É isso, meus amigos, depois de três anos do meu início formal nos investimentos, quando ainda era um mero estagiário, atingi essa que pode ser considerada a primeira conquista relevante no caminho até a independência financeira. Meu patrimônio investido finalmente rompeu a marca dos 6 dígitos e ultrapassou a marca de de 100 mil reais investidos! Sei que o caminho é longo e ainda faltam muitos '100 mil' pra alcançar a tão sonhada independência financeira, mas é gratificante conquistar os primeiros cem mil. E que venham mais, para todos nós!
FIRE Jovem - Março 2022 R$ 102.906 (+0,58%) - Chegada aos 100k!
3 de abril de 2022
FIRE Jovem - Dólar e Inflação, uma breve análise
4 de março de 2022
Olá, caros leitores. Ontem, logo antes de dormir, passou por minha cabeça um desses pensamentos que deixam um ponto de interrogação e não vão embora até que a dúvida seja finalmente respondida: "afinal, qual é a relação entre dólar e inflação?". E, sim, eu sei, há uma óbvia correlação entre dólar e inflação, uma vez que boa parte dos bens de consumo e commodities são dolarizados. Mas a minha dúvida era um pouco mais profunda: será que essa relação direta aventada pela mídia, por políticos e pelos educadores financeiros se observa nos dados?
Como bom curioso que sou, não deixei o cansaço do horário ou a interessante prova do líder do BBB22 atrapalharem minha missão: sentei-me na cadeira e me pus a coletar dados para responder o questionamento que brotou na minha cabeça. Assim, coletei os dados nas seguintes fontes:
1. Variação Mensal do Dólar de Fevereiro/2000 até Fevereiro de 2022 - Investing.com
2. Variação Mensal do IPCA de Fevereiro/2000 até Fevereiro de 2022 - Séries Históricas do IBGE
Com os dados em mãos e usando o bom e velho Excel obtive alguns dados estatísticos para resumir as amostras (aqui inclui também o INPC a título de comparação):
Tabela 1 - Resumo Estatístico da Variação Mensal do Dólar, IPCA e INPC de fev/2000 a fev/2022
Como mostram os dados, apesar das três variáveis apresentarem média aritmética em torno de 0,50% para a variação mensal, fica claro que as variações do dólar são muito mais intensas do que os índices IPCA e INPC. Isso é fácil de notar ao comparar os desvios padrão (+- 5,09% para o dólar vs. 0,39% e 0,45% para IPCA e INPC, respectivamente) e também os valores de retorno máximo e mínimo na das amostras, enquanto o IPCA variou de -0,38% a 3,02% o dólar variou de -13,47% a 25,02%.
Mas até aqui não temos nada de novo sob o sol, é de se esperar que um índice como o IPCA que faz uma média ponderada dos preços de inúmeras categorias e em todas as regiões do Brasil tenha uma variação mensal de preços mais comportada do que a relação entre dólar e real. Outro ponto interessante desta primeira tabela é que o IPCA e o INPC quase sempre possuem variações positivas (ou seja, o real perdendo poder de compra), em apenas 9 dos 262 meses da amostra o IPCA apresentou um comportamento deflacionário, ao passo que o dólar apresentou variações negativas em quase metade dos meses (128 negativo x 135 positivo).
Ok, mas ainda não respondemos à fatídica pergunta que me tirou do conforto da cama às 22:30 de uma quinta-feira pós-carnaval, a relação entre dólar e inflação (medida pelo IPCA), se observa nos dados? Para respondê-la fiz o que qualquer iniciante em estatística faria: calculei a correlação entre os retornos mensais do dólar, do IPCA e do INPC no período de fevereiro de 2000 até fevereiro de 2022. Para a minha surpresa os valores que obtive foram os seguintes:
Tabela 2 - Correlação entre Dólar (USD), IPCA e INPC de 2000 a 2022
Comecemos pelo óbvio: a correlação entre IPCA e INPC no período foi bastante alta, chegando a 0,95 e com R² de 0,91. Isso quer dizer que o IPCA e INPC são muito correlacionados (0,95) e que as variações mensais do IPCA (ou do INPC) explicam 91% das variações mensais do INPC (ou IPCA), conforme medido pelo R². Este resultado é perfeitamente esperado, uma vez que o INPC e IPCA são muito semelhantes, a diferença é que o INPC mede a inflação da população com até 5 salários mínimos e o IPCA mede a inflação para toda população, mas a metodologia usada é a mesma. Portanto aqui não temos nenhuma surpresa.
A verdadeira surpresa vem quando comparamos a correlação do retorno mensal do dólar com relação à ao IPCA ou INPC. Como vemos na Tabela 2, a correlação não só é praticamente nula (-0,02), como também tende a ser negativa. Também é interessante notar que o R² é praticamente 0, ou seja, a variação do dólar em um dado mês é completamente descorrelacionado com a variação da inflação naquele mesmo mês. "Esse moleque fez cagada" pensarão uns, "Errou a fórmula no Excel", pensarão outros, mas não, eu chequei mais de uma vez e posso explicar o que está acontecendo aqui.
Se você é um leitor perspicaz, deve ter notado que no último parágrafo deixei uma frase destacada: "naquele mesmo mês". E este é o ponto principal aqui. Nesta primeira análise estou comparando a correlação do dólar com a inflação em um mesmo mês, é como se eu estivesse relacionando a variação do dólar hoje com a inflação que mediremos no fim do mês e isso não faz muito sentido, porque demora um tempo para a variação do dólar impactar nos preços dos itens de consumo. Ou seja, existe um atraso entre a variação do dólar e a variação da inflação. E foi justamente isso que passou pela minha cabeça antes de eu julgar que estava errando nos cálculos.
Para entender como a variação do preço do dólar afeta a inflação nos meses seguintes eu usei a seguinte metodologia:
1. Estabeleci prazos de 1, 3, 6, 9 e 12 meses e calculei a média geométrica da variação do dólar no período anterior ao mês analisado. Por exemplo, para o prazo de 3 meses em março de 2001 eu calculei o retorno médio do dólar indo de janeiro de 2001 até março de 2001, este mesmo procedimento foi feito para os demais períodos levando em conta o horizonte analisado.
2. Para o IPCA eu fiz a mesma coisa, usando os prazos de 1, 3, 6, 9 e 12 meses, mas desta vez o cálculo foi feito com base nos meses posteriores, justamente porque queremos entender a variação posterior do IPCA com uma variação anterior do dólar. Por exemplo, para o prazo de 3 meses em março de 2001 foi calculada a média geométrica das variações do IPCA de março de 2001 até maio de 2001.
Realizados os cálculos, foram obtidas algumas séries de dados com a variação média anterior do dólar (em períodos de 1 a 12 meses) e a variação média posterior do IPCA (em períodos de 1 a 12 meses). Por exemplo, para o mês de junho de 2001 foram obtidos 5 medidas de variação para o dólar referentes aos prazos de 1, 3, 6, 9 e 12 meses anteriores e 5 medidas referentes ao IPCA referentes aos prazos de 1, 3, 6, 9 e 12 meses posteriores. Com esses novos dados, recalculei as correlações entre os retornos mensais. Na Tabela 3 a seguir a denominação USD (3) indica a análise feita com base na média de variação do dólar dos 3 meses anteriores, da mesma forma que IPCA (9) indica os cálculos referentes à variação dos 9 meses posteriores do IPCA.
Tabela 3 - Correlação entre dólar e IPCA para a média geométrica da variação em períodos de 1, 3, 6, 9 e 12 meses (anteriores para o dólar e posteriores para o IPCA)
Aqui vemos que a coisa mudou de figura. Continuamos a observar o padrão de correlação baixíssima para um mesmo mês [correlação de -0,02 para IPCA(1) vs USD (1)], no entanto conforme estendemos o período de análise para 6 a 12 meses, a correlação tende a aumentar, chegando ao pico de 0,42 ao correlacionar as variações dos 9 meses anteriores do dólar [USD (9)] com as variações dos 6 meses seguintes do IPCA [IPCA (6)]. Ou seja, a hipótese de que a inflação é uma medida atrasada com relação à variação do dólar parece se confirmar nos resultados apresentados na Tabela 3, uma vez que para períodos posteriores mais longos (IPCA 9 ou IPCA 12), as correlações tendem a aumentar.
Conforme as cores na Tabela mostram, quanto mais longo o período usado para o retorno do dólar, melhores aparentam ser as correlações, chegando a um limite nos 9 meses anteriores (não parece haver aumento na correlação passando de 9 para 12 meses). Para o IPCA vemos a mesma tendência, quanto maior o período posteriors analisado, melhor a correlação, chegando a um limite em 9 meses. Ainda sobre esta análise, deixo a seguir o R² obtido para cada uma das comparações:
Tabela 4 - R² entre dólar e IPCA para a média geométrica da variação em períodos de 1, 3, 6, 9 e 12 meses (anteriores para o dólar e posteriores para o IPCA)
FIRE Jovem - Julho 2020: R$ 36.721,23 (+ 3,72%)
5 de agosto de 2020
FIRE Jovem - Junho 2020: R$ 34.873,11 (+ 3,51%)
1 de julho de 2020
FIRE Jovem - Maio 2020: R$ 32.332,58 (+ 2,53%)
30 de maio de 2020
FIRE Jovem - Princípio 6: Dinheiro em Caixa
21 de maio de 2020
1. Reserva de Oportunidade
2. Modo de usar
3. Deixe o caixa crescer junto com seu patrimônio
4. Quais ativos servem como Caixa ?
5. O Caixa não é só para o mercado financeiro
- Abertura de negócio próprio
- Comprar parte de outro negócio (sócio)
- Imóveis
- Bens a preços baratos (carros usados)
- Leilões
- Reserva de oportunidade para aproveitar oportunidades
- Reduz a volatilidade da carteira
Warren Buffet tem
- Menor potencial no longo-prazo (se mal usado)
- Vai doer aportar no Caixa quando tudo estiver subindo
FIRE Jovem - Acompanhamento das Metas Financeiras
16 de maio de 2020
- % Meta excedendo 150%
- % Meta abaixo de 80%
FIRE Jovem - Abril 2020: R$ 29.493,78 (+4,59%)
3 de maio de 2020
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| Patrimônio Real x Planejado - FIRE Jovem - Abril 2020 |
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| Alocação Atual x Alvo - FIRE Jovem - Abril 2020 |
FIRE Jovem - Carteira de ativos
18 de janeiro de 2020
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| Carteira para independência financeira - FIRE Jovem |
- Motivação: começar a jornada batendo as primeiras metas com mais facilidade.
- Focar em poupar dinheiro e aportar mais desde o primeiro ano, uma vez que a rentabilidade é secundária, especialmente com patrimônio baixo.
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| Alocação de ativos 2019 - FIRE Jovem |
Agora vamos aos resultados de 2019:
1. Excluindo Reserva de emergência e Caixa:
- Capital investido: R$ 10.628,75
- Montante Final: R$ 11.826,49
- Rentabilidade: 11,27%
- Rentabilidade ações: 14,11% (desde agosto)
- Rentabilidade FII: 21,78%
2. Incluindo Reserva de emergência e Caixa*:
- Capital investido: R$ 20.677,12
- Montante final: 22.276,49
- Rendimento: 7,73 %
- Patrimônio em Caixa: R$ 1.067,00
- Patrimônio planejado (2019): R$ 18.000
- Patrimônio Total: R$ 23.343,49
- % da Meta: 130%
*A princípio inclui a reserva de emergência como Patrimônio, sei que não é o ideal e provavelmente mudarei isso no meu planejamento.
** Optei por colocar o Caixa separado pois não consegui rastrear a rentabilidade dele em 2019 por ser uma conta digital. Em 2020 vou usá-lo apenas como investimento e passarei a contabilizar a rentabilidade.
No fim das contas consegui bater minha meta financeira para 2019 em 30% graças ao bull market das ações e FII, à projeção de rentabilidade 0% para o ano e também pela capacidade de poupar que excedeu o esperado. Que venha 2020 e que as metas continuem sendo batidas.
Boa sorte á todos nós em 2020!
FIRE Jovem
FIRE Jovem - Os Fundos de Gestão Ativa Brasileiros batem o Mercado? O Veredito - Parte III
Olá, caros leitores, antes de mais nada peço que, caso não tenham visto, leiam os posts anteriores desta série. É importante lê-los para q...















