previdência privada de 2012 a 2021, bem como o percentual do patrimônio alocado por classe de ativo para todos os planos, planos abertos e planos fechados. 

FIRE jovem - Alocação total dos planos de previdência privada


Portanto, cerca de 80% do capital de todos os planos de previdência está alocado unicamente em Renda Fixa (Tesouro + outros), para os planos abertos a alocação em renda fixa chega a incríveis 92,5%, some a isso as altas taxas de administração e carregamento e está explicado porque muita gente tem aversão á pevidência privada. Nota-se também a maior alocação em renda variável nos planos fechados, bem como uma maior diversificação em outras classes de ativos (outros e imóveis), essa maior diversificação com relação aos planos abertos pode ser o fator que falta para explicarmos as diferenças de rentabilidade entre os planos.

O gráfico a seguir traz a evolução do patrimônio dos planos de previdência complementar (abertos e fechados) divido por classe de ativo de 2012 a 2021:

FIRE Jovem - evolução da alocação de patrimônio dos planos de previdência fechados e abertos (2012-2021)


3. CONCLUSÃO

Bom, para resumir bem o conteúdo deste post: 

  1. Normalmente os planos VGBL não valem a pena pois possuem uma pequena vantagem fiscal no modelo de tributação regressiva mas que não compensa as altas taxas de administração (e consequente baixa rentabilidade).
  2. A previdência complementar é um investimento muito usado pelos brasileiros, com mais de 2 trilhões de reais investidos e 16,7 milhões de contribuintes.
  3. Existem dois tipos de planos: abertos e fechados. No geral os fechados tem menor taxa de administração, maior diversificação e melhor rentabilidade.
  4. A rentabilidade dos planos abertos não bateu o CDI de 2012 a agosto de 2021, as taxa de administração são altas, chegando a 1,3% em média.
  5. A maior parte do capital dos planos de previdência está na modalidade VGBL (78%), além disso, cerca de 80% do patrimônio está investido em renda fixa, sendo 64% em títulos do tesouro.

Sei que ainda não respondemos à pergunta que deu origem ao artigo, no entanto o post está relativamente longo. Vou dividí-lo em 2 partes para facilitar o entendimento, na próxima parte irei focar em uma análise com estudos de caso e trarei o racional financeiro para responder à pergunta: afinal, previdência privada (especialmente o PGBL) vale a pena?


Obrigado!


FIRE Jovem - Dezembro 2021 R$ 83.346 (+0,98%)

7 de janeiro de 2022

Aoba! Feliz ano novo aos resistentes leitores que ainda dão as caras por aqui, como quem é vivo sempre aparece decidi dar as caras por aqui e atualizá-los sobre como vão meus investimentos. O post de hoje será um breve resumo da minha carteira no ano de 2021 e algumas projeções para 2022. 


Comecemos pelo mês de dezembro: a rentabilidade consolidada da carteira foi de 0,98%, sendo que FIIs (+6,85%) e exterior (+2,92%) foram os destaques positivos, o resultado poderia ter sido consideravelmente melhor não fosse a forte queda do Bitcoin (-19,32%) e o recuo da carteira de ações (-1,30%). Termino o ano de 2021 com ~R$ 83k em investimentos, 13% acima da minha projeção inicial de ~R$ 74k. Diferentemente do que você pode imaginar, eu superei a meta devido aos aportes e não à rentabilidade. Ao longo do ano foram R$ 39k investidos (~60% da renda líquida), em contrapartida a rentabilidade no ano foi de modestos 3,78%, bem abaixo da meta de 8,0% a.a. A seguir um breve resumo da rentabilidade histórica da carteira:




Os números em branco representam a rentabilidade do índice BOVESPA no período, já os coloridos são a rentabilidade da minha carteira. Desde o início dos investimentos em 2019 a carteira rendeu 27,41% contra 4,68% do IBOV e 13,25% do CDI. Particularmente credito boa parte deste (até então) bom resultado à sorte e à diversificação, bem como à forte alta do Bitcoin em 2020. Resumindo o que falei logo acima:


Patrimônio Total: R$: R$ 84.346 (R$ 46k no fim de 2020)
Variação Patrimonial: + 79,8% (vs. 2020)
Rentabilidade no ano: +3,78%% (+11,43% em 2020)
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): 27,41% (calculada por regime de cotização)


A seguir a distribuição dos ativos atualmente:



A alocação está relativamente próxima do planejado, para ficar perfeito só falta aumentar um pouco mais a exposição aos ativos no exterior até alcançar ~30%, as demais classes estão relativamente próximas do alvo, talvez reduzir um pouco a parcela de renda fixa e aumentar o caixa deixariam tudo ok.


Em 2021 recebi um total de R$ 1.617 em renda passiva (dividendos, JCP e outros), no gráfico abaixo está a evolução dos dividendos recebidos ao longo ano. Note que o mês de dezembro foi responsável por um quarto de toda a renda passiva do ano (R$ 438).




Para o ano de 2022 tenho as seguintes metas financeiras:

Patrimônio Total: R$: R$ 117,8k
Rentabilidade + 8,0%
Aportes Totais: + R$ 36,9k (ou ~3,1k por mês)

Destas, a meta mais audaciosa (de longe) são os aportes, pois representam cerca de 55% da minha renda líquida (não ter filhos e não poder viajar ou sair com frequência tem algumas vantagens). A sorte está lançada, 
torço para nós atinjamos nossas metas e desejos em 2022!


É isso, pessoal, não irei me aprofundar muito na vida pessoal por pura preguiça, mas, para os curiosos: tudo vai na mesma, namoro vai bem, emprego vai bem, sigo lendo meus livros e jogando um xadrezinho sempre que posso. No trabalho recebemos um bom aumento para o ano de 2022 (além do aumento que eu ganhei por bom desempenho ainda em 2021). Nas próximas semanas devo escrever um post sobre previdência privada, trabalhei em uma planilha para responder à pergunta: afinal, PGBL vale a pena? Ela está bem completa e espero poder compartilhar com vocês em breve.


Obrigado e um 2022 carregado de boas energias, saúde e paz à todos!



FIRE Jovem - Setembro 2021 R$ 72.701 (+0,68%)

3 de outubro de 2021

 Opa, tudo bem com vocês? Depois de bastante tempo fora retornei com o fechamento mensal de Agosto, nos próximos meses buscarei manter a consistência, nem que seja apenas para dar as caras uma vez por mês no fechamento.


Em linhas gerais o mês de setembro foi relativamente bom, apesar da queda brusca do IBOVESPA minha carteira segurou bem e a rentabilidade foi de +0,68% no mês de setembro. No meu caso as ações nacionais que possuo não sofreram tanto quanto o ibov, acumulando uma leve alta de 0,54%, o mesmo aconteceu com os fudos imobiliários (+0,78%) e ações internacionais (+1,67%). Neste mês aportei cerca de R$3,7k, a maior parte destinada à reserva de oportunidade (Conta Nubank) e um tesouro pré-fixado com taxas atrativas (sim, sei que a SELIC vai subir mais, mas achei interessante começar a fazer um pé de meia com as taxas atuais).


Nos investimentos sigo na mesma pegada dos últimos meses: não tenho acompanhado com frequência o mercado e nem me preocupado muito com ele, foco no trabalho e manter a disciplina de aportar todos os meses, o resto virá de um jeito ou de outro. O projeto do livro sobre independência financeira ainda está de pé, no entanto andou a passos lentíssimos no mês de setembro. Como os autores de blog devem saber, escrever é uma atividade que demanda esforço e tempo, ultimamente tem sido difícil :P, mas boto fé que quando acabar o trabalho vai ser bem feito.


Dito isso, vamos aos números (em parênteses o mês anterior) :

Patrimônio Total: R$: R$ 72.701 (R$ 68.788)
Variação Patrimonial: + 5,69% (+5,57%)
Rentabilidade no mês: +0,68% (+1,60%)
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): 30,20% (calculada por regime de cotização)

Como disse, fiz um aporte total de R$ 3,7k neste mês, sendo 1k para reserva de oportunidade e 2,7k em Tesouro Pré 2026. Na imagem abaixo vocês podem ver como meu patrimônio está com relação ao meu plano de aposentadoria (que inclusive já foi revisado, em breve posso falar sobre ele por aqui). Como verão a seguir, meu plano previa cerca de R$ 64k para setembro de 2021 e estou com cerca de 6k a mais. Talvez no próximo mês eu bata a meta de patrimônio para o ano de 2021 (73k) se os investimentos derem uma forcinha.



Com isso a alocação da minha carteira ficou da seguinte forma:



Ainda está um pouco distante da minha alocação alvo, a principal diferença são os investimentos internacionais (Stock no gráfico), atualmente minha carteira conta com ~20% nesta classe e meu objetivo é chegar a 30%. As demais classes estão relativamente próximas da alocação alvo. Sobre a renda passiva: no mês de setembro recebi R$ 59 em dividendos, a maioria deles vindos de fundos imobiliários e ETFs internacionais. Por fim, deixo um resumo da rentabilidade histórica da minha carteira com relação ao IBOV nos últimos anos:



Percebam que são poucos os meses em que minha carteira sobe mais que o IBOV (resultados em verde), quando o IBOV sobe com força a carteira sobre com menos intensidade, no entanto nas quedas do IBOV a carteira segura relativamente bem, creio que esse é o ponto principal para estar acima do índice. Além disso há um forte viés de curto prazo, pois o IBOV vem caindo nos últimos meses e a carteira tem andado de lado, mas é certo que se o índice der uma disparada meus investimentos não irão acompanhar.

Bom, sobre os investimentos é isso. Na vida pessoal as coisas continuam tranquilas, no trabalho vai tudo bem, tenho aprendido bastante e sinto que a moral com os chefes está boa. O namoro vai bem e agora que estou vacinado tenho visto meus amigos com mais frequência, até voltei a jogar meu sagrado futebolzinho. No tempo live sigo lendo bons livros (o último que li foi o Homo Deus do Yuval Harari, muito bom por sinal), indo na academia e procrastinando no YouTube.

Aprendizados do mês:

- No fim das contas a maioria das pessoas não se importa DE VERDADE com o que você pensa e faz, portanto não deixe de fazer as coisas que julgar interessantes por meio do julgamento alheio. 

- Como diria Bob Dylan: Don't criticize what you can't understand

É isso, queridos, espero que leiam o post e interajam com este jovem autor, grande abraço!

FIRE Jovem - Agosto 2021 R$ 68.788 (+2,59%)

1 de setembro de 2021

 Diz o ditado que quem é vivo sempre aparece. Ao que parece o destino me incumbiu de fazer jus à sabedoria popular no post que vos escrevo. Depois de quase 1 ano longe destas virtuais páginas reapareço para atualizar meus queridos leitores, se é que ainda os tenho, sobre como vai a vida, o patrimônio e outras questões relevantes.


Antes de falar sobre a atualização patrimonial propriamente dita, gostaria de deixar-lhes um breve resumo sobre os últimos 11 meses em que estive distante. De forma bem sucinta: em janeiro de 2021 fui efetivado na empresa onde trabalhava como estagiário. Como é de praxe no mercado de trabalho atual, deixei o cargo de estagiário e alcei à posição de analista de engenharia. O analista de engenharia, para quem não sabe, é o funcionário que faz a mesma função de um engenheiro, a única diferença é o status social e o salário, ambos menores no caso do profissional que vos escreve. Com a efetivação minha renda aumentou consideravelmente, mais do que dobrando, além disso o trabalho vai indo muito bem, gosto do que faço, gosto dos meus colegas e sinto que tenho espaço para crescer. Recentemente recebi um novo aumento de salário como forma de me parabenizar pelo bom serviço prestado, além de ser uma forma da empresa dizer: "não vaza não, a gente precisa de você". Não tenho do que reclamar.


Para além do trabalho, continuo namorando uma linda moça interiorana e tenho saído poucas vezes devido à pandemia. Formei-me engenheiro químico no final de 2020, continuo apreciando a leitura de livros, xadrez e mercado financeiro. Recentemente recebi a segunda dose da vacina e espero que as coisas melhorem daqui para frente. Ademais, continuo firme no meu plano de independência financeira, investindo todos os meses e diversificando sempre que possível. Inclusive, como verão a seguir, abri conta em uma corretora internacional (TD Ameritrade) e estou investindo por lá. Em linha com a literatura científica mais atualizada sobre mercados financeiros, optei por investir apenas em ETFs, seguindo o modelo do Factor Investing. Pode ser que eu faça um post sobre assunto em breve.


Por fim, gostaria que soubessem que iniciei um projeto pessoal para escrever um livro sobre independência financeira. A ideia é conscientizar meus amigos mais próximos sobre o tema e dar-lhes um passo a passo daquilo que fazemos na comunidade FIRE. Pode ser que eu publique este livro em algum momento, não sei, vamos ver como as coisas se desenrolam, estou gostando do resultado até aqui.


Sobre minha relação com os investimentos, sinto que estou no 'automático', deixei de acompanhar constantemente o mercado e buscar incessantemente as melhores oportunidades, coloquei na cabeça que o que importa é a disciplina de aportar e diversificação, o resto acontece naturalmente. É por isso que devo migrar minha carteira de investimentos para um foco maior em ETFs e menos em ações individuais, sei que o mercado brasileiro ainda é limitado neste ponto, mas o cenário já está melhorando com os novos ETFs lançados.


Dito isso, vamos aos números :

Patrimônio Total: R$ 68.788 
Variação Patrimonial: +5,57%
Rentabilidade no mês: +2,59%
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): 30,16% (calculada por regime de cotização)

Neste mês fiz um aporte de R$ 3.000 em ações internacionais, comprei alguns ETFs disponíveis no mercado americano. De forma geral estou diversificando entre regiões (Emergentes, EUA e Países Desenvolvidos-ex EUA) e em fatores de mercado (Qualidade, Valor e Small Caps). Como podem ver na imagem a seguir, meu patrimônio segue acima do planejado para o mês de agosto (68,7k real vs 61,1k planejado). Felizmente estamos segurando as pontas acima do planejamento desde o início da carteira.


Atualmente minha carteira está dividida em ações nacionais, ações internacionais (stocks), FII, ouro, criptomoedas, renda fixa e caixa. Dê uma olhada na distribuição ao final do mês de agosto:


Caso tenham curiosidade, estes são os ETFs que escolhi para aportar na minha carteira internacional e esta é a distribuição atual deles na minha carteira. Caso tenham qualquer dúvida ou queiram conversar sobre os investimentos internacionais é só deixar um comentário!


No mês de agosto recebi R$ 153 em renda passiva, a maior parte dela veio de ações nacionais. No ano de 2021 o acumulado recebido em renda passiva é de R$ 956, estou quase batendo R$ 1.000 no ano! 

É isso, pessoal, espero que esse seja um post de renascimento do blog, estive bem ocupado nos últimos meses mas farei o possível aparecer com mais frequência por aqui. Quem puder deixe aquele comentário pra dar uma força.


Por fim, deixo alguns aprendizados recentes:


- Algumas pessoas, feitos e realizações parecem incríveis e quase impossíveis de alcançar, mas elas são construídas por diversas sub-tarefas triviais e maçantes que as tornam incríveis quando somadas.

- Seja humilde nas discussões, peça desculpa quando estiver errado, provocar não é a melhor opção.

- A prática disciplinada (dedicada, focando em melhorar os pontos fracos e com tempo dedicado) é a melhor forma de se tornar melhor em qualquer habilidade. 

- Tudo é treinável, até a inteligência. O que precisamos é escolher o aspecto correto da vida para nos treinarmos e termos disciplina suficiente para ir até o fim em nossa decisão.

- HUMAN BEHAVIOR: nunca interprete um comportamento com base em uma única área do conhecimento. No fim das contas sempre será um interação de diversos fatores incontroláveis e imprevisíveis que levaram àquela conclusão (palestra de Robert Sapolsky).

- Sempre pense nos seus erros antes de julgar o dos outros. Os jovens são pretensiosos e não olham para si.

Obrigado e um grande abraço!


FIRE Jovem - Setembro 2020: R$ 39.205,86 (-2,22%)

5 de outubro de 2020

 Fala minha gente boa! Mais um mês que se passou e mais um mês que estou aqui para atualizar os meus poucos, mas muito queridos leitores sobre como as coisas vão indo. Este mês estou um pouco na correria com os processos seletivos e esse calor infernal, então vou ser curto e grosso.


A pergunta do mês é a seguinte: qual foi o conhecimento mais relevante que você adquiriu nos últimos tempos? No meu caso foi um curso que fiz sobre autoconhecimento e liderança, pude compreender melhor meus pontos fortes e fracos, o que tem sido ótimo nos processos seletivos.


Como devem imaginar, o mês não foi dos melhores, Bovespa deu uma boa caída, FIIs se mantiveram constante e até a merda do Tesouro Selic conseguiu cair nesse mês. Como uma boa carteira de renda fixa e renda variável os meus ativos ficaram no meio termo: caíram, mas nem tanto. A carteira rendeu -2,22% no mês de setembro, a rentabilidade por classe de ativos foi a seguinte (entre parênteses a de agosto):


Ações: -3,48% (-1,28%) 
FII: +0,17% (+ 3,50%) 
Fundo Ouro: -3,38% (+ 6,36%)
Tesouro SELIC: -0,43% (+0,17%) 
Cripto: -6,64% (+8,82%)

Finalizei setembro com os seguintes resultados:

Patrimônio Total: R$ 39.205,86 (R$ 38.656,28) 
Variação Patrimonial: +1,42% (+5,27%) 
Rentabilidade no mês: -2,22% (-0,38%)
Rentabilidade Acumulada Início (fev/2019): -1,23% (calculada por regime de cotização)

Apesar da queda na rentabilidade o aporte mensal compensou e manteve a sequência de aumento patrimonial. Este mês aportei cerca de R$ 1.500,00 em ações, sendo elas: ITSA3, ABEV3, ODPV3 e LREN3. Com isso me mantenho acima da meta projetada para o mês conforme o planejamento mostra abaixo lhes mostra:

FIRE Jovem - Setembro - Evolução Patrimônio


Do jeito que a gente quer: laranja em cima do azul, a curva deu uma inclinada pra baixo mas foi só pra dar um respiro, boto fé que no mês que vem o resultado vem forte (sai zica!). A alocação dos ativos segue dentro de uma faixa que me gusta:

FIRE Jovem - Alocação de Ativos - Set 2020


A renda passiva em setembro foi de R$ 56,72. Quem sabe ano que vem não começam a cair uns dividendos centenários na conta, não é mesmo?

Bom galera, como disse, o post desse mês vai ser curto e grosso. Para além do financeiro me mantenho na meta de chegar aos 70 kg até o fim do ano, faltam 2,5 kg neste momento, estou no caminho! Também estou na batalha por um bom emprego ano que vem, por isso estou prestando vários processos de Trainee e torcendo para abrirem uma vaguinha pra mim na empresa, tenho me doado bastante por lá também.

Aprendizados do mês:

- NBA é foda
- Flow Podcast é ótimo pra passar o tempo
- Os mais velhos estavam certos em boa parte do que falavam
- A cada dia que passa acredito mais que o comunismo/socialismo é um sonho juvenil (o que não torna o capitalismo inconsequente uma bela alternativa)
- Tomamos decisões estúpidas em condições emocionais fora do estado 'frio', evite fazer isso.
- Dieta boa é a que dá para manter.
- Quando cortamos o açúcar é que passamos a sentir o gosto das coisas (morango é doce, sabia?)
- O Investidor Inteligente: Leia.
- A melhor forma de aprender: praticando e agindo.
- A forma mais fácil de ficar rico: agregar valor e agir.
- A preguiça é o pior dos pecados capitais.
- Já tomou o sorvete de pistache da Baccio di Late ?
- Pão com manteiga na chapa, queijo e geleia de morango: tente.

É isso, amigos queridos, bom mês de outubro e bom restinho de ano, até a próxima!

FIRE Jovem


FIRE Jovem - O que é o movimento FIRE ?

23 de janeiro de 2020

Olá, senhoras e senhores


O post de hoje é para aqueles que querem entender melhor o que é o movimento FIRE, irei abordar um pouco da história e fazer um resumo geral dos principais conceitos para atingir a independência financeira segundo a lógica FIRE.


Movimento FIRE Brasil, independência financeira no Brasil
Movimento FIRE Brasil - FIRE Jovem

O que é o movimento FIRE ?

FIRE vem do inglês Financial Independence Retire Early que traduzido fica algo como: Independência Financeira Aposentadoria Antecipada. De forma bem genérica o movimento foca em poupar e investir o dinheiro ganho para atingir o patrimônio necessário para ser independente financeiramente, ou seja, poder viver até o fim da sua vida sem se preocupar com dinheiro, o que pode significar, ou não, a aposentadoria antecipada sem depender de mais ninguém a não ser de você mesmo.

As primeiras referências ao termo FIRE vem do livro de 1992 "Your Money or Your Life" (Vicki Robin e Joe Dominguez). O livro traz um passo a passo para uma vida mais simples e frugal com foco em atingir a independência financeira. No entanto foi só na década de 2010 que o movimento FIRE caiu no gosto dos millenials tendo como semente os blogs criados por americanos e canadenses que relatavam suas jornadas à independência financeira e outras ideias relacionados ao movimento FIRE. O principal expoente e um dos pioneiros é o blog Mr. Money Mustache. No Brasil também temos uma ainda incipiente comunidade FIRE cujos principais nomes são os blogs AA40 e Sr. IF 365, nos dois blogs há muito material interessante sobre independência financeira, incluindo o podcast do Sr. IF e as calculadoras e outras ferramentas do AA40.

Na visão do FIRE Jovem o movimento FIRE é muito mais sobre independência financeira e estilo de vida do que a aposentadoria  antecipada em si. A grande sacada está na liberdade (ou opcionalidade de acordo com Nassim Taleb) proporcionada pela independência financeira, pois conquistando-a você tem a opção de trabalhar ou não, estudar ou não, viajar ou não, aproveitar a vida da forma como achar melhor ou não, você passa a ter a liberdade ou opção de escolher, o que não é possível quando se tem que trabalhar para pagar aluguel, colocar comida na mesa e pagar as contas. Assim, a segunda parte do acrônimo (Retire Early) passa a ser secundária perto da infinidade de opções fornecidas pela primeira parte (Financial Independence).

Principais conceitos do movimento FIRE

De forma bem genérica o movimento FIRE se baseia no seguinte: quanto mais dinheiro você consegue poupar e investir com relação a seus gastos, mais cedo você conseguirá se aposentar, desde que mantenha o mesmo padrão de vida na aposentadoria. Não há um número mágico para alcançar a independência financeira, tudo depende muito mais do quanto você gasta do que o quanto você ganha, determinado quais são seus gastos mensais é possível determinar quanto é necessário para atingir a independência financeira, mas para entender isso precisamos definir uma coisinha chamada TSR.

TSR ou Taxa Segura de Retirada (SWR no inglês) 
É basicamente o quanto você pode tirar do seu patrimônio total por ano de forma que ele dure pelo menos até o fim da sua vida. Nos EUA o número mágico da TSR é de 4% acima da inflação, este número foi definido como a TSR de máxima segurança no Trinity Study, um estudo realizado por professores da Trinity University que fez as seguintes considerações:
 - Período máximo de retirada: 30 anos
 - Portfolio de investimento: 50% bonds (títulos americanos) e 50% stocks.

O estudo consistiu em fazer um backtest para determinar o que teria acontecido com o patrimônio investido para todos os períodos de 30 anos entre 1925-2009, ou seja: 1925-1955, 1926-1956 e assim por diante, levando em conta como as ações e os títulos americanos variaram nestes períodos. Por fim o estudo concluiu que em nenhum período inferior a 30 anos o investidor chegaria a falência com uma TSR de 4% acima da inflação, mesmo que tivesse passado pelo pior período de crise possível ainda assim teria uma grana sobrando após 30 anos de investimentos, isso porque o patrimônio acumulado em conjunto com a valorização das ações e bonds no período seria suficiente para suprir as retiradas feitas para cobrir os gastos. Um ponto importante é que para períodos superiores a 30 anos a TSR de 4% continua válida devido à ação dos juros compostos, mas isso é assunto para outro post.

Para nós, reles mortais brasileiros, a situação é diferente, pois vivemos em outra realidade, com variações muito mais bruscas, crises intensas e governos diferentes. Além disso só é possível fazer um estudo da TSR no Brasil semelhante ao realizado nos EUA a partir do início do plano real (1994), quando o câmbio estabilizou, ou seja, temos apenas um período de 25 anos a ser considerado. Inclusive temos um estudo de TSR no Brasil. É importante ressaltar também que a TSR  de 4% não é unanimidade e já sofreu muitas críticas de economistas e até de membros da comunidade FIRE. Para sua máxima segurança, quanto menor sua TSR mais seguro você estará, os dados do passado não necessariamente refletirão o futuro, o que já foi o máximo de segurança no passado não continuará sendo no futuro, um cisne negro pode acontecer e te deixar na m#$%%. 


Patrimônio necessário para Independência Financeira

De acordo com o movimento FIRE, uma vez definidos seus gastos mensais e a TSR alvo na independência financeira é possível determinar o patrimônio necessário para alcançar a aposentadoria. Lembrando que o que eu chamo de patrimônio aqui é o dinheiro investido em ativos que geram renda (dividendos/aluguéis) ou que ganham valor com o tempo e podem ser liquidados facilmente: ações, títulos de renda fixa, CDB, fundos imobiliários, etc... A casa onde você mora ou seu carro não podem ser considerados patrimônio, uma vez que não geram renda e, mesmo que valorizem, não é possível liquidá-los com facilidade para usar o dinheiro da valorização. 

Exemplo: o Sr. Canseira após 5 anos registrando e acompanhando seus gastos chegou à conclusão que uma boa média mensal dos gastos de sua família é de R$12.000,00 incluindo viagens, escola, moradia, comida e a potencial faculdade do filho no futuro próximo. Com este número em mãos o Sr. Canseira irá determinar qual o patrimônio necessário para atingir a IF considerando uma TSR de 4%:
- Gasto mensal médio do Sr. Canseira e sua família: R$ 12.000,00
- Gasto anual: 12 x R$ 12.000,00 = R$ 144.000,00

O Sr. Canseira precisa juntar um patrimônio tal que 4% dele seja correspondente aos seus gastos anuais. Basicamente precisamos multiplicar o gasto anual por 25 (se a TSR for diferente de 4% o cálculo é diferente, basta fazer uma regra de três).

25 x R$ 144.000,00 = R$ 3.600.000,00

O patrimônio necessário para o Sr. Canseira ser independente financeiramente é de 3 milhões e 600 mil reais, uma vez atingido este número basta deixar os investimentos trabalharem por si e viver a vida da forma como preferir, mas sempre com cautela e verificando as variações do patrimônio (na real não é tão simples assim).


E quanto tempo leva ?

Bom, é aí que a parte da vida simples e da poupança entra. Como vimos aí em cima, quanto menor seu gasto menos patrimônio você precisará acumular, além disso, quanto menos você gasta mais você poupa e investe, por isso poupar tem um efeito duplo: te faz investir mais e acumular mais dinheiro ao mesmo tempo em que faz com que seus gastos sejam menores e precise acumular menos. É claro que tudo dentro do bom senso. Quem define como tem que viver é você, porque é só você que pode correr atrás e alcançar o objetivo da IF. Se você consegue viver com R$ 2.000,00 e ser feliz, meus parabéns! Se precisa de R$ 15.000,00 tudo bem também, talvez o caminho seja um pouco mais longo, mas é você quem vai percorrê-lo, não cabe a ninguém julgar.

Na realidade o mais importante não é o quanto você poupa por mês em termos absolutos, mas sim o quanto você poupa com relação aos seus gastos

Por exemplo: O Sr. Canseira recebe R$ 5.000 e consegue viver com R$ 2.000. Ele investe os R$ 3.000 restantes todos os meses em renda fixa e renda variável. Já o Sr. Zé Com Sono recebe R$ 50.000 por mês e gasta R$ 40.000, o Sr. Zé Com Sono também investe os R$ 10.000 restantes. Qual dos dois você acha que aposentará antes (sem depender do governo) mantendo os mesmos gastos ao longo do tempo ?

Se respondeu o Sr. Canseira você acertou. Apesar de seus investimentos serem bem menores do que os do Sr. Zé Com Sono, o Sr. Canseira poupa e investe todo mês uma quantia 1,5x maior que seu gasto mensal, já o Sr. Zé Com Sono investe todo mês apenas 0,25x o seu gasto mensal. O tempo que o Sr. Canseira levará para chegar no patrimônio necessário para aposentadoria será muito mais curto.

O tempo que levará para você se aposentar dependerá dos seguintes fatores listados em ordem de importância:
1. A relação entre o quanto você poupa e o quanto você gasta
2. A TSR definida por você na aposentadoria (quanto menor, mais será preciso acumular e mais seguro você estará)
3. A rentabilidade dos seus investimentos

A título de exemplo
1. Sr. Canseira ganha R$ 100.000,00 por ano e economiza 50% do que ganha, ele poderá se aposentar com uma TSR de 4% em 16,3 anos com uma rentabilidade anual média de 5% nos investimentos (desde que essa pessoa mantenha o mesmo padrão de vida ao se aposentar).

2. Sr. Zé com sono ganha R$ 300.000,00 por ano e economiza 10% do salário anual, ele poderá se aposentar com uma TSR de 4% em 34 anos mesmo mantendo uma rentabilidade média de 9% ao ano (desde que mantenha o mesmo padrão de vida).

Como o post já está longo demais não entrarei com profundidade na matemática por trás dos cálculos acima, mas quem quiser ir mais a fundo pode encontrar neste link uma planilha com mais detalhes. 

FIRE Jovem


FIRE Jovem - Os Fundos de Gestão Ativa Brasileiros batem o Mercado? O Veredito - Parte III

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